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A guerra informacional e a restauração do império da lei nas comunidades fluminenses
Assiste-se, no proscênio da segurança pública contemporânea, a um fenômeno de vulto que desborda os limites da força bruta para se aninhar nas sutilezas do intelecto e da percepção coletiva.
No primeiro Seminário de Segurança Pública e Direitos Humanos, a voz da Dra. Carmen Eliza, ilustre integrante do Parquet fluminense com mais de três décadas de labor na seara criminal, ecoou uma advertência de clarividência ímpar: a guerra, hoje, não se trava apenas no terreno acidentado da geografia física, mas sim no campo minado da informação.
Como já dizia o brocardo, fiat iustitia, pereat mundus. Contudo, a justiça carece da verdade como o pulmão carece do ar. A guerra informacional, conforme elucidado pela palestrante, busca a manipulação da opinião pública para fins pré-ordenados, erigindo algoritmos como sentinelas da consciência humana.
Não raro, a narrativa suplanta o fato, e a ideologia, qual névoa espessa, obscurece a visão dos magistrados e membros do Ministério Público. "Justiça tardia não é justiça, senão injustiça qualificada e manifesta", e a justiça que se deixa cooptar por viés ideológico é, em si, uma negação do Direito.
A realidade nua e crua das comunidades, onde a cidadania é usurpada pela tirania das organizações criminosas e das milícias, não admite o eufemismo da "vulnerabilidade social" como salvo-conduto para a prática delitiva.
O crime, na visão de quem sentiu o pulsar do Tribunal do Júri por quatorze anos, é uma opção moral, e não um infortúnio da indigência. O trabalhador honesto, no exercício de sua dignidade, escolhe o suor do rosto; o criminoso escolhe a transgressão.
A intervenção policial, nestes territórios sitiados, não deve ser vista sob a lente deformada da agressão, mas sim como um ato de resgate dos direitos fundamentais daqueles que são privados do direito de ir e vir, da propriedade e, por vezes, da própria vida.
É imperativo que o julgador, ao apreciar o confronto armado, compreenda a estética da guerra assimétrica que se impõe, despojando-se de dogmas que não resistem ao pragmatismo do campo de batalha. Só a verdade, despida de artifícios, poderá restaurar a paz e o império da lei nesta Terra de Santa Cruz.

Repórter Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ
Por Robson Talber @robsontalber
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Fontes: Transcrição da entrevista concedida por Carmen Eliza (MP-RJ) ao jornalista Ralph Lichotti (República/Última Hora) no Seminário de Segurança Pública e Direitos Humanos.
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