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Viviane Ramone expõe: "IA identifica detalhes que olhar humano não consegue ver nos processos"
Presidente da Comissão de Inteligência Artificial da OAB/MG afirma que profissionais precisam se adaptar urgentemente à nova realidade
Durante o maior evento de inteligência artificial do Brasil, a advogada Viviane Ramone Tavares, presidente da Comissão de Inteligência Artificial da OAB de Minas Gerais, fez declarações que podem mudar definitivamente a percepção sobre o futuro da advocacia no país. Com formação sólida e atuação em diversas comissões especializadas, ela é reconhecida como uma das principais autoridades em direito digital no Brasil.
"Sem modo algum não tem como viver sem inteligência artificial", declarou categoricamente a especialista, que também atua como CMO da I2AI (International Association of Artificial Intelligence). Segundo ela, a transformação já é uma realidade irreversível que afeta desde pequenos escritórios até os grandes tribunais do país. A mudança não representa apenas uma evolução tecnológica, mas uma verdadeira revolução na forma como o direito é praticado.
A advogada, que possui especialização em Direito Processual, Civil Constitucional e Contratual, explicou que os tribunais brasileiros já utilizam amplamente ferramentas de inteligência artificial através da plataforma Sinapses do Conselho Nacional de Justiça. Essas ferramentas funcionam como apoio ao judiciário, mantendo sempre a supervisão, curadoria e responsabilidade humana. "A decisão é do juiz, é uma ferramenta de apoio", enfatizou durante a entrevista.
Um dos aspectos mais revolucionários destacados por Viviane é a capacidade da IA de identificar especificidades processuais que frequentemente passam despercebidas pelo olhar humano. "A inteligência artificial consegue pontuar e trazer as especificidades daquele processo que muitas vezes o olhar humano passa despercebido", revelou. Essa capacidade permite não apenas maior eficiência, mas também a descoberta de novas nuances e discussões jurídicas antes imperceptíveis.
A mestranda em Compliance pela AMBRA University também abordou as limitações éticas estabelecidas pelo Conselho Nacional de Justiça. Segundo a Resolução 615 do CNJ, o uso de inteligência artificial é vedado em processos de direito penal, área considerada mais sensível por envolver privação de liberdade. "Na área penal, que é uma área mais humana, que priva as pessoas de liberdade, muitas vezes tem que ter esse lado mais humano", justificou.
Para os escritórios de advocacia, as possibilidades são vastas e acessíveis. Viviane explicou que os profissionais podem utilizar dados públicos dos tribunais sem necessidade de cadastros especiais, desde que dentro da responsabilização profissional. "O escritório pode utilizar a ferramenta da inteligência desde o momento de atendimento do cliente até um apoio na elaboração das peças", detalhou a especialista.
A questão dos prazos processuais, tradicionalmente um dos maiores desafios da advocacia, também está sendo revolucionada. Através da criação de agentes inteligentes e integração de sistemas, é possível automatizar o acompanhamento processual e utilizar dados do DataJud para otimizar a gestão de casos. Essa automação representa economia de tempo e redução significativa de riscos profissionais.
A presidente da Comissão de Advocacia 4.0, Compliance, Processo Eletrônico e Inclusão Digital da OAB Uberlândia no triênio 2019/2021 foi enfática ao abordar os profissionais resistentes à digitalização. "Estudo é sempre importante, mas a inteligência artificial ela veio para ficar, ela é irreversível e hoje nós não temos como trabalhar sem essa ferramenta", alertou. Seu conselho é direto: "Corram e vão estudar, vão se fazer essas adequações que elas são importantes".
A especialista, que também é membro da ABEP (Associação Brasileira Elas no Processo) e da ANADD (Associação Nacional de Advogados de Direito Digital), tranquilizou os profissionais sobre o futuro da profissão. "Isso não vai substituir advogado, é só uma ferramenta que vai nos ajudar, vai amplificar aquele conhecimento que você já possui", esclareceu. A IA surge como uma aliada para potencializar competências existentes, não para substituir o elemento humano.
O contexto brasileiro torna essa transformação ainda mais urgente. Com quase 200 milhões de habitantes e aproximadamente 200 milhões de processos em tramitação, o país enfrenta uma crise de morosidade judicial histórica. "Praticamente dá mais de um processo por pessoa", observou o entrevistador, destacando a dimensão do desafio que a inteligência artificial pode ajudar a resolver.
Viviane Ramone, que também atua como voluntária da Rede Governança Brasil RGB e coordenadora substituta do Comitê de Governança nos Sistemas de Justiça, representa uma nova geração de juristas que compreende a necessidade de equilibrar tradição jurídica com inovação tecnológica. Sua trajetória inclui participação em grupos de pesquisa do CNPq, como o "Observatório da LGPD" e "Observatório do Marco Civil da Internet" da USP.
A advogada também destacou sua participação no Centro de Estudos e Pesquisas em Direito e Tecnologia (CEDETEC) da URI Santo Ângelo/RS e na Comunidade Internacional de Estudos em Direito Digital (CIED). Essa rede de conhecimento a posiciona na vanguarda das discussões sobre ética em IA, tema no qual atua como integrante do Grupo de Trabalho IA e Ética da AB2L (Associação Brasileira de Lawtechs e Legaltechs).
O evento onde Viviane palestrou representa um marco na discussão sobre inteligência artificial no direito brasileiro. Como membro de organizações internacionais como a WDLC (Women's Digital Law Committee) e CWC/MG (Compliance Women Committee), ela trouxe perspectivas globais para os desafios locais da advocacia nacional.
A mensagem final da especialista é clara: a inteligência artificial não é uma ameaça, mas uma oportunidade histórica para modernizar e otimizar a prestação de serviços jurídicos no Brasil. Profissionais que abraçarem essa transformação estarão melhor posicionados para servir seus clientes com maior eficiência, precisão e qualidade. A resistência à mudança pode significar obsolescência profissional em um mercado cada vez mais competitivo e tecnológico.
A palestra de Viviane Ramone no maior evento de IA do Brasil marca um momento decisivo para a advocacia nacional. Sua expertise, combinada com posições de liderança em instituições relevantes, confere autoridade às suas previsões sobre o futuro da profissão. O recado está dado: a era da inteligência artificial na advocacia brasileira não é mais uma possibilidade futura, mas uma realidade presente que exige adaptação imediata.

Repórter Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ
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