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Mesmo sem guerra declarada, Brasil entra no top 10 dos países mais violentos do mundo, passando na frente até de nações em conflito como Ucrânia e Síria.
Por incrível que pareça — e com um certo gosto amargo na boca — o Brasil está no grupo dos países mais violentos do planeta, segundo o relatório anual da organização ACLED (Armed Conflict Location and Event Data). E não é qualquer colocação: o país aparece em 6º lugar, à frente de lugares que enfrentam guerras abertas, como Ucrânia, Somália, Síria e Iraque.
Pode parecer exagero, mas os dados não mentem. O que pesa contra o Brasil não é um exército inimigo invadindo fronteiras — e sim o avanço de facções criminosas, milícias armadas, violência policial e confrontos entre grupos rivais. Uma guerra interna, não declarada, mas visível no dia a dia de milhões de brasileiros.
O Brasil está entre os líderes mundiais... em tragédia
De acordo com o ACLED, o país registrou, só em 2023, 14 conflitos armados não estatais — ou seja, guerras entre grupos civis armados — com um saldo de cerca de 5 mil mortes. Para efeito de comparação: a Ucrânia vive uma guerra formal contra a Rússia, mas ficou abaixo do Brasil nesse ranking de conflitos violentos.
Além disso, entre 2018 e 2022, o Brasil foi o quarto país do mundo com mais episódios de violência política, ficando atrás apenas de Ucrânia, Mianmar e Síria. Foram mais de 7.900 eventos, com assassinatos, ameaças, atentados e repressões.
E tem mais: segundo relatório da ONU, o Brasil lidera em número absoluto de homicídios no mundo, com 47.722 mortes em 2020 — o equivalente a 10% dos assassinatos globais.
Guerra urbana: o inimigo veste roupa comum
O grande drama brasileiro é que a violência aqui tem rosto conhecido. Está no transporte público, nos becos das comunidades, nas abordagens policiais, nas disputas territoriais entre milicianos e traficantes. A guerra é urbana, é diária, e atinge principalmente jovens negros, moradores de periferia e trabalhadores comuns.
E o Estado? Muitas vezes entra como parte do problema, com forças de segurança despreparadas, mal equipadas ou até envolvidas com o crime organizado.
O que esse ranking diz sobre a gente?
Mais do que um número em um relatório, esse alerta global escancara o que muita gente sente na pele todos os dias: o medo de sair de casa, de perder um filho para a bala perdida, de ser vítima de uma violência que parece não ter fim.
O Brasil vive uma guerra silenciosa, que não aparece nas manchetes como “conflito armado”, mas que mata tanto quanto — ou até mais.
E agora?
Enquanto não houver um plano nacional sério de segurança pública, que ataque de frente o tráfico, as milícias e a desigualdade, vamos continuar disputando posições em rankings que ninguém quer liderar.
O Brasil tem um povo guerreiro. Mas está mais do que na hora de a guerra ser contra a violência — e não entre nós.
Por: Arinos Monge.
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