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Rodrigo Bacellar critica investimento maior em tecnologia do que em segurança pública no estado
O presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), deputado Rodrigo Bacellar (União), manifestou indignação durante a sessão plenária desta terça-feira (24/09) pelos episódios de violência que marcaram o último fim de semana nas praias da Zona Sul carioca. O parlamentar cobrou urgência na sanção do Projeto de Lei 5.909/25, de sua autoria, que cria o Pacote de Enfrentamento ao Crime (PEC), como medida preventiva contra a repetição desses atos.
"É inadmissível olhar para um restaurante, um cara trabalhando, e vem um infeliz jogando copo, faca e prato no trabalhador. Pior ainda é ver a omissão do Estado e da Prefeitura", declarou Bacellar com veemência. A fala do presidente da Alerj reflete a revolta generalizada da população carioca diante dos constantes episódios de vandalismo e violência que têm se tornado rotineiros na orla da cidade.
O deputado anunciou que irá dialogar com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e com o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), visando expandir o PEC para todo o território nacional. A iniciativa demonstra a preocupação em transformar a experiência fluminense em política pública de alcance federal, reconhecendo que o problema da violência urbana transcende fronteiras estaduais.
Levantamento realizado pelo gabinete de Bacellar revelou dados alarmantes sobre as prioridades orçamentárias do governo estadual. Entre janeiro de 2024 e setembro de 2025, o Governo do Estado investiu aproximadamente R$ 1,7 bilhão no Centro de Tecnologia da Informação e Comunicação (Proderj), enquanto destinou apenas R$ 1,49 bilhão para segurança pública. Os números evidenciam um descompasso entre as necessidades urgentes da população e as escolhas governamentais.
O presidente da Alerj defendeu maior integração entre a Guarda Municipal do Rio de Janeiro e as polícias Militar e Civil para intensificar o patrulhamento na orla carioca, especialmente nos fins de semana. "A cena se repete sempre. Se observar Copacabana, a gente já sabe o que acontece. Está na hora de a gente olhar as coisas com mais responsabilidade", alertou o parlamentar, destacando a previsibilidade dos episódios violentos.
Durante seu discurso, Bacellar também abordou questões orçamentárias preocupantes, mencionando que a previsão do Poder Executivo é de déficit de R$ 19,6 bilhões para o Orçamento de 2026. O presidente da Alerj informou que as mensagens enviadas pelo Executivo para a área econômica já estão sendo discutidas na Casa e conclamou atenção máxima dos deputados durante as votações dos projetos.
O último fim de semana foi marcado por episódios graves de violência na Zona Sul do Rio de Janeiro. No domingo (22/09), um grupo invadiu um restaurante na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, depredou o estabelecimento e roubou clientes. Além disso, houve registro de vandalismo em ônibus no bairro, com pessoas subindo no teto dos coletivos e quebrando janelas, além de tumulto na estação General Osório do metrô.
"Você vê na rua assalto todo santo dia. É barricada, Avenida Brasil parada e o pior é que quem sofre sempre é o trabalhador, que paga imposto. Não dá mais para assistir ao que a gente está vendo", desabafou Bacellar, cobrando do governador a mesma compreensão demonstrada pelo Parlamento na aprovação do PEC. A declaração resume o sentimento de urgência que permeia o debate sobre segurança pública no estado.
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