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Se tem uma coisa que o Brasil sabe fazer bem é criar milionário. Segundo o relatório do banco suíço UBS, já são mais de 433 mil brasileiros com patrimônio acima de 1 milhão de dólares. É quase como se, a cada esquina, brotasse um novo magnata com champanhe na mão e isenção fiscal no bolso. O país agora lidera a América Latina nesse quesito. Palmas para nós. Ou melhor, palmas para eles.
Mas se engana quem acha que esse mar de grana molha o pé da maioria. Nada disso. Enquanto meia dúzia de felizardos surfa na onda da riqueza, o restante da população tenta equilibrar o orçamento entre o arroz parcelado e a conta de luz renegociada. O Brasil pode até fabricar milionários em ritmo acelerado, mas continua sendo campeão mundial em desigualdade. Um troféu que ninguém quer erguer, mas que a gente carrega com maestria.
O 1% mais rico do país concentra quase metade de toda a riqueza nacional. Ou seja, a pizza é grande, mas só uma fatia — aquela com recheio triplo de queijo suíço — vai para os donos do pedaço. O resto? Fica com a borda. Queimada.
E nem adianta vir com esse papo de meritocracia. A única coisa que sobe rápido nesse país é o preço da gasolina. Porque enquanto uns herdam imóveis, empresas e offshores, outros herdam dívida, desemprego e fila no posto de saúde. É a famosa corrida onde uns largam de jatinho e outros a pé, sem tênis.
A diferença de renda é tão gritante que parece piada. O 1% lá de cima embolsa, em média, R$ 20 mil por mês, enquanto os 40% mais pobres sobrevivem com R$ 527 mensais. Isso dá uns três botijões de gás, um fardo de arroz e, se sobrar, um desodorante para disfarçar o calor do inferno social em que vivem.
E ainda tem quem ache que o país está “avançando”. Está sim, rumo ao pódio dos mais injustos. O índice de Gini, que mede desigualdade, não sai da casa dos 0,54 — patamar digno de manual de como concentrar riqueza sem corar de vergonha.
Enquanto isso, a turma da cobertura torra em iPhones de última geração, jantares em rooftop e viagens para Maldivas. Já a galera do asfalto torce pra não faltar carne moída na promoção de quarta-feira. A escada social virou elevador exclusivo. E a senha de acesso é o sobrenome.
Mas fiquemos tranquilos. O relatório diz que, até 2028, o número de milionários vai aumentar. Que alegria. Só esqueceram de avisar que o número de miseráveis continua crescendo também — só não sai na capa da revista de negócios.
O Brasil virou especialista em desigualdade com glamour. Produz ricos com eficiência suíça e pobres com abandono tropical. É um case de sucesso para os bilionários e um drama diário para quem vive no BRT lotado, no hospital sem médico, na escola sem professor.
Milionário por aqui nasce, cresce e multiplica. Já o resto da população? Essa reza pra não morrer tentando.
Por: Arinos Monge.
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