Trump queria ferrar o Brasil mas acabou ajudando Lula: Tarifa vira presente para o povão brasileiro e promessa de picanha barata para todos pode se cumprir

Brasileiro vai comer melhor que americano: tarifa gera abundância de carne premium

Trump queria ferrar o Brasil mas acabou ajudando Lula: Tarifa vira presente para o povão brasileiro e promessa de picanha barata para todos pode se cumprir

Tarifaço de Trum e Eduardo Bolsonaro vira presente para o povo brasileiro: picanha mais barata e qualidade premium chegam aos supermercados

O que parecia ser uma bomba econômica se transformou numa verdadeira chuva de bênçãos para o bolso do brasileiro.

A tarifa de 50% imposta por Donald Trump aos produtos brasileiros, que entra em vigor no dia 7 de agosto, está gerando um efeito colateral que nem os mais otimistas economistas previram: carne de primeira qualidade chegando às prateleiras nacionais com preços que cabem no orçamento da família trabalhadora.

Como diz o ditado popular, "não há mal que sempre dure, nem bem que nunca chegue", e dessa vez o bem chegou disfarçado de problema internacional.

A medida americana, que inicialmente causou pânico no setor exportador, está se revelando uma oportunidade de ouro para que o presidente Lula cumpra sua promessa de campanha de colocar picanha na mesa do povo brasileiro.

O deputado Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente, pode tirar o sorriso maroto no rosto pois seus atos contra o Brasil vai virar tiro no pé.

Fontes próximas ao Lula revelam que ele estaria articulando uma "operação picanha popular" para garantir que os frigoríficos redirecionem a carne premium que seria exportada para o mercado interno.

"É como aquela história do gato que subiu no telhado para descer", brinca um assessor parlamentar que preferiu não se identificar.

Supermercados já sentem os primeiros efeitos da "revolução da carne"

A partir do mês que vem, os consumidores brasileiros devem começar a sentir os efeitos positivos dessa reviravolta comercial.

Segundo levantamento exclusivo realizado em grandes redes de supermercados, cortes nobres como picanha, alcatra e contrafilé já apresentam sinais de redução de preços, com qualidade superior à tradicionalmente encontrada no mercado interno.

É aquela velha máxima: 'quando um não quer, dois não brigam'. Se os americanos não querem nossa carne com tarifa de 50%, sobra mais para nós. O brasileiro vai poder dizer que finalmente 'acertou na mosca' quando o assunto é proteína de qualidade."

Os frigoríficos, que inicialmente entraram em pânico com a medida de Trump, agora correm para reorganizar suas estratégias de distribuição. A JBS, maior empresa do setor, já sinalizou que pretende aumentar a oferta de cortes premium no mercado interno, aproveitando o que chamou de "janela de oportunidade histórica".

Eduardo Bolsonaro surge como articulador improvável da "picanha popular"

Em uma reviravolta digna de novela das oito, Eduardo Bolsonaro tem emergido como um dos principais articuladores para que os benefícios da tarifa americana cheguem efetivamente ao consumidor brasileiro.

O deputado, conhecido por suas posições contundentes, teria procurado lideranças americanas para garantir que as carnes brasileiras sejam taxadas.

"Quem diria que o Eduardo seria o cupido entre a picanha e o povo brasileiro", brinca um veterano do Congresso. "É como diz o ditado: 'Deus escreve certo por linhas tortas'. Às vezes o que parece ruim no começo vira uma bênção disfarçada."

A estratégia do governo passa por pressionar os frigoríficos a estabelecerem uma política de preços mais justa para o mercado interno, aproveitando o momento em que as exportações para os Estados Unidos se tornaram menos atrativas. Se não conseguem vender lá fora com lucro, que vendam aqui dentro com preço justo.

Lula pode comemorar cumprimento antecipado de promessa de campanha

Para o presidente Lula, a situação não poderia ser mais favorável. Durante a campanha eleitoral, ele prometeu que todo brasileiro voltaria a ter acesso à picanha, e agora o cenário internacional está criando as condições perfeitas para que isso aconteça de forma natural, sem necessidade de subsídios governamentais ou intervenções drásticas na economia.

"É como aquele ditado que minha avó sempre falava: 'o que é nosso vem parar em nossas mãos. O Trump quis prejudicar o Brasil, mas acabou ajudando o Lula a cumprir uma das principais promessas de campanha.

Além da carne, outros produtos que teriam dificuldade de exportação, como café premium e frutas de alta qualidade, também devem ter maior disponibilidade no mercado interno, potencialmente com preços mais acessíveis.

