'Se permitir sentir é um ato revolucionário': a psicóloga Dra. Lindiana Fontenele, que ensina mulheres a acessar camadas mais profundas de si mesmas

No evento Imersão Mulher, na Barra da Tijuca, a Dra. Lindiana Fontenele conduziu uma palestra sobre identidade, essência e consciência — em meio a uma crise de saúde mental que afeta desproporcionalmente as mulheres brasileiras

O Jornal da República e Última Hora esteve na Imersão Mulher: Identidade, Essência e Consciência, evento realizado no último domingo (28) no Salão do Alfa Barra, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro.

Promovido pela Confraria Mulher, sob a liderança da médica e CEO Dra. Renata Ibiapina, o encontro marcou a transição do grupo de um espaço de networking para um polo de desenvolvimento humano e acolhimento feminino.

Entre as palestrantes, uma presença chamou a atenção pela profundidade do conteúdo e pela entrega serena: a psicóloga, mentora e escritora Dra. Lindiana Fontenele. Com uma voz que transmite calma e autoridade, ela conduziu a plateia por uma jornada de autoconhecimento ancorada no que chama de "equilíbrio dos eixos bio-psico-sócio-espiritual".

O silêncio que transforma

Em um país onde 546 mil trabalhadores foram afastados por transtornos mentais em 2025 — recorde histórico pelo segundo ano consecutivo, segundo dados do INSS —, a proposta de Dra. Lindiana soa quase como um manifesto. Onde o mercado exige produtividade incessante, ela oferece pausa. Onde as redes sociais vendem performance, ela propõe presença.

"O tema em si — identidade, essência e consciência — já é um tema que requer um pouco mais de profundidade de autoconhecimento", afirmou a psicóloga em entrevista exclusiva ao JR & ÚH.

"Essa questão do autoconhecimento traz muito a expansão de consciência como todo. É muito importante você, que é mulher, se dedicar a parar um pouco, sentir, se permitir sentir, porque, quando você se permite sentir e se auto-observar, você consegue acessar essas camadas mais internas do seu eu."

A fala ecoa em um cenário internacional preocupante.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou em setembro de 2025 que mais de 1 bilhão de pessoas vivem com transtornos mentais no mundo, com ansiedade e depressão como condições mais prevalentes — e as mulheres são as mais afetadas.

O trabalho com o eixo biopsicossocioespiritual

Dra. Lindiana é psicóloga clínica, especialista em Saúde Mental, Terapia Cognitiva Comportamental (TCC) e Neurociência. Criadora do MMT (Método de Mentoria para Mulheres) e da Mentoria Essentia Femme, ela desenvolve um trabalho que integra ciência, espiritualidade e desenvolvimento pessoal.

Sua abordagem parte da premissa de que a mulher contemporânea vive fragmentada entre múltiplos papéis — profissional, mãe, parceira, cuidadora, empreendedora — e que a chave para o equilíbrio está em reconectar essas dimensões. "Nada melhor do que a gente trabalhar com o equilíbrio desses eixos", resume.

O método parece acertar em cheio o momento vivido pelas brasileiras. Pesquisa do Instituto Think Olga, intitulada "Esgotadas", revelou que 45% das mulheres brasileiras já receberam diagnóstico de ansiedade.

O estudo Covitel 2023, disponível no Observatório da Saúde Pública da Umane, aponta que 12,7% da população brasileira convive com transtornos mentais, com prevalência significativamente maior entre o público feminino.

Um novo capítulo para a Confraria Mulher.

A Imersão Mulher deste ano marcou uma guinada no propósito da Confraria Mulher. Sob a liderança da Dra.

Renata Ibiapina — médica anestesista, advogada e CEO do Portal Confraria Brasil —, o movimento deixou de ser exclusivamente um espaço de networking para se tornar um ambiente de reconstrução interna e posicionamento feminino.

"Estamos abrindo as inscrições para a 10ª edição do Femme Connect. "Aqui conectamos mulheres empreendedoras, mães, profissionais e lideranças que desejam desenvolver seus negócios, fortalecer sua autoestima", publicou a organização nas redes sociais.

O evento reuniu palestrantes de diferentes áreas: Nat Benevides abordou a força das histórias pessoais como ferramenta de posicionamento; Débora Farias falou sobre imagem, segurança e autopercepção; Hugo Leonardo conectou autoestima, saúde capilar e identidade; e Leandra Marques conduziu uma experiência sobre presença, pertencimento e comportamento social.

Mas foi a palestra da Dra. Lindiana, que, segundo relatos de participantes, "trouxe um silêncio necessário" à sala. Sua voz calma e seus gestos precisos criaram um ambiente que uma das presentes descreveu como "tranquilizante, quase terapêutico".

A mulher é o custo invisível da sobrecarga.

O Instituto Cactus, em relatório publicado em março de 2026, definiu a saúde mental das mulheres como "o custo invisível que o Brasil ainda insiste em ignorar". O levantamento aponta que, apesar do recorde de afastamentos, faltam políticas efetivas de prevenção e cuidado.

É nessa lacuna que atua a psicóloga. Seu trabalho propõe que o autocuidado não seja tratado como privilégio, mas como condição para a sustentabilidade da vida — pessoal, profissional e familiar.

"Quando você se permite sentir e se auto-observar, você consegue acessar essas camadas mais internas", reitera Dra. Lindiana. Uma afirmação que, em tempos de ansiedade epidêmica, funciona quase como uma prescrição.

Bio: Dra. Lindiana Fontenele

Dra. Lindiana Fontenele é psicóloga clínica, especialista em Saúde Mental, Terapia Cognitiva Comportamental (TCC) e Neurociência.

Criadora do MMT (Método de Mentoria para Mulheres) e da Mentoria Essentia Femme — programa de 10 edições que já transformou centenas de mulheres —, ela também é escritora, palestrante e Diretora da Confraria Mulher.

Seu trabalho integra ciência, autoconhecimento e equilíbrio bio-psico-sócio-espiritual para ajudar mulheres a acessarem camadas mais profundas de sua identidade e potência.

No Instagram, compartilha conteúdo sobre saúde mental feminina, neurociência aplicada e desenvolvimento pessoal no perfil @dra_lindianafontenele.

Por Robson Talber @robsontalber 

Repórter Renata Barbosa @beleza.naotemidade

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Por Ultima Hora em 29/06/2026
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