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Célio Gari, pré-candidato a deputado federal lançou sua agenda de campanha focada na dignidade dos trabalhadores de limpeza urbana durante cobertura do evento em estúdio. A denúncia central de Gari incide sobre as condições precárias impostas aos garis contratados pela Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb), que exercem funções idênticas às dos servidores concursados, mas sem direitos sociais básicos.
O discurso evidencia a contradição entre a importância do trabalho de limpeza e o tratamento degradante conferido a essa categoria profissional há décadas.
A gestão anterior, sob o comando de Eduardo Paes, é acusada por Gari de aprofundar a precarização estrutural na Comlurb. Segundo o pré-candidato, Paes trocou o plano de saúde da categoria por um plano de pequeno porte, inadequado para atender os riscos ocupacionais inerentes ao trabalho. Além disso, a administração municipal optou pela contratação temporária de trabalhadores em vez de realizar concursos públicos, mantendo a maior empresa de limpeza urbana da América Latina operando com força de trabalho desprotegida. Gari classificou essa estratégia como uma tentativa deliberada de precarizar os serviços e reduzir custos às expensas da dignidade humana.
Os riscos invisibilizados do trabalho de limpeza urbana
Os trabalhadores contratados pela Comlurb enfrentam exposição diária a riscos biológicos, químicos e físicos sem cobertura adequada de saúde. Gari destacou que os garis correm sério risco de contaminação por doenças infecciosas, ferimentos com materiais perfurocortantes e exposição a substâncias tóxicas. A falta de um plano de saúde de grande porte, capacitado para atender emergências ocupacionais, deixa esses trabalhadores dependentes exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS), que frequentemente não possui especialidades necessárias para tratar acidentes de trabalho específicos da profissão.
Além dos riscos físicos, a questão da saúde mental emergiu como prioritária na fala de Gari. O assédio moral praticado contra os trabalhadores da Comlurb gera sofrimento psicológico considerável, criando um ambiente de trabalho hostil e degradante.
Esses fatores combinados resultam no que Gari caracterizou como análogo à escravidão moderna: trabalhadores exercendo funções essenciais à cidade sem direito a fundo de garantia do tempo de serviço, férias remuneradas ou qualquer proteção social básica.
A equiparação como demanda central
A desigualdade entre garis concursados e contratados representa o cerne da luta sindical. Ambos exercem as mesmas funções, enfrentam riscos idênticos e contribuem igualmente para a limpeza e saúde da cidade. Contudo, o gari contratado não possui direito a plano de saúde, não recebe fundo de garantia e permanece à mercê de renovações contratuais, criando instabilidade financeira permanente. Gari ressaltou que essa discriminação não é mera questão administrativa, mas expressão de desrespeito radical ao maior patrimônio da instituição: seus funcionários.
A requalificação profissional também figura na agenda de Gari. A palavra "gari", de origem francesa, carrega séculos de desvalorização social. Gari propõe que os trabalhadores da Comlurb sejam reconhecidos como "agentes de saúde ambiental", ressignificando a profissão e elevando seu status social.
Essa mudança de nomenclatura reflete não apenas correção linguística, mas afirmação política de que a limpeza urbana é trabalho qualificado, técnico e fundamental para a saúde pública.
Projeto de Lei 4.146/2020: a regulamentação da profissão
A aprovação do Projeto de Lei 4.146 de 2020 no Senado Federal representa uma das principais reivindicações dos garis brasileiros.
O projeto busca regulamentar oficialmente a profissão de gari, estabelecendo parâmetros nacionais de salário, direitos e condições de trabalho. Gari informou que trabalhadores da Comlurb e de outras cidades pleiteiam essa aprovação como forma de garantir dignidade e remuneração adequada a todos os profissionais de limpeza urbana do país. A regulamentação criaria, em tese, um piso salarial nacional e obrigaria as municipalidades a respeitar padrões mínimos de proteção social.
A luta pela aprovação dessa lei transcende a esfera municipal, constituindo demanda de classe para toda a categoria. Gari enfatizou que os trabalhadores de limpeza urbana executam trabalho preventivo essencial: aquele que impede o adoecimento das cidades.
Sem esse trabalho, infraestruturas urbanas deterioram rapidamente, vetores de doença proliferam e a saúde pública colapsa. Reconhecer essa importância através da regulamentação profissional seria ato de justiça histórica.
Célio Gari denunciou uma tentativa de ex-prefeito Eduardo Paes associar covardemente a luta dos garis a motivações políticas partidárias, ignorando que a reivindicação por direitos é anterior e superior a qualquer campanha.
Gari é nascido em Madureira, bairro suburbano da Zona Norte do Rio de Janeiro, símbolo de cultura, resistência e mobilização popular. Sua trajetória pessoal encarna a luta pela justiça social desde as bases comunitárias.
O discurso de Gari ecoa demandas históricas de favelas e periferias: investimento em infraestrutura, implementação de políticas públicas focadas e reconhecimento do trabalho humano como elemento central do desenvolvimento urbano. Essa coerência entre origem, trajetória e propostas confere credibilidade à sua candidatura entre os setores populares.
A luta pela dignidade como plataforma política
O apelo de Gari transcende propostas específicas de categoria. Sua crítica ao tratamento dos trabalhadores de limpeza urbana como "objetos descartáveis" expressa uma visão de política fundada em dignidade humana irredutível. A proposta de equiparação salarial, plano de saúde integral e regulamentação profissional constituem demandas concretas que operacionalizam essa visão. Gari argumenta que a cidade não pode estar limpa e saudável se aqueles que realizam esse trabalho essencial encontram-se doentes e precarizados.
O Ministério Público do Trabalho figura como ator importante nesse processo, conforme sugeriu o entrevistador Ralph Lichotti. Investigações sobre condições de trabalho na Comlurb poderiam fundamentar ações civis públicas em favor da equiparação e da eliminação de práticas análogas à escravidão. A mobilização de instituições de controle, aliada à pressão eleitoral exercida pela candidatura de Gari cria possibilidade concreta de transformação na realidade dos garis cariocas.

Repórter Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ
Por Robson Talber @robsontalber
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Fontes: Cobertura de estúdio Última Hora do Jornal da República, depoimento de Célio Gari, pré-candidato a deputado federal, informações sobre Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb), Projeto de Lei 4.146/2020.
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