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Bernardo Fellows, presidente da Riotur, encontra-se novamente no centro de uma polêmica que envolve a gestão do Sambódromo e disputas financeiras entre as principais organizações do carnaval carioca.
A situação ganhou contornos dramáticos quando a Liga RJ, representante das escolas da Série Ouro, formalizou uma série de denúncias contra a Liesa, responsável pelo Grupo Especial, expondo práticas consideradas abusivas na administração do maior espetáculo da Terra.
Denúncias graves abalam estrutura do carnaval
A Liga RJ apresentou um conjunto robusto de acusações que revelam o lado obscuro da gestão carnavalesca. As principais denúncias incluem a prática de venda casada de camarotes, onde a Liesa estaria condicionando a comercialização desses espaços privilegiados a outros produtos ou serviços, configurando uma estratégia comercial considerada abusiva pelos padrões de defesa do consumidor.
Além disso, dirigentes e sambistas da Série Ouro relataram restrições sistemáticas de acesso ao Sambódromo, enquanto pessoas sem qualquer vínculo institucional com o carnaval teriam facilidades para circular pelo local. A situação se agrava com denúncias sobre a ausência total de repasses financeiros oriundos da comercialização de camarotes e espaços publicitários durante os desfiles da Série Ouro.
Exclusividade comercial gera revolta
Uma das questões mais controversas envolve a concessão de exclusividade para a venda de uma única marca de cerveja durante os eventos no Sambódromo. A Liga RJ considera essa prática uma concentração desleal de benefícios em favor da "prima rica" - referência direta à Liesa - e chegou a reivindicar 40% da arrecadação total como forma de compensação pela disparidade de tratamento.
A resposta da Liesa foi categórica: recusou completamente a proposta sem apresentar qualquer contraproposta, o que intensificou significativamente as tensões entre as organizações e expôs a fragilidade das relações institucionais no carnaval carioca.
Mediação controversa da Riotur
Bernardo Fellows assumiu o papel de mediador em uma reunião realizada na terça-feira (27), que contou com a participação de Gabriel David, presidente da Liesa, e Hugo Júnior, presidente da Liga RJ. O encontro, descrito pela Riotur como bem-sucedido, resultou em um acordo para postergar todas as discussões sobre a gestão do Sambódromo para após o carnaval de 2026.
Em nota oficial divulgada após a reunião, a Riotur informou que todas as questões foram "devidamente esclarecidas", uma afirmação que contrasta com a gravidade das denúncias apresentadas e a ausência de soluções concretas para os problemas identificados.
Histórico preocupante de Fellows
A 5ª Câmara Criminal do Rio condenou, em 2018, o presidente da RioTur Bernardo Fellows, por ter agredido sua ex-mulher. Segundo a denúncia, Bernardo Fellows agrediu a ex-esposa Viviane Lahmeyer ao vê-la em um restaurante com outro homem. Ele recebeu uma pena de um mês e quinze dias de detenção pela contravenção penal de vias fato e o crime de ameaça. De acordo com o acórdão dos desembargadores, Bernardo ainda terá que participar de “grupo reflexivo para autores de violência”.
A trajetória de Bernardo Fellows à frente da Riotur tem sido marcada por uma série de controvérsias que levantam questionamentos sobre sua gestão. Embora não existam registros de condenações criminais específicas, sua administração tem enfrentado críticas recorrentes relacionadas à transparência na gestão de recursos públicos destinados ao turismo carioca.
A atual polêmica envolvendo o Sambódromo adiciona mais um capítulo controverso à gestão de Fellows, especialmente considerando que a Riotur tem responsabilidades diretas na supervisão e apoio aos eventos carnavalescos que movimentam bilhões de reais anualmente na economia carioca.
Disputas judiciais em curso
A situação se complica ainda mais quando consideramos que a gestão do Sambódromo tem sido objeto de disputas legais prolongadas. Em julho de 2025, a Justiça manteve uma liminar que garante a gestão do Sambódromo pela prefeitura do Rio de Janeiro, suspendendo uma lei que transferia a administração para o governo estadual.
