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A Baixada acordou seca — de novo. Durante uma escavação, o Consórcio Macro, contrato ligado à Diretoria DTP e sob responsabilidade do diretor Humberto, rompeu uma das cinco linhas do sistema Marapicu. Um erro grave numa estrutura que sustenta o abastecimento de milhares de pessoas.
Consertaram. Respiraram aliviados. Religaram. E o sistema rompeu de novo — em outro ponto. Porque, aparentemente, uma falha não foi suficiente. O que era para ser reparo virou retrato de desorganização técnica.
Resultado: Reservatório do Marapicu paralisado há mais de 36 horas, moradores da Baixada e do Grande Rio sem água e nenhuma previsão concreta apresentada com clareza. O básico virou luxo.
O sistema Marapicu não é encanamento de fundo de quintal. São cinco linhas interligadas que exigem planejamento, estudo de solo, análise de risco e teste estrutural sério antes de qualquer religamento. Quando rompe duas vezes seguidas, não é azar. É falha.
A execução foi do Consórcio Macro. A fiscalização, coordenação e responsabilidade técnica passam pela DTP. A população quer saber: houve mapeamento adequado antes da escavação? Houve teste de pressão completo antes de colocar novamente em carga? Ou foi no improviso?
Enquanto isso, o cidadão vive o teatro conhecido: a CEDAE segue cobrando conta mesmo quando a torneira está seca, e a Águas do Rio aparece para emitir boleto — mas some quando a água desaparece. Uma cobra sem entregar. A outra entrega silêncio.
E quem mora na Baixada sabe: quando dá problema, é aqui que demora mais para normalizar. É aqui que o caminhão-pipa vira promessa. É aqui que a explicação técnica não enche caixa d’água.
Água é serviço essencial. Não é favor. Não é discurso institucional. Não é postagem em rede social. É obrigação contratual e dever público.
O que a população exige é simples: transparência imediata, prazo real de normalização e responsabilização clara. Porque erro pode acontecer. Mas repetir erro e deixar milhares de pessoas sem resposta já não é falha técnica — é desrespeito.
A Baixada está seca. E a paciência também.
Por: Jornalista Arinos Monge
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