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É cada vez mais difícil saber se a mochila nas costas carrega comida ou uma arma. Em todo o estado do Rio, criminosos têm se disfarçado de entregadores para cometer assaltos a qualquer hora do dia — e o medo virou rotina. A farda agora é colete de aplicativo, capacete espelhado e uma mochila colorida, muitas vezes comprada pela internet. Em vez de refeição, o que chega é ameaça e violência.
Diante do aumento dos casos, está em tramitação na Alerj o Projeto de Lei 6.847/22, que pretende organizar e fiscalizar o setor de entregas e acabar com a farra dos disfarces no delivery. O texto determina a criação de um cadastro estadual de entregadores, identificação obrigatória nas mochilas e coletes, crachá visível com nome e matrícula, além de multas para quem descumprir as regras, incluindo as próprias plataformas como iFood, Uber Eats, Rappi e 99.
A lei também estende a fiscalização a bicicletas motorizadas, motos e até veículos de aplicativo usados para entrega, hoje sem qualquer controle do poder público. Nas ruas, quem sofre é o povo. Moradores da Baixada Fluminense, especialmente em bairros de Nova Iguaçu como Austin, Morro Agudo, Km 32, Cabuçu e Centro, relatam o mesmo medo: quando veem dois numa moto com mochila, já atravessam a rua.
A resposta começa a chegar com a atuação conjunta da Guarda Municipal, do Segurança Presente e das equipes do 20º Batalhão da Polícia Militar, que atende Nova Iguaçu e Mesquita. Nos últimos meses, blitze frequentes têm apreendido mochilas falsas, armas, celulares roubados e até foragidos da Justiça, todos usando o disfarce de entregador para circular livremente. Segundo relatos, muitos dos abordados não estão cadastrados em nenhum aplicativo e agem com total liberdade.
Agentes da segurança afirmam que a ausência de uma legislação clara dificulta a fiscalização efetiva. “A gente aborda, mas sem respaldo legal é difícil manter esse criminoso fora de circulação. Essa lei vem para reforçar nossa atuação e proteger tanto a população quanto o trabalhador honesto”, disse um policial do 20º BPM que participa das operações em bairros como Comendador Soares e Vila de Cava.
A proposta não criminaliza o entregador de verdade — pelo contrário, visa proteger quem realmente vive da entrega, enfrenta sol, chuva e insegurança para garantir o sustento da família. A ideia é clara: separar o trabalhador do bandido travestido de trabalhador.
Enquanto a proposta ainda aguarda votação final, a insegurança continua circulando pelas ruas, muitas vezes de mochila nas costas. E o que deveria ser apenas um pedido de lanche, virou mais um alerta: cuidado, o entregador pode ser um ladrão disfarçado.
Por: Arinos Monge
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