Tia Ju faz história como primeira mulher negra a presidir a Alerj por período prolongado

Deputada assume comando da Casa durante viagem de Bacellar, que está como governador em exercício do Rio

Tia Ju faz história como primeira mulher negra a presidir a Alerj por período prolongado

A deputada estadual Tia Ju (Republicanos) assumiu a presidência interina da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), marcando um momento histórico para a política fluminense. É a primeira vez que uma mulher negra ocupa o cargo por um período prolongado, devendo permanecer à frente do legislativo estadual até 25 de junho.

A designação foi oficializada na edição extraordinária do Diário Oficial publicada na última sexta-feira (13) e ocorre em meio a uma série de ausências na linha sucessória da Casa.

O presidente titular, Rodrigo Bacellar (União), está temporariamente no comando do governo estadual devido à viagem internacional do governador Cláudio Castro (PL). Já o primeiro vice-presidente da Alerj, deputado Guilherme Delaroli (PL), também se encontra em viagem oficial.

Experiência parlamentar

Embora seja a primeira vez que assume a presidência por um período extenso, Tia Ju não é inexperiente na condução dos trabalhos legislativos. Segundo informações da Alerj, a parlamentar já presidiu dezenas de sessões e, depois de Bacellar, é a deputada que mais vezes conduziu os trabalhos em plenário nos últimos dois anos.

"Assumir a presidência da Alerj representa não apenas uma responsabilidade institucional, mas também um marco simbólico para a representatividade feminina e negra nos espaços de poder", destacou a deputada ao tomar posse do cargo.

Impacto político e representatividade

A ascensão temporária de Tia Ju ao comando da Alerj ocorre em um momento de intensas articulações políticas no estado. Com Bacellar no governo estadual e a deputada na presidência da Casa, o cenário político fluminense passa por uma reconfiguração momentânea que pode influenciar a dinâmica de votações e pautas legislativas.

Para especialistas em ciência política, o momento é significativo para além do aspecto administrativo. "Ver uma mulher negra presidindo a Alerj, mesmo que interinamente, é um avanço importante em termos de representatividade em um estado com grande população afrodescendente, mas com histórica sub-representação nos espaços de poder", analisa a professora de Ciência Política da UERJ, Mariana Santos.

Desafios à frente

Durante sua gestão interina, Tia Ju deverá conduzir sessões importantes e dar continuidade aos projetos em andamento na Casa. A deputada terá pela frente o desafio de manter o ritmo de trabalhos legislativos em um período marcado por debates sobre o orçamento estadual e projetos relacionados à segurança pública e saúde.

A parlamentar, que está em seu segundo mandato, tem como bandeiras principais a defesa dos direitos das mulheres, o combate ao racismo e políticas públicas para comunidades periféricas, temas que podem ganhar mais visibilidade durante sua presidência interina.

A Alerj, fundada em 1834, é uma das mais antigas casas legislativas do país e, em quase dois séculos de existência, esta é a primeira vez que uma mulher negra assume sua presidência por um período superior a algumas sessões pontuais.

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Por Ultima Hora em 16/06/2025
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