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Depois de Douglas Ruas, André Marinho, Wilson Witzel e Garotinho, surge mais 1 candidato Ex-Bolsonarista o Coronel Busnello
Ex-sniper do Bope vira aposta do Missão ao Governo do Rio em chapa invertida de última hora
Partido ligado ao MBL troca composição às vésperas do anúncio e coloca coronel da PM como cabeça de chapa com discurso de segurança pública; bombeiro militar Rafa Luz assume vice
A virada de mesa que surpreendeu o tabuleiro eleitoral
O partido Missão anunciou no sábado (18 de julho), durante um congresso estadual do Movimento Brasil Livre no Rio de Janeiro, o nome do coronel da Polícia Militar João Jacques Busnello como pré-candidato ao Governo do Estado. Ex-subcomandante do Batalhão de Operações Policiais Especiais, o Bope, e ex-sniper da corporação, Busnello terá o bombeiro militar Rafa Luz como pré-candidato a vice-governador.
O anúncio foi feito por Renan Santos, empresário, músico e cofundador do MBL, que dois dias depois, em 20 de julho, teve sua candidatura à Presidência da República oficializada pelo Missão em convenção antecipada — a primeira entre todos os presidenciáveis neste ciclo eleitoral. Santos afirmou ter antecipado o evento, originalmente marcado para 1º de agosto, após receber ameaças do PCC, do Comando Vermelho e de facções do Ceará.
A decisão representou uma mudança no planejamento eleitoral da legenda. Até a sexta-feira anterior, Rafa Luz aparecia como o nome escolhido para disputar o Palácio Guanabara, enquanto Busnello ocuparia a posição de vice. Após uma reorganização interna de última hora, o coronel passou a liderar a chapa.
Rafa Luz afirmou que a inversão foi definida em comum acordo. Segundo o bombeiro militar, a alteração não decorreu de uma disputa interna, mas de uma avaliação do partido sobre qual composição teria maior aderência ao discurso de segurança pública. Para uma legenda que aposta suas fichas no combate ao crime organizado, ter um ex-sniper do Bope como cabeça de chapa é um trunfo simbólico difícil de replicar.
O homem que viveu o fronte
Coronel da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, Busnello construiu ao longo de mais de três décadas uma carreira em funções operacionais e de comando dentro da corporação. Sniper de formação, foi subcomandante do Bope, a tropa de elite da PM fluminense, responsável por atuar nos cenários mais críticos de confronto com o crime organizado na capital e na região metropolitana.
Entre os batalhões comandados por Busnello estão o 6º BPM, responsável pela região da Tijuca; o 10º BPM, em Barra do Piraí; o 15º BPM, em Duque de Caxias; e o 20º BPM, em Mesquita. O coronel também passou pelo Batalhão Especial Prisional e pelo Grupamento Especial de Policiamento em Estádios, acumulando experiência em diferentes frentes da segurança pública.
Sua trajetória ganhou projeção pública por operações realizadas durante a passagem pelo Bope — unidade que simboliza o enfrentamento direto ao crime organizado no estado do Rio de Janeiro. Cursos de inteligência da PMERJ e especialização em tiro de precisão complementam sua formação operacional. Em suas redes sociais, Busnello acumula dezenas de milhares de seguidores que acompanham sua trajetória.
O coronel já disputou duas eleições para deputado federal. Em 2018, concorreu pelo PRTB e recebeu 15.768 votos. Em 2022, pelo PSD, obteve 774 votos e ficou na suplência. Agora, em sua terceira tentativa, disputa o cargo mais alto do Executivo estadual.
Segurança pública como carro-chefe
Ao anunciar a chapa, Renan Santos afirmou que o histórico de Busnello na Polícia Militar foi determinante para a escolha. A segurança pública será o eixo central do programa eleitoral do partido para o Rio de Janeiro, em uma aposta clara de que o eleitorado fluminense busca soluções para a crise de violência que assola o estado.
Busnello indicou que o combate à criminalidade será a principal bandeira de sua pré-campanha. Em declarações divulgadas após o anúncio, o coronel defendeu uma atuação mais rigorosa das forças de segurança, dentro dos limites legais, e afirmou que pretende apresentar propostas para reestruturar o setor no estado. "A missão agora é outra", declarou em suas redes sociais ao oficializar a pré-candidatura.
O Missão ainda não divulgou um programa de governo completo nem detalhou medidas para áreas como saúde, educação, mobilidade, desenvolvimento econômico e equilíbrio fiscal. A expectativa é que essas propostas sejam apresentadas durante o período de convenções e no início oficial da campanha.
O fenômeno Renan Santos e o partido Missão
Ligado ao Movimento Brasil Livre, o partido Missão participará pela primeira vez de uma eleição geral. A legenda foi registrada pelo Tribunal Superior Eleitoral em novembro de 2025 e tem Renan Santos como presidente e candidato à Presidência.