Essa decisão judicial adiciona uma camada extra de complexidade às negociações mediadas por Fellows, uma vez que as questões de gestão envolvem não apenas as ligas carnavalescas, mas também diferentes esferas de governo com interesses potencialmente conflitantes.
Impacto econômico das divergências
As disputas entre a Liesa e a Liga RJ não são meramente administrativas - elas envolvem valores substanciais que impactam diretamente a viabilidade econômica das escolas de samba e a qualidade do espetáculo oferecido ao público. A comercialização de camarotes, espaços publicitários e produtos exclusivos gera receitas milionárias que deveriam beneficiar todo o ecossistema carnavalesco.
A concentração desses benefícios em favor de uma única organização, conforme denunciado pela Liga RJ, pode comprometer a sustentabilidade financeira das escolas da Série Ouro e criar um desequilíbrio estrutural que prejudica a competitividade e a qualidade dos desfiles.
Questionamentos sobre transparência
A postura da Riotur de postergar as discussões para após o carnaval levanta questionamentos sobre a real intenção de resolver os problemas identificados. Críticos argumentam que essa estratégia pode ser uma forma de ganhar tempo e permitir que as tensões se dissipem naturalmente, sem que sejam implementadas mudanças estruturais necessárias.
A falta de transparência nas negociações e a ausência de compromissos concretos por parte da Liesa sugerem que os problemas denunciados pela Liga RJ podem persistir mesmo após o carnaval, perpetuando um ciclo de disputas que prejudica a imagem e a organização do evento.
Responsabilidade institucional
Como presidente da Riotur, Bernardo Fellows tem a responsabilidade institucional de garantir que os recursos públicos destinados ao turismo sejam utilizados de forma eficiente e transparente. A mediação de conflitos entre organizações privadas, embora importante para a realização do carnaval, não pode comprometer a imparcialidade e a defesa do interesse público.
A situação atual exige uma postura mais firme da Riotur na defesa de práticas comerciais éticas e na garantia de que todos os participantes do ecossistema carnavalesco tenham acesso equitativo às oportunidades de geração de receita.
Carnaval 2024 do Rio de Janeiro tem censura, privilegiados e desrespeito à Imprensa
As janelas gradeadas, foram fechadas por ordem da Liesa, impedindo a “boa” visualização dos jornalistas que foram impedidos de acessar a pista. - Foto: Rodrigo Souza | Expresso Carioca
O Carnaval do Rio de Janeiro, um dos maiores espetáculos do mundo, deveria ser uma celebração aberta à cobertura jornalística transparente e livre. Porém, nos bastidores da Marquês de Sapucaí, o que se viu em 2024 foi um quadro de censura, favorecimento a influenciadores e desrespeito flagrante à imprensa, revelando uma face obscura da organização do evento.
Sala de Imprensa: Um Impedimento à Transparência

Sala da Imprensa – Para alguns, a cobertura do carnaval foi pelas janelas com grade, abertas até chegar a ordem de mantê-las fechadas. – Foto: Rodrigo Souza | Expresso Carioca
A liberdade de imprensa é uma pedra angular da democracia, porém, durante os desfiles de Carnaval, a sala de imprensa se tornou um local de “censura”. As janelas, únicas formas de visualização dos desfiles, foram gradeadas, impossibilitando a completa observação dos jornalistas e fotógrafos.

Cinegrafista Gordon Durnin da CGTN News um importante canal de notícias inglês, fazendo seu trabalho entre as grades das janelas. – Foto: Rodrigo Souza | Expresso Carioca
Os fotógrafos e cinegrafistas, que dependem de ângulos privilegiados para capturar a essência do espetáculo, encontraram suas lentes impedidas de captar a beleza dos desfiles. Já os jornalista, que precisam de uma visão ampla para analisar setor por setor e detalhes de cada agramiação, também não tiveram essa facilidade.
