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Infelizmente, os cheats e hacks são parte de um verdadeiro mercado que forma um decepcionante lado cinzento no mundo dos games. Afinal, dizer que realmente existe uma indústria de cheats é exagero? O que isso quer dizer e como as próprias produtoras de jogos vêm lidando com esse fenômeno?
Os bastidores do iGaming
A indústria de jogos vai muito além dos títulos multiplayer de computador — os cassinos online também fazem parte desse universo. Claro, cassinos online confiáveis, com licença e sob controle de um regulador local, costumam oferecer boa proteção e protocolos de segurança sólidos. Ainda assim, mesmo nesse setor existem trapaceiros tentando enganar os operadores.
No iGaming, os cheaters aparecem de outra forma: em vez de usar programas externos para ganhar vantagem sobre outros jogadores, eles podem empregar bots para fazer apostas automáticas — prática que continua proibida, mesmo quando não há invasão direta do sistema do cassino.
Voltando ao mundo dos videogames, lá os “cheats” assumem outra forma — são mais ligados à manipulação direta do sistema. Nas produções AAA, especialmente no cenário dos eSports, as medidas contra trapaças ficam cada vez mais rígidas, mas a batalha para eliminá-las de vez ainda está longe do fim.
O mercado de cheats: dos males, o menor
A própria existência de um mercado de cheats já é, por si só, decepcionante. Afinal, a sensação ruim de jogar com alguém que obteve uma vantagem indevida num ambiente onde o que manda é o seu mérito, sua habilidade e a sua evolução, é indescritível. Porém, felizmente, parece que no cenário de competições profissionais esse mal não é tão presente assim.
Na realidade, a indústria de cheats é sim gigante: estima-se que ela movimente entre 12 e 73 milhões de dólares por ano, mas a maioria dos compradores é formada por jogadores amadores ou mesmo criadores de conteúdo. Embora existam casos de competições com uso de hacks, como em partidas de CS:GO, esses relatos são pouco frequentes ou envolvem torneios bem pouco conhecidos internacionalmente.
Por exemplo, um caso emblemático foi do ex-jogador KQLY, que na sua própria página do Facebook, em 2014, admitiu que havia usado um sistema que um programador o ofereceu para obter vantagem no CS:GO. A consequência não foi leve: sua equipe, a Titan, foi desqualificada do torneio DreamHack Winter.
Também há casos mais recentes, embora ainda raros, de uso de cheats em competições profissionais. Por exemplo:
Esses episódios mostram que, apesar de incomuns, os casos de trapaça ainda acontecem até mesmo em níveis profissionais.
O ambiente amador é o cenário propício, mas ninguém fica impune
A fiscalização, punição e sistemas utilizados para evitar trapaças no cenário competitivo profissionalizado em eSports naturalmente afastam as tentativas dos jogadores desleais. Desse modo, quem ainda quer tentar esse tipo de ação, atualmente, precisa investir uma grana tão alta que pode até afastar o próprio custo-benefício dessa ideia.
Entretanto, no jogo amador, o acesso a soluções relativamente baratas é fácil. Assim, sobretudo em jogos onde o servidor já não é tão acompanhado, fiscalizado e atualizado pelos criadores, como em versões antigas de Call Of Duty, as partidas multiplayer parecem virar o puro exemplo de como é selvagem um ambiente sem medidas anti-hack. Fica basicamente impossível voltar no tempo e jogar uma versão clássica como Black Ops 1.
Agora, saltando “alguns Black Ops” a frente, segundo a própria Activision, 97% dos cheaters são banidos em até 30 minutos, e menos de 1% deles chegou a entrar numa partida, já na fase de testes do Black Ops 7.
A situação com os cheats no gambling online legal é parecida com o que acontece no cenário profissional dos games — são casos raros. Cassinos licenciados precisam seguir normas rígidas, passar por auditorias e manter sistemas de monitoramento e prevenção de fraude. Aqui, o jogo é sempre por dinheiro, então as plataformas investem pesado em segurança, IA antifraude, rastreamento de padrões suspeitos e auditorias constantes.
Na verdade, histórias de fraude em cassinos tradicionais aparecem com muito mais frequência do que em cassinos online — mas elas também acontecem por lá de vez em quando. Um exemplo recente no ambiente digital foi o caso do dealer Sebastian Echeverri, que usava suas próprias contas para apostar em baralhos de blackjack que ele mesmo havia manipulado ou memorizado. Ainda assim, ele não era um jogador, e sim um funcionário de uma plataforma online — o que torna o episódio ainda mais curioso.
Há um mercado obscuro: mas todos estão cientes disso
O mercado de trapaças é uma realidade, e é difícil acreditar que os cheaters não tentem se infiltrar em torneios profissionais, cassinos online legalizados ou qualquer outro tipo de jogo virtual. No entanto, o fortalecimento da regulamentação em competições oficiais e plataformas licenciadas vem tornando essas tentativas cada vez mais difíceis. A supervisão é mais rígida, há auditorias constantes e o uso de tecnologia antifraude cresce a cada ano. Mas, sempre que a vigilância enfraquece sobre um jogo ou setor, abre-se espaço para quem tenta burlar as regras — e o ciclo recomeça.
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