Abadia Pavan revela como estande da ABEU se torna ponto de encontro da diversidade acadêmica brasileira na Bienal do Livro 2025

Associação que reúne mais de 120 editoras universitárias oferece acervo exclusivo de publicações de todas as regiões do país em um dos espaços mais visitados do evento

Em meio à diversidade literária que toma conta do Riocentro durante a Bienal do Livro 2025, um estande se destaca pela missão de democratizar o acesso a publicações acadêmicas de todo o Brasil. No Pavilhão Verde, a Associação Brasileira das Editoras Universitárias (ABEU) apresenta um panorama do conhecimento produzido nas universidades brasileiras, reunindo obras de mais de 120 editoras de diferentes regiões do país.

Em entrevista exclusiva à Última Hora, Abadia Pavan, representante da associação que participa do evento desde 2013, revelou os bastidores de um dos espaços mais procurados desta edição da feira literária e explicou a importância da presença universitária em um evento de grande público.

"A ABEU é a Associação Brasileira das Editoras Universitárias." Ela congrega mais de 120 editoras do país. Então, aqui você tem uma gama enorme de editoras do Centro-Oeste, do Nordeste, do Sul, do Sudeste. Tudo que você procura em livros universitários está aqui", explicou Abadia, destacando a amplitude geográfica representada no estande.

Para ela, essa característica configura um diferencial importante: "É um dos melhores estandes da Bienal." É uma emoção trabalhar nessa associação porque você faz o livro do universitário ser prioridade para muitas pessoas". Em um mercado editorial frequentemente dominado por grandes grupos e bestsellers internacionais, o espaço da ABEU representa uma vitrine fundamental para a produção intelectual brasileira.

A diversidade de publicações disponíveis no estande da ABEU vai muito além do estereótipo de livros acadêmicos densos e técnicos. "Tem livro infantil, muito mais interessante do que um monte de livros por aí. A Editora UFMG tem muitos livros infantis legais.

Tem muita coisa da Federal da Bahia, que fala sobre negritude", destacou Abadia, evidenciando a pluralidade temática oferecida. Além disso, ela mencionou a presença de editoras consagradas como a UNESP, "historicamente conhecida", e a Edusp, ambas com catálogos que dialogam com diferentes públicos. Um exemplo dessa amplitude é a coleção de Guy de Maupassant publicada pela UNESP, com "capas lindas, maravilhosas" e "preço justíssimo", segundo a entrevistada.

O estande universitário tem cumprido um papel fundamental na conexão de leitores de todo o país com suas origens acadêmicas. "Todo mundo que chega aqui fala: 'Nossa, ainda bem que a gente tem esse estande, porque é um dos melhores da Bienal, porque aqui você encontra coisas do Brasil inteiro'."

Vem uma pessoa do Ceará: 'Nossa, a editora da UFC está aqui'. Vem uma pessoa do Rio Grande do Sul: 'Nossa, que interessante, a editora do Rio Grande do Sul está aqui'", relatou Abadia, ilustrando como o espaço funciona como ponto de encontro para brasileiros de diferentes regiões. Este reconhecimento do público reforça a importância da representatividade regional no mercado editorial nacional.

Um aspecto destacado por Abadia é o papel da ABEU na disponibilização de obras que normalmente não são encontradas no circuito comercial tradicional. "É um filão que você não encontra em livrarias, porque é livro acadêmico." Às vezes, as pessoas das livrarias acham que não vende muito, pelo contrário, é muito vendível", explicou, desafiando preconceitos do mercado editorial sobre o potencial comercial de obras universitárias.

Esta observação aponta para uma lacuna importante no acesso ao conhecimento produzido nas universidades brasileiras e como eventos como a Bienal se tornam oportunidades únicas para que o público geral tenha contato com essa produção. A política de descontos mencionada por Abadia também evidencia o compromisso das editoras universitárias com a democratização do conhecimento.

Além das tradicionais publicações acadêmicas, o estande da ABEU surpreende pela variedade de temas e formatos. "Tem, por exemplo, sobre o Exu, que muita gente procura, que é um livro da Edusp, super bonito, grande, tem uma capa preta, uma capa vermelha", comentou a representante, referindo-se a uma obra sobre esta importante entidade das religiões de matriz africana.

Esta diversidade temática demonstra como as editoras universitárias têm ampliado seu escopo para além dos textos estritamente acadêmicos, abordando temas culturais, históricos e religiosos que interessam ao público geral, contribuindo para a preservação e disseminação de conhecimentos fundamentais para a compreensão da identidade brasileira em suas múltiplas dimensões.

Com o encerramento da Bienal previsto para o dia seguinte à entrevista, Abadia fez um convite aos visitantes que ainda não conheceram o espaço: "Infelizmente a gente encerra amanhã, mas felizmente para nós que precisamos descansar." E se vocês puderem vir amanhã, ainda podem vir, que a gente ainda está aqui para atender vocês".

A afirmação reflete o intenso trabalho realizado pelos profissionais que atuam no evento e, ao mesmo tempo, a satisfação de ver o interesse do público pelas publicações universitárias, confirmando a relevância deste segmento editorial que, apesar dos desafios de visibilidade, continua a produzir conteúdo essencial para o desenvolvimento científico, cultural e social do Brasil.

Por Robson Talber @robsontalber entrevista Renata Barbosa @beleza.naotemidade

Por Ultima Hora em 22/06/2025
Aguarde..