Caso fosse necessário havia outro meio de acompanhar os desfiles, uma TV de “42 polegadas” disponibilizada na sala, uma formiga diante de um elefante. Enquanto um telão de LED de mais de 300 polegadas mostrava apenas Tweets sobre o evento.
Além de todo desconforto, a água disponibilizada era quente em todos os dias como acontece em todos os anos, enquanto o café só foi disponibilizado nos desfiles do Grupo Especial, deixando claro a diferença entre as Ligas.
Em alguns momentos aparecia as meninas da “Águas do Rio” com água gelada, mas o a disponibilidade era por vontade própria e mesmo assim tinham que convencer os segurança de que o bebedouro não estava funcionando.
A rotina da maioria dos profissionais de imprensa é corrida e longa, é costume chegar ao local com pelo menos uma hora de antecedência, afim de se organizar para a cobertura que leva cerca de 12h por noite no local, muitas vezes com fome e “sede”.
Para um evento patrocinado por uma das maiores empresas de bebidas do Brasil, não ter uma água digna é vergonhoso e uma prova concreta de que a imprensa não é valorizada pela organização do evento.
Privilégios Injustificados e Desrespeito aos Profissionais
A distribuição de credenciais seguiu critérios duvidosos, privilegiando influenciadores em detrimento de jornalistas que trabalham arduamente durante todo o ano.
O descontentamento era notório entre os jornalistas desde que iniciaram as respostas negativas do credenciamento. Equipes inteiras foram cortadas, para exemplificar: um veículo de comunicação precisa muitas vezes de um mínimo de pessoas, o que chamamos de equipe de apoio: um jornalista, um repórter, um fotográfo ou cinegrafista e um técnico de apoio que fica no computador fixo na sala.
Sabemos que muitas vezes não é possível o credenciemanto de uma equipe muito grande, mas reduzir esse número a um profissional em um evendo de grande porte, é também um grande desrespeito.
Sem contar aqueles que sequer obteve acesso ao local, enquanto alguns veículos obtiveram cerca de 14 credenciais, e ainda foram agraciados com transito livre e coletes fixos.
Enquanto jornalistas foram barrados, influenciadores digitais celebravam nas redes sociais sua presença na Sapucaí, gerando ainda mais indignação entre os profissionais da imprensa.
As influenciadoras Anna Estrella e Victoria Terra postaram em suas redes sociais comemorando o credenciamendo para o Carnaval da Marquês de Sapucaí. O vídeo postado na sexta-feira (9), não foi bem recebido pela imprensa e internautas, que seguiram questionando os critérios de seleção da Liesa.

Após vetar jornalistas, Liesa prioriza influencers com acesso livre a pista dos desfiles. – Reprodução Redes Sociais
Credenciais, Coletes e Rodízio
Como divulgado internamente e também de forma pública nas redes sociais pela Rio Carnaval, segue na integra os seguintes tipos de credenciais, a partir da análise interna da Comissão de Credenciamento:
CREDENCIAL DE TRÂNSITO LIVRE ARMAÇÃO (TLA) – Permite acesso ao Sambódromo, circulação e permanência em todas as suas dependências (exceto nos locais destinados ao público pagante e a pista de desfiles), incluindo as áreas de concentração (na Avenida Presidente Vargas, de ambos os lados) e armação (no Setor 1).
CREDENCIAL DE TRÂNSITO LIVRE (TL) – Permite acesso ao Sambódromo, circulação e permanência em todas as suas dependências (exceto nos locais destinados ao público pagante e a pista de desfiles), incluindo apenas a área de concentração (na Avenida Presidente Vargas, de ambos os lados) no caso da pista de desfiles, com permanência vedada na armação (Setor 1) e na dispersão.
