Bancada de esquerda contesta operação histórica do coronel Menezes com CPI na Alerj

Oposição na Alerj questiona operação do coronel Menezes com pedido de CPI

Bancada de esquerda contesta operação histórica do coronel Menezes com CPI na Alerj

Deputados questionam ação que resultou em 121 mortes nos complexos da Penha e do Alemão, enquanto governo celebra golpe histórico contra o Comando Vermelho

A bancada de esquerda da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) protocolou nesta quarta-feira (29) um projeto de resolução propondo a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a "Operação Contenção". A ação policial coordenada pelo coronel Marcelo de Menezes Nogueira, secretário de Polícia Militar, nos complexos da Penha e do Alemão resultou em 121 mortes, incluindo quatro policiais, e está sendo considerada pelo governo estadual como um marco histórico no combate ao crime organizado. O projeto, de autoria da deputada Marina do MST (PT), busca apurar eventuais violações de direitos humanos na operação que o próprio coronel Menezes classificou como "o mais duro golpe" já desferido contra o Comando Vermelho.

A proposta da CPI surge em meio às celebrações do governo estadual pelo sucesso da operação que motivou até mesmo a criação do Escritório Emergencial de Combate ao Crime Organizado, anunciado pelo governador Cláudio Castro e pelo ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski. O coronel Menezes, que planejou a operação durante dois meses utilizando dados de inteligência e mapeamento de rotas de fuga, defendeu publicamente os resultados alcançados, destacando que foram "muito robustos e exitosos". No entanto, a bancada de oposição questiona os métodos empregados e as consequências da ação, considerada a mais letal da história do país.

O projeto prevê que a CPI investigue detalhadamente o planejamento, execução e consequências da operação coordenada pelo coronel Menezes. Entre os pontos centrais da investigação está a verificação do cumprimento das determinações do Supremo Tribunal Federal (STF) na ADPF 635, que estabelece limites rigorosos para incursões policiais em favelas. A deputada Marina do MST e seus colegas pretendem analisar se a operação respeitou os protocolos estabelecidos pela Corte Suprema, questionando especificamente o uso da força policial, o atendimento prestado aos feridos e a possibilidade de execuções sumárias durante os confrontos.

A CPI proposta seria composta por sete membros titulares e sete suplentes, respeitando a proporcionalidade partidária da Alerj, e teria 90 dias para concluir os trabalhos, com possibilidade de prorrogação. Além da deputada Marina do MST, assinam o projeto os deputados Carlos Minc (PSB), Dani Balbi (PCdoB), Dani Monteiro (PSOL), Élika Takimoto (PT), Flavio Serafini (PSOL), Verônica Lima (PT), Yuri Moura (PSOL), Renata Souza (PSOL) e Professor Josemar (PSOL). O grupo também anunciou que acionará a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, demonstrando a intenção de levar o caso para instâncias internacionais de proteção aos direitos humanos.

Entretanto, as chances de aprovação da CPI são consideradas reduzidas pelos próprios proponentes. Antes de chegar ao plenário para votação, o projeto precisará passar pela Comissão de Normas Internas e Proposições Externas, presidida pelo deputado Rodrigo Amorim (União), que tem se posicionado publicamente a favor das ações do governo estadual. Essa etapa prévia pode representar um obstáculo significativo para o avanço da proposta, especialmente considerando o apoio que a operação do coronel Menezes tem recebido de setores conservadores da Assembleia e da sociedade fluminense.

O contraste entre as visões sobre a operação reflete as tensões políticas em torno das estratégias de segurança pública no Rio de Janeiro. Enquanto o coronel Menezes e o governo estadual celebram os resultados operacionais e destacam que a ação foi "gestada e traçada há dois meses atrás" com base em inteligência sólida, a oposição questiona os métodos empregados e o alto número de mortes. O oficial, com seus 52 anos e mais de três décadas de experiência na Polícia Militar, defendeu que houve "grande enfrentamento" e "forte resistência" por parte dos criminosos, justificando a letalidade da operação.

A discussão sobre a CPI ocorre no mesmo momento em que o governo federal demonstra apoio à estratégia adotada pelo coronel Menezes. O ministro Lewandowski não apenas participou da coletiva comemorativa da operação, mas também anunciou medidas concretas de apoio, incluindo o reforço de 50 agentes na Polícia Rodoviária Federal e o aumento do efetivo de inteligência no estado. Essa convergência entre os governos estadual e federal em torno dos resultados da operação pode influenciar o debate político sobre a necessidade de investigação parlamentar.

O coronel Menezes, graduado em Direito pela Universidade Gama Filho e em Engenharia Civil pela Universidade Estácio de Sá, construiu uma carreira sólida na corporação, tendo comandado unidades importantes e atuado em áreas estratégicas como planejamento operacional e inteligência. Sua experiência e o planejamento detalhado da operação são argumentos utilizados pelo governo para defender a legitimidade e necessidade da ação. No entanto, os deputados proponentes da CPI argumentam que o alto número de mortes e as circunstâncias da operação exigem uma investigação independente e transparente.

A proposta de CPI também levanta questões mais amplas sobre o modelo de segurança pública adotado no Rio de Janeiro e no Brasil. Enquanto o coronel Menezes destaca que o Comando Vermelho possui presença em 25 estados da federação, exigindo uma resposta integrada e robusta, os críticos questionam se operações de alta letalidade são a estratégia mais eficaz e adequada para enfrentar o crime organizado. O debate promete se intensificar nos próximos dias, à medida que a sociedade fluminense e brasileira avalia os custos e benefícios da abordagem adotada pelas forças de segurança sob a coordenação do experiente oficial da Polícia Militar.

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Por Ultima Hora em 30/10/2025
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