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Em 2026, a comunidade religiosa ligada à tradição Jeje realiza mais uma edição do Ciclo de Festividades Jeje, reunindo cerimônias públicas dedicadas a importantes voduns cultuados dentro da tradição.
As celebrações acontecem em São Paulo, na Rua das Baúnas, 102, no bairro Santa Terezinha, Zona Sul, e são abertas ao público. A proposta do calendário religioso é fortalecer os laços entre praticantes, estudiosos e simpatizantes das religiões de matriz africana, além de reafirmar a importância da preservação cultural e espiritual desses cultos no Brasil.
O ciclo reúne diferentes rituais que fazem parte da tradição Jeje, um dos ramos do vodum que possui raízes profundas na cultura do antigo Reino do Daomé, atual Benin, na África Ocidental. Essa tradição chegou ao Brasil através dos povos africanos escravizados e, ao longo do tempo, consolidou-se como um dos pilares das religiões afro-brasileiras.
Entre as festividades programadas estão celebrações dedicadas a voduns como Zandló, Dorozán, Gbessén, Sogbó, Azansú, Gboitá e Ázirí, cada um com suas características, histórias e significados dentro da cosmologia da tradição Jeje. Os rituais envolvem cantos sagrados, toques de tambores, danças ritualísticas e momentos de reverência aos voduns e à ancestralidade.
A programação começa no dia 14 de março às 20h com o Zandló, e no dia 15 de março, às 16h, acontece uma das principais celebrações do ciclo, dedicada a Gbessén, Sogbó e Azansú que é o Patrono da casa, voduns ligados à força espiritual, à proteção e à sabedoria ancestral.
O calendário segue no dia 21 de março, às 20h, novamente com celebração do Zandlò Já no dia 22 de março, às 15h, ocorre a festividade dedicada a Gbèssén com o Boitá, entidade reverenciada dentro da tradição Jeje por sua ligação com os caminhos espirituais e a proteção dos iniciados.
Encerrando o ciclo religioso, no dia 25 de março, às 10h, será realizada a celebração de Ázirí, vodum associado à prosperidade, à fertilidade e à força feminina dentro da tradição africana.
Além de seu caráter religioso, o evento também representa um importante movimento de valorização da cultura afro-brasileira e de combate à intolerância religiosa. Em um país marcado pela diversidade cultural, iniciativas como essa reforçam a necessidade de respeito às tradições espirituais de origem africana e à contribuição histórica desses povos para a formação da identidade brasileira.
A frase que acompanha o convite para as festividades resume o espírito da tradição:
“Se você corta suas correntes, você se liberta. Se você corta suas raízes, você morre.”
Mais do que celebrações religiosas, o ciclo de festividades representa um momento de reencontro com a ancestralidade, de fortalecimento da fé e de reafirmação de uma herança cultural que continua viva através dos terreiros, das comunidades e da memória coletiva.
As cerimônias são abertas ao público e convidam todos aqueles que desejam conhecer mais sobre a tradição Jeje, sua espiritualidade e sua riqueza cultural.
Por Maicon Salles
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