Prefeita de Vassouras Rosi Silva participa do lançamento do CIM-BR (Consórcio Interfederativo dos Municípios do Brasil) e afirma 'Os municípios estão sufocados e precisam de apoio do governo federal'

Da Princesinha do Café à linha de frente da luta municipal: Hospital de 480 leitos, museu restaurado e turismo regional,Vassouras se transforma enquanto prefeita Rosi negocia salvação fiscal em Brasília

Primeira mulher prefeita de Vassouras leva angústia dos municípios a Brasília em lançamento do consórcio que une cidades de todo o país. Rosi Silva denuncia 'pautas bombas' que transferem custos para prefeituras sem fonte de custeio e cobra investimento federal em saúde e infraestrutura regional.

A prefeita de Vassouras, Rosi Silva, primeira mulher a ocupar o cargo em 164 anos de história do município, viajou a Brasília para participar do lançamento do CIM-BR — Consórcio Interfederativo dos Municípios do Brasil —, o principal evento do calendário municipalista em 2026. No encontro com deputados, gestores e autoridades federais, ela colocou sobre a mesa um diagnóstico que resume a crise silenciosa que sufoca as prefeituras brasileiras: a impossibilidade de cumprir leis criadas sem previsão de custeio.

"Não adianta criar leis e não dar condições dos municípios colocá-las em prática", disse Rosi durante entrevista exclusiva ao Jornal da República, em tom que misturava frustração profissional com determinação de quem está no quinto mandato à frente de uma gestão municipal complexa. O desabafo ecoa a realidade de mais de 5.500 prefeituras brasileiras que chegaram a 2026 com caixas vazios e contas atrasadas.

O consórcio como ferramenta de sobrevivência

O CIM-BR foi lançado em maio de 2026 como resposta estrutural à fragmentação administrativa municipal. O novo consórcio reúne centenas de prefeitos sob a promessa de oferecer voz conjunta perante ministérios, facilitar compras públicas em escala nacional, reduzir custos operacionais e compartilhar inovações administrativas entre cidades de estados diferentes.

"A união faz a força. Nada melhor que um consórcio para unir forças de vários municípios e pleitear melhorias para quem realmente precisa: o cidadão que vive na cidade", explicou Rosi Silva, destacando que estatísticas indicam que 80% da população vassourense mantém moradia fixa no município, sinal de enraizamento comunitário raro nas grandes centros urbanos.

A urgência de iniciativas como o CIM-BR reflete o cenário fiscal alarmante documentado pela Confederação Nacional de Municípios (CNM). Um levantamento divulgado em dezembro de 2025 mostrou que um terço dos municípios brasileiros terminou o ano com dívidas e sinaliza risco de "bomba fiscal" para 2026. Em Minas Gerais, uma em cada seis prefeituras não conseguirá fechar as contas do ano. A crise se agrava quando decisões legislativas federais ignoram as realidades econômicas de cidades pequenas e médias.

As "pautas bombas" que desfinanciavam as cidades

Rosi Silva cunhou uma expressão que ganhou força entre gestores municipais: as "pautas bombas" — leis aprovadas sem estimativa de impacto orçamentário, que transferem encargos obrigatórios para prefeituras sem os recursos correspondentes. Dois desses passivos figuram constantemente nas rodas de negociação em Brasília: os pisos salariais para servidores municipais e as contribuições do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

"Essas pautas bombas fazem a lei, mas ninguém sabe de onde vem o recurso para cumprir a lei. Isso prejudica diretamente a base, que são os municípios", complementou Rosi, em fala que resumia o sentimento de insegurança que permeia as administrações municipais.

A educação, segundo ela, é um exemplo paradigmático: precisa de atenção integral, mas os municípios estão proibidos de negar recursos a ela mesmo quando o Tesouro não consegue financiar as obrigações federais que lhe foram impostas.

Vassouras como polo de desenvolvimento regional

Enquanto discute política fiscal em Brasília, Rosi Silva administra transformações urbanas significativas em Vassouras — a histórica "Princesinha do Café" do Vale. Recentemente, inaugurou o Museu Vassouras, instalado no antigo Hospital Nossa Senhora da Conceição, um edifício de 1848 tombado pelo IPHAN que passou por seis anos de restauração. O espaço já atrai visitantes de todo mundo e consolida a cidade como referência cultural.

Para junho de 2026, está prevista a inauguração de um hospital de 480 leitos — grande investimento que reposiciona Vassouras como polo regional de saúde. A cidade soma ainda a presença de uma das melhores universidades do Brasil, que já sediou encontros nacionais de gestores de saúde de todo o país.

"Vassouras, coroada como a cidade da saúde, é também universitária e turística. A cada cantinho há uma peculiaridade, uma história linda", disse a prefeita com evidente orgulho da transformação que conduz.

Rosi e o prefeito de Barra do Piraí, Pezão, também presente à Marcha dos Prefeitos, coordenam iniciativas de turismo regional que extrapolam os limites municipais. A Rota do Café integra Vassouras, Barra do Piraí, Mendes, Valença, Miguel Pereira e Pati — um projeto que reconhece que turistas não permanecem em uma única cidade, mas circulam pela região em busca de experiências conectadas.

O imperativo de estar em Brasília

Rosi Silva não economizou na crítica ao Palácio do Planalto, ao Congresso e às burocracias federais, mas deixou claro que ausência não é solução. "Nunca vi Brasília como vi dessa vez — muita gente, muitos prefeitos, muitos governadores. A gente percebe que tudo acontece na ponta, nas cidades. A realidade de Brasília é completamente diferente da nossa, mas é aqui que se resolve realmente as cidades", refletiu, após quatro dias de negociações intensas com parlamentares.

Seus encontros com deputados focaram em um ponto central: pedir-lhes que olhem para os municípios antes de elaborar novas leis. "Você vai fazer a lei, mas como você vai fazer com que essa lei seja cumprida? Os municípios estão sufocados, todos passando por um momento financeiro desafiador", indagou.

Eventos como ferramenta de visibilidade

A estratégia de Vassouras inclui uso ostensivo de eventos para projetar a cidade nacionalmente. Rosi reconhece que essa visibilidade traz mais do que prestígio: atrai investimentos, turismo e oportunidades.

"Esses eventos fazem com que as pessoas conheçam melhor Vassouras. Por isso a gente investe muito neles. Quero agradecer a Sancé que vem fazendo Vassouras ser vista com outros olhos", citou a prefeita, reconhecendo parcerias que multiplicam a capacidade de comunicação municipal.

Repórter Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ

Por Robson Talber @robsontalber 

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Por Ultima Hora em 21/05/2026
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