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O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) anulou, na noite desta quinta-feira (26), a sessão extraordinária que elegeu o deputado Douglas Ruas (PL) como novo presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). A medida liminar, proferida pela presidente em exercício do TJRJ, desembargadora Suely Lopes Magalhães, atendeu a pedidos de partidos de oposição, como PDT e PSD, e suspendeu todos os atos da votação convocada de forma acelerada.
A decisão destaca irregularidades no processo. A magistrada argumentou que a eleição administrativa só poderia ocorrer após a retotalização dos votos pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ), conforme determinação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O TSE cassou o mandato do ex-presidente Rodrigo Bacellar (União Brasil) na quarta-feira (25), por abuso de poder político em campanha de 2022, envolvendo desvios na Fundação Leão XIII.
Cassação de Bacellar precipita crise na sucessão legislativa
Rodrigo Bacellar perdeu o cargo imediatamente, o que gerou vácuo na presidência da Alerj. O TSE ordenou a retotalização dos votos de deputado estadual, processo marcado pelo TRE-RJ para terça-feira (31). Essa etapa pode alterar a composição da Casa, com novos eleitos assumindo vagas. A Alerj, no entanto, avançou com a eleição sem aguardar, convocada pelo presidente em exercício, Guilherme Delaroli (PL), no fim da manhã.
A sessão durou menos de uma hora e elegeu Ruas por 45 votos a 24. O deputado do PL, aliado do ex-governador Cláudio Castro – também cassado pelo TSE no mesmo caso –, assumiria o governo interinamente, já que o atual governador em exercício, Ricardo Couto (TJRJ), ocupa o cargo temporariamente após renúncia de Castro à reeleição.
Impactos na cadeia de comando do Executivo estadual
A anulação devolve Delaroli à presidência interina da Alerj e mantém Couto no Palácio Guanabara. Ruas já foi notificado da decisão, conforme apurado pela TV Globo. A oposição alega que a pressa da base governista visava consolidar poder antes da retotalização, que pode beneficiar outros partidos e mudar o quociente eleitoral de 2022.
Especialistas em direito eleitoral apontam que a retotalização segue rito do TSE: exclui votos de Bacellar (mais de 100 mil) e recalcula sobras. Isso pode eleger suplentes como André Ceciliano (PT) ou outros, alterando o tabuleiro político. O PDT, autor do principal mandado de segurança, celebrou a liminar como vitória contra “manobras golpistas”.
Repercussões políticas e agenda do TRE-RJ
A crise expõe fragilidades na sucessão após cassações em cascata: TSE condenou Castro e Bacellar a oito anos de inelegibilidade por captação ilícita de recursos via fundação pública. Delaroli, agora no comando, deve reconvocar eleição após o dia 31, mas com novos eleitores potenciais. Ruas, em nota, disse respeitar a Justiça e aguardar novo pleito.
O TRE-RJ confirmou a sessão de retotalização para 31/03, com resultados imediatos. Parlamentares articulam boicote a novas votações precipitadas, enquanto o governo interino de Couto foca em continuidade administrativa.
Fontes: G1 (26/03/2026), O Globo (26/03/2026), TRE-RJ (comunicado oficial), TSE (acórdão cassação Bacellar, 25/03/2026), Extra Globo (26/03/2026), CNN Brasil (26/03/2026).
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