Polícia Federal indicia Rodrigo Bacellar e TH Joias por ligação com o Comando Vermelho

Polícia Federal indicia Rodrigo Bacellar e TH Joias por ligação com o Comando Vermelho

 

Operação revela esquema de vazamento de informações sigilosas envolvendo Assembleia Legislativa e Judiciário fluminense

A Polícia Federal concluiu o indiciamento de cinco pessoas em investigação que apura o vazamento de informações sigilosas para integrantes do Comando Vermelho. Entre os indiciados estão o presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil), e o ex-deputado Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias.

O inquérito, enviado ao Supremo Tribunal Federal nesta sexta-feira (27), revela um complexo esquema de corrupção que envolve autoridades públicas e organizações criminosas. As investigações apontam para um sistema de tráfico de influência que conecta o Poder Legislativo estadual ao Judiciário fluminense.

Cinco indiciados por organização criminosa

Além de Bacellar e TH Joias, foram indiciadas outras três pessoas: Flávia Júdice Neto, ex-servidora da Alerj e esposa do desembargador federal Macário Judice Neto; Jéssica Oliveira Santos; e Tharcio Nascimento Salgado. Todos respondem pelos crimes de organização criminosa, obstrução de justiça e favorecimento pessoal.

Flávia Júdice Neto trabalhou na Assembleia Legislativa entre abril de 2023 e novembro de 2025. Seu marido, o desembargador Macário Judice Neto, foi preso durante as investigações sob suspeita de vazar informações sobre operações da Polícia Federal, mas não foi indiciado no inquérito atual.

A Polícia Federal solicitou ao STF a quebra de sigilos telefônicos e bancários dos cinco indiciados. No documento, os investigadores justificam a medida apresentando indícios robustos de um esquema de tráfico de influência que compromete a integridade de instituições públicas fundamentais.

Prisões e medidas cautelares

Rodrigo Bacellar foi preso em 3 de dezembro de 2025 durante a Operação Unha e Carne, acusado de vazar dados sigilosos da Polícia Federal para beneficiar TH Joias. O presidente afastado da Alerj permaneceu detido por menos de uma semana, sendo liberado por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

Atualmente, Bacellar cumpre medidas cautelares e está de licença do mandato parlamentar até 5 de março de 2026. As restrições impostas pela Justiça incluem limitações de contato e movimentação, além da proibição de exercer funções públicas.

TH Joias permanece preso no Presídio Federal de Brasília. O ex-parlamentar enfrenta acusações graves de negociar armamentos com integrantes do Comando Vermelho, configurando crime contra a segurança pública e fortalecimento de organização criminosa.

Mensagens revelam pedido de Sérgio Cabral

As investigações da Polícia Federal revelaram conversas comprometedoras entre o ex-governador Sérgio Cabral e Rodrigo Bacellar. As mensagens, encontradas nos celulares de Bacellar, mostram que Cabral solicitou intervenção para adiar um processo judicial em maio de 2025.

Na conversa do dia 22 de maio, Cabral escreveu: "Não esquece do meu julgamento na Sexta Câmara. Desculpa te perturbar com isso. Mas será terça. Só pedir para retirar de pauta." Bacellar respondeu: "Te falo". Cinco dias depois, o ex-governador comemorou: "Irmão! Saiu de pauta o meu processo. Você é um querido! Te amo, amigo!"

Posteriormente, Sérgio Cabral informou que perdeu o processo na 6ª Câmara de Direito Público mencionada pela Polícia Federal. O ex-governador afirmou que irá recorrer da condenação por improbidade administrativa, demonstrando que as tentativas de interferência não surtiram o efeito desejado.

Impactos no sistema político fluminense

O caso expõe vulnerabilidades graves no sistema político e judiciário do Rio de Janeiro. A conexão entre autoridades públicas e organizações criminosas representa uma ameaça direta à democracia e ao estado de direito. As investigações revelam como informações sigilosas podem ser utilizadas para beneficiar criminosos e comprometer operações policiais.

A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro enfrenta uma crise institucional sem precedentes. Com o afastamento de seu presidente e o envolvimento de servidores em esquemas criminosos, a casa legislativa precisa implementar medidas rigorosas de controle interno e transparência.

O Judiciário fluminense também sofre abalos significativos com o envolvimento de um desembargador federal nas investigações. A situação exige uma resposta firme dos órgãos de controle para preservar a credibilidade do sistema judicial.

Próximos passos da investigação

O inquérito completo está sob análise do Supremo Tribunal Federal, que decidirá sobre os pedidos de quebra de sigilo apresentados pela Polícia Federal. A decisão ministerial será crucial para o aprofundamento das investigações e a identificação de outros possíveis envolvidos no esquema.

As autoridades competentes trabalham para mapear completamente a rede de corrupção e seus impactos nas instituições públicas. A colaboração entre diferentes órgãos de investigação será fundamental para garantir que todos os responsáveis sejam responsabilizados.

A sociedade civil e organizações de controle social acompanham atentamente os desdobramentos do caso, exigindo transparência total no processo investigativo e punição exemplar para os envolvidos.

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Por Ultima Hora em 27/02/2026
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