A ironia da situação não passou despercebida pelos analistas políticos. Enquanto Trump tenta pressionar o Brasil economicamente, acabou criando uma oportunidade para que o governo brasileiro demonstrasse eficiência na garantia de alimentos de qualidade para a população.

"É aquela história: 'quem planta vento, colhe tempestade', mas dessa vez a tempestade foi boa para nós", resume um consultor em relações internacionais.

Conheça 7 produtos que podem ficar mais baratos para os brasileiros e mais caros para os americanos com tarifa

Café brasileiro em supermercado em NY

Crédito,Getty

Legenda da foto,Café brasileiro em supermercado em NY: país é maior produtor do mundo

Café

Os EUA são o maior consumidor de café do mundo e, com exceção de pequenos cafezais no Havaí e em Porto Rico, não produzem a commodity.

O Brasil é de longe o maior fornecedor, respondendo por cerca de um terço de tudo o que é importado pelos americanos.

Em entrevista recente à BBC News Brasil, o ex-secretário de Comércio Exterior do Brasil e sócio da consultoria BMJ Welber Barral pontuou que, justamente pela importância do café brasileiro na pauta de importação dos EUA, acreditava que o país teria dificuldade para encontrar um substituto.

A Colômbia é o segundo maior vendedor de café para os EUA e está sujeita a uma tarifa bem mais baixa que a do Brasil, de 10%.

O país é responsável, contudo, por apenas 8% da produção global da commodity, enquanto o Brasil concentra 37% de todo o café cultivado no mundo.

Assim, ainda que houvesse um eventual aumento de interesse, os colombianos poderiam ter dificuldade de suprir um aumento de demanda. O mesmo vale para o Vietnã, o segundo maior produtor do mundo, com 17% do total.

O secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, chegou a falar nesta semana que produtos não cultivados em território americano poderiam entrar em uma lista global de itens isentos de tarifas. Não está claro, entretanto, quando essa decisão seria tomada e se produtos brasileiros seriam contemplados.

O café brasileiro foi destacado em uma análise recente do centro de pesquisa sobre políticas fiscais Tax Foundation que argumentava que as tarifas impostas por Trump levariam ao aumento de preços de alimentos para os americanos.

"Considerando que o café brasileiro pode ter um perfil de sabor único, produtores americanos não conseguem simplesmente produzir 'café brasileiro' nos EUA. Nessa situação, alguns consumidores podem optar por simplesmente pagar o preço de importação mais alto pelo café brasileiro, em vez de trocar por outro tipo", diz o texto.

Mangas cultivadas no México à venda em supermercado em NY

Crédito,Getty Images

Legenda da foto,México é principal fornecedor de manga aos EUA; Brasil está em quarto lugar

Manga e goiaba

A análise do Tax Foundation destaca o Brasil como quarto maior fornecedor de alimentos para os EUA, com US$ 7,4 bilhões em importações, atrás de União Europeia (US$ 31 bilhões), México (US$ 17,6 bilhões) e Canadá (US$ 15,6 bilhões).

Conforme os dados do Observatório de Complexidade Econômica, o país é também o quarto maior fornecedor de mangas e goiabas (que estão juntos na nomenclatura de mercadorias usada no comércio exterior) para os americanos, tendo embarcado cerca de US$ 56 milhões desses produtos ao país em 2024.

O México é o maior fornecedor, com US$ 550 milhões, seguido do Peru (US$ 96,9 milhões) e do Equador (US$ 56 milhões).

Os EUA cultivam manga em Estados como Flórida, Califórnia e Havaí, mas boa parte do consumo interno é suprido com importações. O mesmo vale para a goiaba, com cultivo modesto na Flórida, no Havaí e em Porto Rico.

Produtores brasileiros de manga afirmam que a tarifa de 50% inviabiliza as exportações e já relatam cancelamentos de pedidos.

Caso os EUA não consigam encontrar mercados alternativos onde as tarifas são menores e que consigam suprir a demanda, a menor oferta interna pode levar a um aumento de preços nos supermercados.

Na análise do The Budget Lab, a estimativa é que os preços de frutas e legumes cresçam 6,9% no curto prazo.

Carnes à venda em supermercado nos EUA

Crédito,Getty Images

Legenda da foto,Preço da carne já vem batendo recordes em supermercados americanos

Carne

O Brasil é o maior exportador de carne do mundo e responde por 23% das importações americanas do produto, segundo cálculo da Genial Investimentos.

Os EUA são o segundo maior mercado para o produto brasileiro, atrás apenas da China.

A Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) já se manifestou dizendo que uma tarifa adicional de 50% poderia inviabilizar as vendas ao mercado americano.

Ao contrário do café e de frutas como a manga, no caso da carne os EUA são também um grande produtor.

Ainda assim, a equipe do The Budget Lab estima um aumento de cerca de 1,1% nos preços da carne bovina nos meses imediatamente seguintes à vigência do tarifaço.

O custo da carne nos EUA já vinha, aliás, atingindo valores recordes neste ano, antes da implementação das tarifas.

A alta, na opinião de especialistas, se deve a uma questão estrutural: enquanto o rebanho bovino se manteve relativamente estável nas últimas duas décadas, o consumo continua a expandir.

Se a tarifa de 50% tornar de fato proibitivas as importações de países como o Brasil, a dificuldade da indústria americana de suprir a demanda pode pressionar ainda mais os preços.

Close em embalagem de iogurte orgânico

Crédito,Reprodução

Legenda da foto,Para terem selo de orgânico do USDA, produtos que levam açúcar têm que ser feitos com açúcar orgânico

Açúcar orgânico

No caso do açúcar orgânico, os EUA importam praticamente tudo o que consomem — e o Brasil foi responsável por 49% do que entrou no país entre 2023 e 2024, seguido do Paraguai (19%) e da Colômbia (13%), conforme os dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA, na sigla em inglês).

A Organic Trade Association, que representa o setor de orgânicos dos EUA, alertou que o aumento de custo com as tarifas pode comprometer diversas cadeias de produção.

Para terem o selo de certificação de orgânico pela USDA, os produtos que levam açúcar têm que ser produzidos com açúcar orgânico.

Assim, itens que vão de iogurtes, sorvetes e achocolatados a kombucha e barras de cereal poderiam sofrer aumentos de preços, alerta a OTA, que citou nominalmente o Brasil em sua análise.

Loja de chocolates finos

Crédito,Getty Images

Legenda da foto,Preço do chocolate tem tendência global de alta devido à restrições para produção de cacau

Chocolate

O cacau é outra commodity que os EUA praticamente não cultivam, à exceção de uma produção modesta no Havaí e em Porto Rico.

O Brasil, por sua vez, é importante fornecedor de manteiga de cacau para os americanos, uma das principais matérias-primas do chocolate.

Conforme os dados do Observatório da Complexidade Econômica, embarcou o equivalente a US$ 61,4 milhões do produto, ocupando o quinto lugar de uma lista que inclui Indonésia (US$ 308 milhões), Malásia (US$ 275 milhões), Peru (US$ 138 milhões) e Índia (US$ 88 milhões).

O preço do chocolate já vem subindo no mundo inteiro, devido especialmente ao impacto de condições climáticas adversas nas principais regiões produtoras de cacau, como o oeste da África, e a pragas como o cacao swollen shoot virus (CSSV).

Dezenas de carros em pátio

Crédito,Getty Images

Carros

No estudo de impacto potencial das tarifas do The Budget Lab, os metais ocupam o primeiro lugar na lista de estimativas de aumento de preços, com 39,4% de alta nos meses seguintes ao tarifaço e 17,9% no longo prazo (quando os consumidores mudarem seus hábitos em reação às tarifas).

Essa alta deve ter impacto em diversos setores. Um deles é o automotivo, que usa uma série de commodities metálicas exportadas pelo Brasil.

O país é, por exemplo, o segundo maior fornecedor de aço aos EUA (atrás apenas do Canadá), e é o maior exportador de nióbio, muito usado nas ligas de aço que vão no chassi e na barra de proteção aos passageiros nas portas.

O aço, assim como o alumínio, já tinha sido alvo de uma tarifa global de 50% imposta em junho.

Encarecendo o preço das importações, Trump espera revitalizar a indústria siderúrgica americana, uma de suas promessas de campanha alimentadas pelo slogan Make America Great Again ("faça a América grande novamente", em tradução literal).

A medida foi elogiada por associações de empresas e sindicatos do setor de aço, mas criticada por entidades que usam o produto como matéria-prima. Uma delas foi a que reúne os fabricantes de latas (Can Manufacturers Institute), que alertou para um possível aumento de preços de alimentos enlatados.

Trump já havia sobretaxado aço e alumínio em sua primeira gestão. Uma análise da Comissão de Comércio Internacional dos EUA pontuou que a medida chegou a ser benéfica para produtores do setor, mas que no agregado teve impacto negativo na economia por ter gerado aumento de preços de várias produtos, inclusive de veículos.

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Por Ultima Hora em 03/08/2025
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