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Executivo descarta venda em audiência que marca 50 anos da empresa
O diretor da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae), Humberto Mello, negou categoricamente a existência de estudos para venda da estatal durante audiência pública na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). A declaração ocorreu em sessão da Comissão de Saneamento Ambiental que coincidiu com o cinquentenário da empresa, simbolizando momento crucial para definição dos rumos do saneamento estadual.
"O que temos é uma empresa que está estudando o futuro da Cedae para os próximos 20 anos, mas não há qualquer trabalho referente à venda da companhia", enfatizou Mello. A negativa surge em contexto de especulações sobre possível privatização, alimentadas pela contratação de consórcio de instituições financeiras para elaborar estudo de viabilidade econômico-financeira visando fortalecer o capital da estatal.
Lucro bilionário reforça argumentos contra privatização
Os números financeiros da Cedae contradizem narrativas de inviabilidade econômica frequentemente associadas a empresas estatais. Apenas em 2024, a companhia registrou lucro de aproximadamente R$ 1 bilhão, segundo dados da Secretaria Estadual da Casa Civil. O desempenho robusto ocorre mesmo após reestruturação que limitou atuação da empresa à captação e tratamento de água desde 2021.
Jorge Briard, integrante do Conselho de Administração da Cedae, defendeu manutenção do controle estatal baseado em critérios técnicos e financeiros. "A Cedae é lucrativa e não precisa entregar seu controle acionário a investidores privados. A empresa tem créditos a receber, especialmente de repasses não realizados pelas concessionárias, que somam bilhões de reais", argumentou o conselheiro.
Modelo híbrido gera receitas expressivas para Estado
A atual configuração da Cedae resulta de leilão realizado em 2021, que transferiu distribuição de água e coleta de esgoto para concessionárias privadas Águas do Rio, Aegea e Iguá por período de 35 anos. A estatal manteve atividades de captação e tratamento, posicionando-se como fornecedora atacadista para as concessionárias distribuidoras.
O modelo híbrido preserva controle público sobre recursos hídricos estratégicos enquanto permite participação privada na distribuição. Segundo Briard, a empresa possui "plano de investimentos robusto e é autossustentável, gerando receita ao Estado" através de contratos de fornecimento com as concessionárias.
Deputados alertam para riscos à segurança hídrica
O presidente da Comissão de Saneamento Ambiental da Alerj, deputado Jari Oliveira (PSB), classificou eventual privatização como "grave atentado à segurança hídrica do Rio de Janeiro". O parlamentar enfatizou dimensão estratégica da companhia no abastecimento de milhões de fluminenses, alertando para riscos de transferir controle de recurso essencial para iniciativa privada.
"A companhia é um ativo estratégico do Estado, responsável pelo abastecimento de milhões de fluminenses. Sua desestatização representaria não apenas um risco à soberania administrativa, mas também um grave atentado à segurança hídrica do Rio de Janeiro", declarou Oliveira. A audiência evidencia tensão entre pressões por privatização e defesa do caráter público de serviços essenciais, definindo agenda política crucial para próximos anos no setor de saneamento fluminense.
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