CREDENCIAL SERVIÇO PRESS (SV) – Permite acesso à concentração do Sambódromo (na Avenida Presidente Vargas, de ambos os lados), e permanência na sala de imprensa, salas destinadas a cada veículo ou cabines de rádio, quando for o caso. É proibida a permanência nos locais destinados ao público pagante e na dispersão, bem como é vedado o acesso à pista de desfiles.
Os números não foram divulgados, mas para a maior parte da imprensa a credencial cedida segundo análise interna foi CREDENCIAL SERVIÇO PRESS (SV). Limitando os jornalistas à concentração e a “sala de imprensa”. Para acessar a pista foram disponibilizados coletes.

A distribuição dos coletes ocorria de acordo com o grau de proximidade entre os profissionais e a equipe organizadora, privilegiando os mais íntimos com coletes fixos, alguns foram por critérios válidos, enquanto os demais eram submetidos ao famoso sistema de rodízio. No entanto, havia critérios decididos na hora para a utilização.
Por vezes jornalistas eram proibidos de pisar na pista, o motivo, era somente permitidos fotógrafos. Mesmo sabendo que pelo corte feito pela Liga, havia profissionais que estavam acumulando funções e o uso do celular para filmagem e fotos faz parte da vida profissional de um jornalista nos dias de hoje.
É nesse momento que mais privilégios eram expostos, enquanto um não poderia adentrar o recinto, os amigos eram contemplados com coletes. Eram fotógrafos? Não! Enquanto um era barrado pela sua função outros eram permitidos pela intimidade.
Critério duvidosos era o que não faltava, o fotógrafo que era permitido também era vetado de acordo com a sua mídia/veículo. Por vários momentos fotógrafos de rádios, foram impedidos de pegar o colete por ser fotógrafo de uma rádio.
Podemos pontuar que esse sistema falhava em sua aplicação, permitindo que alguns profissionais retivessem os coletes por períodos prolongados, às vezes durante todo o tempo dos desfiles.
Além disso, havia uma demora significativa na aquisição dos coletes, formando fila e tornando o processo ainda mais desorganizado. Os responsáveis pela equipe não tomavam providências diante dessas irregularidades, o que evidenciava uma falta de fiscalização e controle eficazes. Enquanto os jornalistas imploravam por um colete, os sorrisos e deboches eram contínuos diante das reclamações.
Aos nossos quase 40 milhões de leitores, fica aqui uma reflexão sobre o futuro do Carnaval Carioca
Diante desses acontecimentos, é crucial que a sociedade reflita sobre o futuro do Carnaval do Rio de Janeiro. A censura, os privilégios injustificados e o desrespeito à imprensa minam a credibilidade do evento e comprometem sua imagem internacional. É hora de exigir transparência, ética e respeito por parte da organização do Carnaval e das autoridades responsáveis.
O Carnaval é muito mais do que uma festa. É uma expressão cultural que atrai milhões de turistas e promove a diversidade e a criatividade do povo brasileiro. Portanto, é dever de todos zelar pela integridade e pelo prestígio desse evento tão emblemático. Que os próximos anos tragam mudanças positivas e um ambiente mais justo e inclusivo para todos os profissionais da imprensa e amantes do Carnaval.
A cobertura jornalística do carnaval desempenha um papel crucial na preservação e divulgação da cultura nacional. Os jornalistas, por meio de seu trabalho, trazem uma valiosa perspectiva histórica e social para essa festividade, enriquecendo a compreensão pública do Carnaval.
Através de reportagens, análises contextuais e entrevistas perspicazes, os profissionais da imprensa oferecem ao público uma visão abrangente das tradições, desafios e evoluções que caracterizam o Carnaval. Além disso, eles destacam as questões sociais e políticas que estão intrinsecamente ligadas a essa celebração, promovendo uma reflexão crítica sobre o seu impacto na sociedade.

Unidos do Viradouro – Foto: Rodrigo Souza | Expresso Carioca
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Fontes consultadas:
Veja Rio - Trégua: Liesa e Liga RJ entram em acordo
Veja Rio - Justiça mantém liminar sobre gestão do Sambódromo
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