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Prefeitura do Rio investe em eventos cristãos de direita, reforçando aproximação com o eleitorado bolsonarista
A Prefeitura do Rio de Janeiro, sob o comando de Eduardo Paes (PSD), autorizou o patrocínio de R$ 1,9 milhão para a realização da tradicional Marcha para Jesus. O despacho foi publicado no Diário Oficial do município no último dia 12, com o contrato sendo assinado por meio da Secretaria da Casa Civil, em mais um movimento do prefeito para manter sua aproximação com o segmento evangélico.
"O prefeito Eduardo Paes não abandona o público evangélico tão duramente conquistado", observam analistas políticos, que veem na medida uma clara estratégia de manutenção de apoio junto a uma importante base eleitoral na cidade.
Um evento de grandes proporções
A Marcha para Jesus, que chega à sua 18ª edição no Rio, está programada para o próximo sábado (24), com concentração marcada para as 14h na Avenida Presidente Vargas, no Centro da cidade. Os participantes seguirão em caminhada até a Praça da Apoteose, onde está prevista uma programação especial com apresentações musicais e ministrações religiosas.
O evento é considerado um dos maiores encontros cristãos do país, mobilizando dezenas de milhares de fiéis em uma demonstração pública de fé. A expectativa dos organizadores é superar o número de participantes das edições anteriores, consolidando a Marcha como um dos principais acontecimentos do calendário religioso da cidade.
Estratégia política consolidada
O patrocínio à Marcha para Jesus representa apenas uma das várias iniciativas de Eduardo Paes para estreitar laços com o segmento evangélico. Em dezembro do ano passado, o prefeito anunciou a construção do primeiro centro temático do município, batizado de "Terra Prometida", que será instalado em Santa Cruz, na Zona Oeste.
O novo equipamento, que substituirá a atual Cidade das Crianças Leonel Brizola, será inspirado na cultura evangélica, evidenciando a prioridade dada pela gestão municipal a esse público específico. A escolha do nome "Terra Prometida", com clara referência bíblica, reforça o direcionamento do projeto.
Questionamentos sobre laicidade
A intensificação dessas ações não passou despercebida por organizações da sociedade civil. Recentemente, o Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (Ceap) protocolou uma representação no Ministério Público Federal (MPF) contra o prefeito, alegando favorecimento indevido ao público evangélico.
"Os rapapés são tantos" que levaram à formalização da denúncia, que questiona se as iniciativas da prefeitura estariam respeitando o princípio constitucional da laicidade do Estado, que determina a separação entre poder público e religião. Até o momento, não houve manifestação oficial do MPF sobre o caso.
Enquanto a representação segue seu curso legal, a prefeitura continua com os preparativos para garantir a infraestrutura necessária ao evento, incluindo esquemas especiais de trânsito, segurança e atendimento médico para os participantes da Marcha.
A realização do evento com recursos públicos levanta o debate sobre os limites entre apoio cultural a manifestações religiosas e possível favorecimento a determinados segmentos, em detrimento de outros grupos religiosos ou não religiosos da sociedade carioca.
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