POVO DE AXÉ REPUDIA DECLARAÇÃO DE EDUARDO PAES E COBRA RESPEITO NO RÉVEILLON DO RIO

Lideranças de matriz africana reagem a fala do prefeito, apontam desrespeito histórico e denunciam desigualdade no tratamento das expressões religiosas

POVO DE AXÉ REPUDIA DECLARAÇÃO DE EDUARDO PAES E COBRA RESPEITO NO RÉVEILLON DO RIO

O povo de axé manifestou publicamente repúdio às declarações do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, após ele se referir às críticas do professor e babalawô Ivanir dos Santos como vindas de “essa gente”. Para representantes das religiões de matriz africana, a expressão ultrapassa o campo do deslize verbal e carrega um histórico de desumanização, preconceito e silenciamento.

A reação destaca que povos de terreiro não são figurantes nem adereços culturais. Pelo contrário: foram eles que, muito antes de palcos oficiais, patrocínios, estruturas públicas ou transmissões televisivas, ocuparam as praias com fé, respeito e tradição, dando origem às celebrações que hoje integram o Réveillon carioca.

Segundo o posicionamento, o debate não se trata de negar o direito de celebração de qualquer grupo religioso. Direitos não competem entre si. A crítica central recai sobre a desigualdade no uso da estrutura pública, quando há investimento, palco e visibilidade garantidos para determinados segmentos, enquanto o povo de axé é empurrado à margem, invisibilizado ou tratado como incômodo.

A nota levanta questionamentos diretos:
Se há palco gospel, por que não existe o palco do axé?
Se há reconhecimento institucional para uns, por que não há para outros?
Se o Réveillon é anunciado como festa de todos, por que nem todos recebem o mesmo respeito?

O posicionamento reforça que o Rio de Janeiro é uma cidade de matriz africana, negra, marcada por terreiros, orixás e resistência cultural. Ignorar essa realidade significa negar a própria identidade da cidade. Mais grave ainda, segundo o texto, é classificar reivindicações por igualdade como “preconceito”, invertendo uma lógica histórica que sempre colocou o povo de axé no lugar da perseguição e da intolerância religiosa.

O povo de terreiro cobra que o Réveillon reflita a pluralidade cultural e religiosa do Rio, com espaço digno para as expressões afro-brasileiras, seus rituais, cânticos e manifestações. A defesa é por igualdade, não privilégio, e por políticas públicas que não hierarquizem crenças nem utilizem a fé como estratégia política.

A cobrança final é clara: respeito, visibilidade e reconhecimento. Para que o Réveillon do Rio de Janeiro seja, de fato, uma festa de todos e todas — e para que o poder público esteja à altura da diversidade que a cidade representa.

Por: Arinos Monge

Por Ultima Hora em 29/12/2025
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