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Terremoto político no Rio: Bacellar exonera Washington Reis e desencadeia guerra de retaliações
O que era apenas especulação nos bastidores políticos se tornou realidade nesta quarta-feira (2). Rodrigo Bacellar (União), presidente da Assembleia Legislativa que assumiu interinamente o governo do Rio durante a licença de Cláudio Castro (PL), decidiu exonerar o poderoso secretário de Transportes, Washington Reis (MDB), contrariando as expectativas do Palácio Guanabara.
A decisão marca um ponto de ruptura definitivo na política fluminense e desencadeia uma série de retaliações que já se espalham pelo estado, especialmente em Duque de Caxias, reduto da família Reis.
Exoneração oficializada em Diário Oficial
A exoneração de Washington Reis foi oficializada através do Decreto de 03 de julho de 2025, publicado no Diário Oficial do Estado. O documento, assinado por Rodrigo Bacellar como Governador em Exercício, declara textualmente:
"RESOLVE: EXONERAR WASHINGTON REIS DE OLIVEIRA, ID FUNCIONAL Nº 4348537-5, do cargo de Secretário de Estado, símbolo SE, da Secretaria de Estado de Transporte e Mobilidade Urbana. Processo nº SEI-150001/008411/2025."
A medida foi datada de Rio de Janeiro, 03 de julho de 2025, confirmando que Bacellar não hesitou em usar sua posição interina para promover mudanças estruturais no governo estadual.
A licença que mudou tudo
Castro oficializou sua licença entre quinta-feira (3) e domingo (6) para participar da 13ª edição do Fórum Jurídico de Lisboa, realizado em Portugal pelo ministro do STF Gilmar Mendes. A medida, publicada em edição extraordinária do Diário Oficial, transferiu o comando do estado para Bacellar, que se tornou o segundo na linha sucessória após Thiago Pampolha (MDB) ser nomeado conselheiro do Tribunal de Contas do Estado.
Embora o clima no Palácio Guanabara fosse de tranquilidade, com Castro demonstrando confiança de que o interino não tomaria "medidas bruscas sem consultá-lo", a realidade se mostrou bem diferente. Bacellar, aconselhado por apoiadores e fortalecido por sua posição como pré-candidato ao governo estadual, decidiu agir de forma decisiva.
Guerra de retaliações em Duque de Caxias
A exoneração de Washington Reis desencadeou uma reação imediata em Duque de Caxias. O prefeito Netinho Reis (MDB), sobrinho do ex-secretário, promoveu uma exoneração em massa de mais de 100 pessoas indicadas pelo deputado estadual Arthur Monteiro (União) e Marcos Tavares (PDT), além de Vereadores que eram da base.
Entre os demitidos está Giorgio Monteiro (PP), vereador licenciado e irmão de Arthur, que ocupava cargo na Secretaria de Trabalho e Renda. Também foram exonerados diretores de três escolas técnicas, funcionários de unidades básicas de saúde e diversos outros cargos comissionados.
A retaliação é interpretada como resposta direta à "traição" de Arthur Monteiro, que votou a favor da convocação de Washington Reis para depor na CPI da Transparência, alinhando-se com a ampla maioria dos parlamentares da Alerj (59 votos favoráveis).
O posicionamento de Arthur Monteiro
Em nota oficial, o deputado defendeu sua posição e denunciou perseguição política:
"A votação favorável à convocação do secretário reflete o exercício legítimo e independente das atribuições de um parlamentar estadual, com base no interesse público e na responsabilidade com a população fluminense. Qualquer tentativa de distorcer essa atuação revela uma perseguição política que já vem se desenhando no município de Duque de Caxias, marcada por exonerações, retaliações, intimidações e disputas antecipadas de poder, visando às eleições de 2026."
Arthur reafirmou seu apoio público a Rodrigo Bacellar, destacando que ambos "compartilham valores e princípios no exercício de um mandato firme, técnico e responsável".
Cenário eleitoral antecipado
A crise política evidencia a antecipação das disputas eleitorais de 2026, com Rodrigo Bacellar consolidando sua posição como pré-candidato ao governo estadual. A exoneração de Washington Reis representa não apenas uma demonstração de força, mas também um movimento estratégico para enfraquecer grupos políticos rivais.
A situação revela a fragmentação do cenário político fluminense, com antigas alianças sendo rompidas e novos alinhamentos sendo formados. A física política está em pleno funcionamento: a toda ação corresponde uma reação, nem sempre igual, mas invariavelmente em sentido contrário.
O episódio marca um divisor de águas na política do Rio de Janeiro, sinalizando que as eleições de 2026 já começaram nos bastidores do poder estadual, com consequências que se estendem desde o Palácio Guanabara até os municípios da Baixada Fluminense.
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