Presidente da ABINC-RJ André Guedes defende economia dos dados e critica proibição de smartphones nas escolas brasileiras

Rio Innovation Week: presidente da ABINC defende integração da inteligência artificial nas escolas

Presidente da ABINC-RJ destaca revolução da inteligência artificial e questiona regulamentação excessiva da tecnologia na educação

O presidente da Associação Brasileira de Internet das Coisas (ABINC) no Rio de Janeiro, André Luis Azevedo Guedes, participou do Rio Innovation Week defendendo uma abordagem mais progressista para a integração da inteligência artificial na sociedade brasileira. Durante entrevista exclusiva, o especialista em transformação digital criticou a tendência de proibição de smartphones nas escolas e alertou para o risco de o Brasil ficar defasado em relação a outros países na economia dos dados. Guedes, que possui doutorado em Engenharia Civil com foco em Smart Cities e pós-doutorado em Administração, enfatizou que o país precisa repensar seu modelo educacional para acompanhar as transformações tecnológicas globais.

O Rio Innovation Week consolidou-se como um evento de relevância mundial, reunindo mais de 80.000 pessoas em quatro dias e contando com mais de 60 palestrantes durante sua programação. Segundo Guedes, o evento colocou o Rio de Janeiro como "referência mundial" em inovação e tecnologia, destacando-se especialmente pela presença de organizações internacionais como a ONU e o PNUD, que trouxeram a agenda 2030 para discussão local. O presidente da ABINC-RJ ressaltou que essa escala de participação demonstra o crescente interesse da sociedade brasileira por temas relacionados à inteligência artificial, IoT e inovação tecnológica.

A reflexão sobre as revoluções tecnológicas foi um dos pontos centrais da fala de André Guedes. O especialista observou que as transformações estão ocorrendo em intervalos cada vez menores, citando que "o que se está estudando hoje, ano que vem já vai ser arcaico". Essa aceleração exponencial das mudanças tecnológicas, segundo ele, passou pela revolução industrial, revolução francesa, revolução política e revolução dos smartphones, chegando agora à era da inteligência artificial. Guedes alertou que essa velocidade de transformação exige adaptação constante e visão estratégica para não ficar obsoleto no mercado.

Um aspecto fundamental destacado pelo presidente da ABINC-RJ foi o fato de que a Internet das Coisas não substitui profissões, mas cria novas oportunidades de trabalho. "Na época que nós nascemos, não existia youtuber, não existiam pessoas que eram de mídia dessa forma", exemplificou Guedes, demonstrando como as tecnologias emergentes geram novos campos profissionais. Ele enfatizou que a curadoria humana permanece essencial, mas a tecnologia exponencializa as oportunidades de utilização dos dados gerados constantemente, criando possibilidades de negócio e melhoria da qualidade de vida.

A aplicação prática da inteligência artificial em diferentes setores foi amplamente abordada por Guedes, que apresentou dados impressionantes sobre a acurácia dos sistemas automatizados. Segundo informações obtidas junto à Unimed, laudos médicos avaliados com inteligência artificial apresentam 98% de acurácia, enquanto a combinação de IA com curadoria humana alcança 92%, e apenas profissionais humanos atingem 82%. Esses números demonstram como a tecnologia pode potencializar a precisão em áreas críticas como a saúde, evidenciando o potencial transformador da IA em setores estratégicos.

A crítica de André Guedes à proibição de smartphones nas escolas foi contundente e bem fundamentada. O especialista questionou se essa medida não representa um retrocesso, especialmente quando comparada a países como os Estados Unidos, onde escolas já utilizam predominantemente inteligência artificial no processo educacional. "Você vê aí escolas nos Estados Unidos onde praticamente só se usa a inteligência artificial já. Aí aqui no Brasil a gente está tirando o poder da criança", criticou. Sua posição reflete uma preocupação com o distanciamento do Brasil em relação às práticas educacionais mais avançadas globalmente.

A Coreia do Sul foi apresentada como modelo de integração tecnológica na educação. Guedes destacou que no país asiático "não existe mais sala de aula que não tenha tablet, que não tenha uma aplicação de inteligência artificial", questionando por que o Brasil não pode adotar práticas similares. Essa comparação internacional evidencia como diferentes abordagens regulatórias podem impactar o desenvolvimento tecnológico e educacional de um país, colocando em questão as políticas brasileiras de restrição ao uso de tecnologia em ambiente escolar.

A questão da regulamentação foi abordada de forma equilibrada pelo presidente da ABINC-RJ. Como representante de uma instituição agnóstica que trabalha com empresas americanas, alemãs, chinesas e coreanas, Guedes defendeu que smartphones e IA são "ferramentas de ajuda à educação", mas reconheceu a necessidade de curadoria humana adequada. O problema, segundo ele, é que os educadores ainda não sabem fazer essa curadoria, criando um dilema entre regular excessivamente ou permitir uso irrestrito. Ele criticou a tendência da legislação brasileira de ser "impositiva" e desalinhada com o avanço tecnológico.

O conceito de economia dos dados foi apresentado como paradigma fundamental para o desenvolvimento brasileiro. Guedes enfatizou que vivemos na "era da economia dos dados" e que o país precisa compreender essa realidade para não ficar defasado. Sua visão é que a resistência à tecnologia representa um risco de estagnação, lembrando que "parar de crescer é prenúncio de morte" no sistema capitalista. Essa perspectiva reflete a urgência de adaptação às novas realidades econômicas baseadas em dados e inteligência artificial.

A trajetória profissional de André Guedes, com mais de 20 anos de experiência em projetos de alto impacto, confere credibilidade às suas análises. Como autor do livro premiado "Smart Cities - Cidades Inteligentes" (Prêmio ABQ 2021) e professor em programas de pós-graduação na UNISUAM e UFF, ele combina conhecimento acadêmico com experiência prática em gestão e inovação. Sua atuação na estruturação de polos de inovação e como conselheiro em órgãos de CT&I demonstra profundo entendimento dos desafios e oportunidades da transformação digital.

A participação de Guedes no Rio Innovation Week representa uma voz autorizada no debate sobre o futuro tecnológico do Brasil. Suas proposições sobre educação, regulamentação e economia dos dados oferecem uma perspectiva estratégica para o desenvolvimento nacional, alertando para os riscos de ficar defasado em relação às tendências globais. O especialista demonstra compreender que a integração inteligente da tecnologia, especialmente na educação, é fundamental para preparar o país para os desafios das próximas décadas.

Repórter Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ

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Por Ultima Hora em 18/08/2025
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