No evento Imersão Mulher, Dra. Ana Cristina Pinheiro foi homenageada como 'Guardiã do Tabuleiro", um título que resume sua trajetória de impacto sobre mais de 38 mil profissionais do Direito no Brasil

Elas são maioria na advocacia, mas minoria no topo: a mentora que criou um exército de 100 mulheres para mudar o jogo

O tabuleiro da vida

Havia uma fileira de mulheres na plateia do salão nobre do Alfa Barra Clube. Advogadas, empresárias, médicas, psicólogas. Todas com histórias para contar.

No palco, Ana Cristina Pinheiro recebia das mãos da Dra. Renata Ibiapina, o título de Guardiã do Tabuleiro, a mais alta honraria concedida pela Confraria Mulher em sua primeira edição.

O tabuleiro, metáfora que a advogada usa para descrever a vida, não premia quem faz o primeiro movimento. Premia quem faz o movimento certo. "Não importa quem faz o primeiro movimento, mas sim quem faz o movimento correto", disse em entrevista ao Jornal da República e Última Hora, com a tranquilidade de quem já orientou milhares de profissionais a encontrarem o próprio caminho.

50,8% de presença, 20% de poder.

A escolha de Ana Cristina como homenageada não foi aleatória. O Brasil vive um paradoxo jurídico silencioso. As mulheres são 50,8% da advocacia brasileira, são 740.220 advogadas contra 687.625 homens, segundo os dados mais recentes do Conselho Federal da OAB, compilados em fevereiro de 2025.

Mas a presença numérica não se traduz em poder institucional.

Levantamento da Thomson Reuters e da International Bar Association (IBA) revela que, em 132 anos de Supremo Tribunal Federal, apenas três mulheres ocuparam a mais alta corte do país: Ellen Gracie, Cármen Lúcia e Rosa Weber. Entre os magistrados brasileiros, as mulheres são apenas 38%. Nos tribunais superiores, menos de 20% das cadeiras são ocupadas por mulheres.

O ranking Análise Advocacia Mulher 2026 identificou 1.491 advogadas de destaque, número que cresce a cada edição, mas ainda longe da paridade.

O Migalhas publicou em março de 2026 que a representatividade feminina na advocacia avançou, mas a desigualdade persiste na liderança. A inteligência artificial, alerta o portal, pode amplificar esses vieses se não houver diversidade na mesa de decisão.

O projeto que nasceu na pandemia e virou movimento

Ana Cristina Pinheiro não esperou o sistema mudar. Ela construiu uma alternativa. Em 2020, no auge do isolamento social, teve a ideia de reunir mulheres de todas as classes sociais — independentemente de grau de escolaridade ou profissão — para escreverem suas próprias histórias.

Nasceu o Reflexões Femininas, projeto que, em 2023, já havia chegado ao quinto volume e foi lançado na sede da OAB-RJ, com apoio institucional da Ordem. Hoje são sete volumes publicados, cada um reunindo cerca de 100 mulheres em crônicas, poemas e relatos reais de superação, força e recomeço.

"É um projeto para agregar mulheres de todas as classes sociais para dar voz e vez a todas elas", explicou. "Nós não somos imortais, mas podemos nos tornar eternos."

O livro está disponível na Livraria da Travessa e em plataformas como Amazon e Shopee, com avaliação de 4,9 estrelas — reflexo do impacto que causa em quem o lê.

Mentoria que transforma carreiras.

Além do projeto literário, Ana Cristina construiu uma carreira sólida como mentora de advogados. No LinkedIn, sua trajetória registra mais de 38 mil alunos e advogados impactados por seus cursos, mentorias e palestras.

Na Universidade Estácio de Sá, onde é professora de Direito Civil, e na Escola Superior de Advocacia (ESA), ela forma gerações de profissionais que enfrentam um mercado cada vez mais competitivo.

Doutoranda e Mestre em Direito, é também analista de perfil comportamental — uma combinação rara que une o conhecimento técnico-jurídico à compreensão das dinâmicas humanas que movem os escritórios e as carreiras.

O chamado ao protagonismo

No evento, Ana Cristina deixou uma mensagem direta às mulheres que a ouviam:

"Sejam as protagonistas da vida de vocês. Não terceirizem a vida de vocês. Tomem o controle. Retornem ao eixo gravitacional para que tudo esteja em ordem a partir de hoje."

A mensagem ecoa o espírito da Imersão Mulher, que, sob a liderança da Dra. Renata Ibiapina marcou a transição da Confraria Mulher de um grupo de networking para um polo de desenvolvimento humano e acolhimento feminino na Barra da Tijuca.

Bio: Dra. Ana Cristina Augusto Pinheiro

Ana Cristina Augusto Pinheiro é advogada, doutoranda e Mestre em Direito, professora universitária na Universidade Estácio de Sá e na Escola Superior de Advocacia (ESA).

Especialista em Direito de Família, Sucessões e Imobiliário, é também analista de perfil comportamental e mentora de advogados — tendo impactado mais de 38 mil profissionais jurídicos.

Idealizadora e coordenadora do projeto Reflexões Femininas, que já publicou sete volumes reunindo histórias de centenas de mulheres de todas as classes sociais, com lançamentos realizados na OAB-RJ e na Cidade das Artes.

Foi homenageada como "Guardiã do Tabuleiro" na primeira edição da Imersão Mulher, da Confraria Mulher. No Instagram, compartilha conteúdo jurídico e de desenvolvimento pessoal em @prof.anacrispinheiro.

Com mais de 2,8 mil inscritos no YouTube, onde publica mais de 326 vídeos, é referência em mentoria estratégica para advogados que buscam posicionamento, técnica e protagonismo na carreira.

Por Robson Talber @robsontalber 

Repórter Renata Barbosa @beleza.naotemidade

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Por Ultima Hora em 29/06/2026
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