Vereadores questionam real patamar de lucro da concessionária da Transolímpica e criticam acordo

Presidida pelo vereador Felipe Boró (PSD), comissão especial instituída pela Câmara de Vereadores do Rio para discutir valor do pedágio

Vereadores questionam real patamar de lucro da concessionária da Transolímpica e criticam acordo

A Comissão Especial da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro que se debruça sobre o valor do pedágio da Transolímpica se reuniu nesta quinta-feira (21) em mais uma reunião com os diretores da concessionária Via Rio. Entre outros pontos, a reunião discutiu sobre o real patamar de lucro da empresa, que alega ter resultados líquidos negativos.

Estiveram presentes ao encontro o vereador Felipe Boró (PSD), presidente da comissão, e os vereadores Paulo Messina (PL) e Dr. Gilberto (SDD). Também são membros da comissão os vereadores Rosa Fernandes (PSD) e Pedro Duarte (PSD). Além disso, estiveram presentes o Secretário de Desenvolvimento Econômico do Rio, Osmar Lima, e, por fim, representando a Via Rio, sua  diretora-presidente, o diretor financeiro, a gerente de contratos e o responsável por relações governamentais. “O objetivo dessa reunião é entender o por que desses valores cobrados de uma forma tão alta e responder alguns questionamentos da população”, abriu a reunião Boró, relembrando das reuniões e diligências anteriores.

Em sua fala, Boró questionou ainda a empresa sobre seu real grau de endividamento. “Nós não podemos obrigar o cidadão carioca a pagar pela operação financeira [contraída pela] empresa”, destacou o parlamentar, pontuando que a “população carioca não aguenta mais pagar esse reajuste [na tarifa]”.

“Nós precisamos encontrar um meio para mudar essa triste realidade e por isso estou aqui pedindo ao secretário Osmar Lima para encontrar um caminho”, pontuou o parlamentar, que também defende que as motocicletas sejam isentas de pedágio, ainda que em determinados horários, por pesarem apenas 10% do peso de um carro, mas pagarem proporcionalmente mais em relação ao peso.

Questionamento sobre o lucro Na reunião, os parlamentares questionaram a Via Rio sobre o fato de boa parte das linhas de crédito serem contraídas da própria CCR e também pelo fato de a empresa ter um resultado operacional positivo, ou seja, antes de serem deduzidos os valores das despesas financeiras, como juros e pagamentos de empréstimo.

Além disso, houve críticas quanto ao contrato aditivo anunciado entre a concessionária e a Prefeitura do Rio, em vias a ser assinado, prolongando a concessão em 15 anos e sem a discussão com os vereadores.

De acordo com Osmar Lima, falta apenas a assinatura final do aditivo. Para o vereador Paulo Messina (PL), o aditivo contratual representa uma verdadeira tragédia e não tem nada a ser celebrado pela Prefeitura. Para ele, os esforços da comissão devem ser centrados, agora, em analisar o contrato original, sobretudo para investigar qual era o lucro projetado em comparação ao lucro atual da concessão.  

A Via Rio, por sua vez, defendeu que o volume de tráfego tem sido menor do que o projetado, mas não discutiu aspectos financeiros trazidos por Felipe Boró. Sobre a isenção para motocicletas, afirma que 4% da receita da operação vem dessas tarifas e que só poderia dispensar esses recursos se houvesse uma compensação contratual. Ao fim, a concessionária afirmou que entende a preocupação dos vereadores. “Entendemos o tom do discurso do vereador Felipe Boró, que é o anseio da população de motoboys se refletindo aqui na mesa, a gente entende a vontade dele de ajudar a classe trabalhadora.

E, de fato, a empresa busca o lucro dela, mas não fecha os olhos para dor da população e para o poder público”, afirmou o responsável pelasrelações governamentais da empresa. A íntegra da reunião foi disponibilizada no YouTube e foi transmitida ao vivo: 

Por Ultima Hora em 21/05/2026
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