Santos, de 42 anos, construiu carreira como empresário e músico antes de ingressar na política. Foi filiado ao PSDB entre 2010 e 2015, mas ganhou notoriedade como um dos fundadores do MBL, movimento que liderou as manifestações pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff em 2015 e 2016. Desde 2023, preside o partido Missão.
Em entrevistas recentes, Santos afirmou que a direita brasileira errou ao ser "leniente e condescendente com as falhas de Bolsonaro e com os crimes cometidos pela família". A declaração o posiciona como uma alternativa ao bolsonarismo dentro do campo conservador — um movimento que pode atrair eleitores descontentes com a polarização entre PT e PL.
Apesar de nunca ter disputado um cargo público, Santos aparece em pesquisas tecnicamente empatado com veteranos como Ronaldo Caiado (PSDB) na corrida presidencial. Em um ano eleitoral marcado por rejeição recorde aos candidatos tradicionais, a aposta em nomes novos e com perfil técnico pode ser um trunfo.
A candidatura que desafia a polarização
A entrada de Busnello na corrida eleitoral amplia o leque de opções para o eleitorado fluminense em 2026. Além do coronel do Bope, estão na disputa o presidente da Assembleia Legislativa, Douglas Ruas (PL), que busca manter o grupo bolsonarista no poder; o ex-prefeito da capital Eduardo Paes (PSD), que lidera as pesquisas de intenção de voto e realizou sua convenção em 20 de julho; e outros nomes.
Com um discurso de linha dura na segurança pública, Busnello tenta fisgar o eleitorado que se sente órfão de uma representação forte na área — tradicionalmente dominada por candidaturas bolsonaristas. Sua candidatura também desafia a polarização entre PT e PL, oferecendo uma terceira via com perfil técnico-operacional.
A confirmação da chapa dependerá das convenções partidárias, período em que os partidos oficializam seus candidatos e deliberam sobre alianças. Depois disso, os nomes ainda precisarão ser registrados e analisados pela Justiça Eleitoral.
Os desafios pela frente
A campanha do Missão no Rio de Janeiro enfrenta obstáculos significativos. O partido é novo, sem estrutura consolidada nos municípios e sem tempo de televisão expressivo. Busnello, embora tenha projeção entre eleitores ligados à segurança pública, precisará construir capilaridade em um estado de 92 municípios.
O discurso de segurança pública, embora potente, precisará ser acompanhado de propostas concretas para áreas como saúde, educação e economia. O Missão ainda não apresentou um programa de governo completo, o que pode ser explorado por adversários durante a campanha.
Além disso, a candidatura precisará sobreviver ao escrutínio da Justiça Eleitoral e à pressão de adversários políticos que veem na candidatura do Missão uma ameaça à polarização estabelecida.
A expectativa é que Busnello e Rafa Luz intensifiquem a agenda de campanha a partir de agosto, após o período de convenções partidárias.
Biografia
João Jacques Busnello é coronel da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, com mais de 30 anos de carreira dedicados à segurança pública. Sniper de formação, foi subcomandante do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), a tropa de elite da PM fluminense. Ao longo de sua trajetória, comandou o 6º BPM (Tijuca), o 10º BPM (Barra do Piraí), o 15º BPM (Duque de Caxias) e o 20º BPM (Mesquita), além de ter atuado no Batalhão Especial Prisional e no Grupamento Especial de Policiamento em Estádios. Possui cursos de inteligência da PMERJ e especialização em tiro de precisão. Busnello já disputou eleições para deputado federal em 2018 (PRTB) e 2022 (PSD). Em julho de 2026, foi anunciado como pré-candidato ao Governo do Rio de Janeiro pelo partido Missão, legenda ligada ao Movimento Brasil Livre. Sua campanha tem o combate à criminalidade como principal bandeira.
Fontes
G1 — "Coronel Busnello é anunciado como pré-candidato ao Governo do Rio" (18/07/2026) | Veja — "Quem é o ex-Bope que vai concorrer ao governo do Rio" (19/07/2026) | Metrópoles — "Renan Santos anuncia chapa do Missão ao governo do Rio de Janeiro" (18/07/2026) | CNN Brasil — "Missão oficializa Renan Santos como candidato a presidente em convenção" (20/07/2026) | JOTA — "Quem é Renan Santos, candidato à Presidência que fundou MBL e aposta em ideias radicais" (09/06/2026) | Diário do Rio — "Missão anuncia Coronel Busnello como pré-candidato ao Governo do Rio" (19/07/2026) | Instagram — @coronelbusnello (perfil oficial) | Wikipédia — Renan Santos | Facebook — Coronel Busnello (página oficial)
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