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O Governo do Estado do Rio de Janeiro entregou nesta segunda-feira (22) ao Supremo Tribunal Federal (STF) o Plano Estratégico de Reocupação Territorial. Elaborado pela Secretaria de Segurança Pública, o documento atende às determinações da ADPF 635 e estabelece diretrizes para a retomada e manutenção de territórios dominados pelo crime organizado.
A proposta prevê a atuação integrada dos governos estadual, municipal e federal, combinando ações de segurança pública com a oferta permanente de serviços sociais. O projeto-piloto será implementado em comunidades do Cinturão de Jacarepaguá, na Zona Sudoeste da capital.
Segundo o governador Cláudio Castro, a reocupação vai além do retorno das forças policiais. “O termo reocupação não se refere apenas ao retorno da polícia, mas à volta do Estado, unindo os poderes e promovendo transformação social”, afirmou.
O objetivo central é garantir presença contínua do poder público, com foco na permanência das ações e na melhoria das condições de vida dos moradores, conforme diretrizes estabelecidas pelo STF.
Estudos técnicos apontaram como prioridade as comunidades de Gardênia Azul, Rio das Pedras e Muzema. Os critérios incluíram criticidade, alcance populacional, indicadores sociais e risco de expansão territorial do crime.

Cláudio Castro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
A região, marcada pela atuação de milícias e disputas entre facções, concentra cerca de 1,2 milhão de pessoas. O plano busca desarticular a economia criminosa e restabelecer a ordem pública e a dignidade dos moradores.
Qual o impacto econômico do crime na região?
Estimativas apontam que o crime organizado tenha movimentado valores expressivos na área:
Outras fontes de lucro, como água em galão, mototáxi e taxas ao comércio, ainda estão em fase de cálculo.
Para o secretário de Segurança Pública, Victor dos Santos, a ação busca conter a expansão do Comando Vermelho. “A reocupação visa interromper a consolidação da facção em uma área estratégica e demonstrar a capacidade de atuação integrada do Estado”, disse.
O documento tem 232 páginas e define diretrizes operacionais e estratégicas voltadas à redução da violência e à preservação da vida. Também servirá de base para planos táticos específicos em cada território.
O plano está organizado em cinco eixos temáticos:
Pesquisa encomendada à Secretaria de Desenvolvimento Social ouviu 400 moradores da região. Do total, 58,5% afirmaram ter boas expectativas em relação ao plano, e 39% acreditam em melhora na qualidade de vida.
Entre os principais problemas apontados estão infraestrutura, questões ambientais, desordem urbana e segurança. As melhorias mais esperadas envolvem saúde, educação, saneamento, esporte e lazer.
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