Arnaldo Teixeira, diretor da Eletric Mobility, revela estratégia para evitar erros de infraestrutura cometidos em outras capitais

Fórum Emissão Zero reúne experiências nacionais e internacionais para acelerar a descarbonização no Rio

O Fórum de Transição Energética no Transporte Público do Estado do Rio de Janeiro, também conhecido como Fórum Emissão Zero, realizado nos dias 3 e 4 de fevereiro de 2026 no Espaço Costa Hall, marca um momento decisivo para a descarbonização das frotas de transporte público fluminense.

Organizado pela Fundação Rede Criativa, o evento gratuito reuniu autoridades governamentais, especialistas do setor e lideranças empresariais com o objetivo estratégico de aprender com experiências de outras capitais antes de lançar licitações para ônibus elétricos no Rio de Janeiro.

Eletric Mobility Brasil apresenta expansão nacional de carregadores.

Durante o fórum, Arnaldo Teixeira, diretor comercial da Eletric Mobility Brasil, destacou que a empresa já possui carregadores instalados em 12 garagens espalhadas pelo país, com o Rio de Janeiro iniciando seu processo de transição energética. "Rio de Janeiro está iniciando o processo."

A gente já tem garagens com carregador em teste, ônibus em teste, vai acontecer, vão acontecer licitações", explicou Teixeira, ressaltando que o estado fluminense está seguindo uma estratégia de planejamento cuidadoso.

O CEO da Eletric Mobility, identificado como Souza, participou remotamente direto da China através de videoconferência, apresentando os novos carregadores desenvolvidos pela empresa. A participação internacional demonstra o alcance global das tecnologias de eletrificação e o interesse de empresas estrangeiras no mercado brasileiro de transporte público sustentável.

São Paulo lidera transição com 80% do volume nacional.

São Paulo emergiu como líder absoluto na transição energética do transporte público brasileiro, concentrando 80% do volume negociado no país. A capital paulista implementou legislação que proíbe a renovação de contratos com ônibus a diesel, obrigando a adoção exclusiva de veículos elétricos em novas licitações. "São Paulo é lei, é proibida a renovação diesel, só pode entrar o ônibus elétrico", explicou Teixeira, destacando o papel pioneiro da metrópole paulista.

Outras capitais brasileiras, como Salvador, Belo Horizonte, Curitiba e Porto Alegre, já iniciaram processos de teste e implementação gradual de ônibus elétricos. A experiência acumulada por essas cidades serve como base de conhecimento para o Rio de Janeiro, que busca evitar os erros cometidos durante as primeiras implementações em território nacional.

Lições aprendidas com os desafios de São Paulo.

Os erros cometidos em São Paulo servem como alerta para outras capitais que planejam a transição energética. "São Paulo errou bastante, não tinha energia, não tinha ônibus", revelou Teixeira, destacando problemas de infraestrutura energética inadequada e falta de disponibilidade de veículos que comprometeram as operações iniciais.

O Rio de Janeiro está trabalhando especificamente para evitar essas armadilhas por meio de planejamento antecipado.

A estratégia fluminense prioriza o planejamento antes da execução, realizando estudos detalhados e consultando especialistas antes de lançar licitações. "O Rio de Janeiro está fazendo exatamente o que precisa, está trabalhando com o planejamento", enfatizou o diretor comercial, destacando a importância do fórum para troca de informações e experiências entre diferentes atores do setor.

Cadeia operacional complexa exige planejamento integrado.

A implementação de ônibus elétricos demanda uma cadeia operacional complexa que vai muito além da simples substituição de veículos. Teixeira explicou que o processo requer planejamento financeiro inicial, onde o órgão público deve "bancar a diferença de custo do diesel para o elétrico", seguido de financiamento específico para aquisição dos veículos elétricos.

A infraestrutura energética representa outro desafio crítico, exigindo que concessionárias como Light e Enel se planejem para "levar energia suficiente para a garagem". Somente após garantir planejamento financeiro e energético é possível implementar a infraestrutura interna das garagens e iniciar operações com ônibus elétricos. "Enquanto não tiver planejamento financeiro, planejamento energético, toda a cadeia fica sem sentido", alertou o especialista.

Programação robusta com especialistas nacionais e internacionais.

O fórum contou com programação intensa que abordou desde a viabilidade técnica da eletrificação até modelos de financiamento para novos projetos. Autoridades estaduais como Andre Moura (Secretário de Estado de Governo), Cassio Coelho (Energia e Economia do Mar), Raphael Salgado (Presidente do DETRO/RJ) e Priscilla Sakalem (Secretária de Estado de Transporte e Mobilidade Urbana) participaram das discussões estratégicas.

Experiências internacionais foram representadas por Rodrigo Valladares, Secretário Regional Ministerial de Transportes e Telecomunicações de Santiago, Chile, que apresentou caso de sucesso da eletromobilidade chilena. Sergio Habib, fundador do Grupo SHC e presidente da JAC Motors, discutiu a viabilidade da eletrificação no Rio, enquanto secretários de mobilidade de Porto Alegre, Belo Horizonte e Salvador compartilharam desafios operacionais e de financiamento.

Apoio institucional garante continuidade do projeto.

O evento contou com apoio estratégico de diversas instituições que lideram a pauta de transição energética no Brasil, incluindo Governo do Estado do Rio de Janeiro, DETRO, SETRAM, SEMOVE, ANTP e Fórum Nacional de Secretários de Mobilidade Urbana. Empresas como Light, WEG, Nansen, Abiogás, ITDP Brasil e Eletric Mobility Brasil forneceram suporte técnico e expertise setorial para as discussões.

Por Robson Talber @robsontalber 

Repórter Oscar Muller @oscarmulleroficial

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Por Ultima Hora em 05/02/2026
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