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A Polícia Civil do Rio de Janeiro não vai retirar suas tropas da região da Cidade de Deus, na Zona Oeste, até localizar os responsáveis pelo assassinato de um agente da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), ocorrido na manhã desta segunda-feira (19). A afirmação foi feita pelo secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, em entrevista ao RJ1.
"Não tem vingança, tem técnica. Estamos recebendo informações de inteligência, temos várias investigações em andamento. Nesse momento é importante checar essas informações. A gente não vai sossegar enquanto não prendermos ou tirarmos de circulação esses criminosos se eles decidirem reagir contra nossas equipes", declarou Curi, que classificou o ataque como "um atentado terrorista contra o estado".
Até as 17h de ontem, cinco suspeitos haviam sido presos durante as operações, que se estenderam também para a comunidade da Gardênia Azul, para onde os criminosos teriam fugido após o ataque. Drogas, munições e dinheiro falso foram apreendidos durante as ações.
Operação contra gelo contaminado
O policial foi morto durante uma operação conjunta da Delegacia do Consumidor (Decon) com o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) contra a fabricação e venda de sacos de gelo contaminados, destinados a estabelecimentos das praias da Barra da Tijuca e do Recreio dos Bandeirantes.
A ação tinha como objetivo cumprir 10 mandados de busca e apreensão em fábricas clandestinas. Em fevereiro deste ano, uma blitz já havia constatado, após laudos periciais, a presença de coliformes fecais no produto oferecido por essas fábricas.
Na ocasião, quatro caminhões lotados de gelo de procedência duvidosa foram apreendidos a caminho da orla da Zona Oeste. O laudo de potabilidade realizado pelos técnicos da Cedae confirmou que ao menos uma fábrica, localizada na Cidade de Deus, vendia gelo contaminado por coliformes fecais e outras substâncias nocivas à saúde.
Impactos na cidade
O confronto armado causou grande transtorno à população. A Linha Amarela, uma das principais vias expressas do Rio, chegou a ser interditada por volta das 12h devido ao intenso tiroteio. A alça de acesso à via também foi bloqueada após criminosos atearem fogo em barricadas.
Um vídeo que circula nas redes sociais mostra o desespero dos colegas de farda ao socorrer o policial, que não resistiu aos ferimentos. As ruas do bairro ficaram desertas durante o confronto, e 19 linhas de ônibus tiveram seus itinerários alterados.
Em nota, a Rio Ônibus informou que este é o quinto episódio de violência que impacta a circulação de ônibus na cidade só no mês de maio, evidenciando a escalada da violência urbana.
Escolas fechadas e população em pânico
A Secretaria Municipal de Educação informou que as aulas no turno da tarde na Cidade de Deus foram suspensas. Durante a operação policial pela manhã, crianças de uma escola precisaram se abaixar no corredor da unidade para se proteger dos tiros, em cenas que se tornaram lamentavelmente comuns na rotina da cidade.
O secretário de Polícia Militar, coronel Marcelo de Menezes Nogueira, explicou em entrevista que a PM está atuando no entorno da comunidade para garantir a fluidez no trânsito e a segurança das vias e das pessoas que circulam na região. "Determinei um reforço maciço para garantir que as pessoas tenham o menor impacto em seu dia a dia", ressaltou.
Curi também mencionou que na madrugada anterior ao confronto houve um show de um MC famoso na comunidade, durante o qual "foram exibidos vários fuzis no meio do baile", segundo informações recebidas pela polícia.
A operação policial continua, com agentes do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE) e da Core atuando intensamente na região, em busca dos responsáveis pelo assassinato do policial.

Fábrica de gelo é alvo de operação
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