A HISTÓRIA EM SUAS MÃOS

A HISTÓRIA EM SUAS MÃOS

General Marco Aurélio Vieira – junho de 2026.

“History is again on the move.”

A.J. Toynbee – historiador britânico


De difícil tradução, a frase de Toynbee sempre nos remete à consciência do momento histórico que estamos vivendo. Essa percepção tem faltado aos brasileiros de bem ultimamente, mas já salvou e até mudou o nosso país, quando existente junto às elites políticas. O desafio nunca foi apenas compreender o passado, mas sim reconhecer que acontecimentos decisivos estão ocorrendo agora, diante de nossos olhos, e que podemos influenciá-los.

Sociedades maduras possuem essa consciência histórica. Povos prosperam porque conseguem interpretar corretamente o seu tempo, identificam ameaças, compreendem oportunidades e escolhem líderes capazes de agir, antes que os fatos se tornem irreversíveis.

O Brasil já demonstrou possuir essa capacidade. Em 1964, percebendo o contexto internacional marcado pela Guerra Fria, a construção do Muro de Berlim, a Crise dos Mísseis em Cuba e pela expansão das influências ideológicas soviética e chinesa, milhões de brasileiros foram às ruas, convencidos de que o país caminhava para a implantação de um regime comunista. Foi a mobilização popular que impulsionou o contragolpe das Forças Armadas e impediu que se instalasse no Brasil uma ditadura do proletariado, destino natural de muitas nações, naquela ocasião. Consciente do momento histórico, a sociedade brasileira foi impulsionada por um propósito comum e – pela primeira vez – manifestou-se em massa nas ruas, clamando pelos mesmos objetivos. Mais do que o combate ao que rejeitávamos, o que nos uniu foi o que estávamos defendendo. 

Nas décadas seguintes, surgiu uma ilusão perigosa. O crescimento econômico, a modernização da infraestrutura e a prosperidade levaram muitos brasileiros a acreditar que os resultados materiais, por si só, seriam suficientes para consolidar os valores do liberalismo econômico, da democracia representativa e do conservadorismo social. Entretanto, sem que se percebesse, a partir dos anos 70, uma ardilosa guerra psicológica mascarou a ameaça vermelha que retornara ao país. 

Inspiradas nas teses do filósofo italiano Antonio Gramsci, correntes de esquerda abandonaram a luta armada e passaram a concentrar esforços nas universidades, nos meios de comunicação, nas artes e em outros espaços, objetivando uma bem orquestrada “hegemonia cultural”. Esse devaneio ideológico, planejado para a conquista de corações e mentes, precedeu, justificou a obtenção e tem mantido o poder político da esquerda no Brasil, desde o fim do século passado. Assim, sempre anunciando o contrário do que realiza, a promessa da utopia comunista – aqui travestida de “democracia relativa” – conseguiu convencer as duas últimas gerações de brasileiros de seus “nobres” propósitos.

O resultado foi uma transformação gradual da percepção coletiva sobre liberdade, Estado, democracia e identidade nacional. Paralelamente, expandiu-se o aparato estatal, politizou-se o Judiciário, judicializou-se a política, e a “injustiça legal” tornou-se a arma do sistema para manutenção do poder. A subversão da nossa democracia foi uma operação metódica, promovida pela desmoralização institucional fomentada pela calúnia, a mentira, a desinformação, o casuísmo, a injúria difamatória. E rótulos de fascistas, negacionistas e até de terraplanistas foram aplicados a todos aqueles que contradisseram os governos criptocomunistas disfarçados de democratas, eleitos pelos brasileiros nos últimos 30 anos. Desprezando as condições estruturais mínimas para concretizar-se uma “justiça social”, os “vampiros comunistas brasileiros” aparelharam as instituições, promoveram a falência do serviço público – pela incompetência –, institucionalizaram a corrupção e, por fim, aliaram-se ao crime organizado, em todas as instâncias dos governos. 

Hoje, perfeitamente condicionados ao “autoritarismo juristocrata”, braço direito do esquerdismo tupiniquim, acabamos certificando “democraticamente” – pelo voto – a sociedade mais burocratizada, sindicalizada, regulamentada e com menos educação, saúde, segurança pública e justiça social do mundo. Nos últimos trinta anos, “nosso cleptocomunismo” se especializou em tirar o debate político da realidade nua e crua, levando-o sempre para o formidável império das intenções, em que nenhum intelectual, artista, professor universitário ou político jamais estão errados. Assim mesmo, estamos céleres na direção dos índices sociais de primeiro mundo, segundo os dados da propaganda do governo.

Para “preservar a democracia”, os brasileiros elegeram o Presidente Lula, que defende e se orgulha de “amigos” como Kadafi, Ortega, Putin, e do “companheiro” Xi Jinping. Lula é fundador, juntamente com Fidel Castro, do Foro de São Paulo – organismo destinado a fomentar o comunismo no continente americano. Sempre defendeu como democracia o regime de Chávez na Venezuela, jamais reconheceu a fraude eleitoral de Maduro, tem orgulho de ser chamado de comunista e, inclusive, nomeou um ministro reconhecidamente leninista para o STF. Mas, valendo-se da velha hipocrisia vermelha, não teve qualquer pudor em declarar publicamente em evento internacional recente que “jamais foi esquerdista”. Lula é omisso no combate à corrupção, leniente com relação à criminalidade, não cumpriu nem dez por cento de suas promessas de campanha, mas é candidato à reeleição. Nada disso é opinião: são fatos.

A história voltou a se mover. O país necessita recuperar a consciência histórica. Enquanto democracias consolidadas redescobrem a importância da soberania nacional, da segurança energética, da capacidade militar e da competitividade econômica, o quinto governo do PT insiste em um receituário ideológico que privilegia a expansão do Estado, “cada vez mais impostos; cada vez mais gastos públicos” (Tax and spend; spend and tax), e promove uma política externa totalmente desalinhada dos interesses da nação. 

Não se trata apenas de incompetência administrativa ou despreparo diplomático, mas da persistência de uma visão de mundo arcaica e comprovadamente incapaz de responder aos desafios do século XXI. Estamos submetidos “legalmente” a um sistema totalitário disfarçado de democracia, que não pode ser melhorado, só pode se manter ou cair. E a única maneira de melhorar um comunismo, mesmo esse comunismo fajuto como o nosso, é livrar-se dele. 

Se você é um dos mais de 60 milhões de pessoas que votaram em Lula, ou alguém dentre aqueles mais de 30 milhões que de alguma forma se recusaram a votar, lembre-se: em política, voto é cumplicidade, omissão é obediência. Está nas suas mãos – nas nossas mãos – a última oportunidade legal deste século de defender nossas famílias, nossa cultura, nossos valores e, principalmente, nosso país. SEU VOTO deixou de ser apenas um direito: agora, é um ato de responsabilidade histórica.

Gen. Marco Aurélio Vieira 

Foi comandante da Brigada de Operações Especiais e da Brigada de Infantaria Paraquedista.

Por Ultima Hora em 02/07/2026
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