Wladimir Garotinho expõe crise na regulação oncológica e desafia governo Ricardo Couto

Ricardo Couto é cobrado após pacientes oncológicos ocuparem metade do Hospital Geral de Guarus

Wladimir Garotinho expõe crise na regulação oncológica e desafia governo Ricardo Couto

O ex-prefeito de Campos dos Goytacazes, Wladimir Garotinho, tornou público um problema que — segundo ele — vem se arrastando nos bastidores do sistema de saúde fluminense. Em vídeo publicado nas redes sociais na última sexta-feira, Wladimir afirmou que metade dos mais de 40 leitos clínicos do Hospital Geral de Guarus (HGG) está ocupada por pacientes oncológicos à espera de regulação estadual. A denúncia acendeu um alerta sobre a eficiência do Sistema Estadual de Regulação (SER) e expôs um efeito cascata que compromete toda a rede municipal.

A regulação de pacientes oncológicos internados é de competência exclusiva do governo do estado, operada pelo SER. Segundo Wladimir, a demora no encaminhamento para as unidades especializadas — Campos conta com três Unacons habilitadas para oncologia de alta complexidade — tem gerado um bloqueio silencioso no sistema. Pacientes que deveriam estar em hospitais de referência oncológica permanecem em leitos clínicos do HGG, reduzindo drasticamente a capacidade de atendimento a outros casos.

“Quando chega um paciente que precisa de um leito clínico normal, ele não consegue vaga e está tendo que voltar para casa ou até ficar em cadeira, que não é o local adequado”, declarou Wladimir, classificando a situação como desumana.

O impacto é duplo: o paciente oncológico tem seu tratamento atrasado por não estar em unidade especializada, e o paciente clínico comum perde o acesso ao atendimento hospitalar básico. Dados coletados pelo próprio município indicam que, pelo menos, 85 pacientes com diagnóstico de câncer estavam, até 21 de maio, aguardando regulação estadual em Campos.

Em resposta à repercussão, a Secretaria de Estado de Saúde (SES), por intermédio do Complexo Estadual de Regulação (CER), encaminhou nota à imprensa na noite de sábado (23). A pasta afirmou que, ao fazer uma checagem inicial no sistema, “não havia qualquer paciente de unidades municipais de Campos aguardando encaminhamento para atendimento oncológico”. No entanto, a própria nota reconhece que, após contato da Secretaria Municipal de Saúde, os pacientes passaram a ser inseridos no SER.

“Desde as 22h30 de ontem, foram registradas oito solicitações de pacientes oncológicos no SER. Desses, três já foram direcionados para unidades de saúde. Os outros cinco casos ficaram pendentes por ausência de informações clínicas mínimas indispensáveis para análise regulatória”, diz trecho da nota oficial.

A declaração da SES contradiz a dimensão do problema apontado pelo ex-prefeito. Se antes de qualquer contato não havia um único paciente registrado, e após a provocação da imprensa surgiram oito solicitações — três delas já encaminhadas —, a dúvida que fica é quantos pacientes estavam invisíveis ao sistema antes da cobrança pública.

Wladimir, que deixou a prefeitura em 31 de dezembro de 2024, mantém atuação política intensa na região e tem feito sucessivos alertas sobre o desmonte da pactuação entre município e estado na área da saúde. Em julho de 2025, anunciou que Campos devolveria ao Estado responsabilidades pactuadas por falta de cofinanciamento. Agora, o problema retorna com roupagem ainda mais grave: vidas em risco por falta de regulação.

Campos dos Goytacazes possui três Unidades de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon) habilitadas, estrutura que, em tese, seria suficiente para absorver a demanda regional. O gargalo não está na ausência de unidades, mas no fluxo burocrático do sistema estadual de regulação — que, segundo denúncia, só reagiu quando exposto publicamente.

O governador em exercício Ricardo Couto de Castro ainda não se manifestou diretamente sobre o caso. Até o fechamento desta edição, a Secretaria de Estado de Saúde não detalhou quantos pacientes oncológicos de todo o estado aguardam regulação, nem apresentou plano para reduzir o tempo de espera.

Fonte: Redação / Tribuna NF

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Por Ultima Hora em 23/05/2026
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