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Maricá ignora liberdade? Projeto em memória de jornalista a Romário Barros assassinado é barrado por Líder do PT e bancada de Quaquá na Câmara
A liberdade de expressão, pilar fundamental de qualquer sociedade democrática, tornou-se palco de um intenso debate e de uma decisão controversa na Câmara Municipal de Maricá.
Em uma votação que gerou repercussão e levantou sérias preocupações, foi rejeitado um projeto de lei que visava instituir o Dia Municipal da Liberdade de Expressão.

A proposta, de autoria do vereador Ricardinho Netuno, buscava criar uma data oficial para celebrar e refletir sobre este direito essencial, com um simbolismo profundo ligado à memória de um jornalista local que teve sua voz silenciada de forma trágica. A rejeição do projeto, por ampla maioria, acendeu o alerta sobre o compromisso das autoridades locais com a imprensa livre e o pluralismo de ideias.
Os registros da votação indicam que a proposta, que inicialmente sugeria a data de 17 de janeiro, foi barrada por 10 votos contrários e apenas 4 favoráveis. O primeiro a manifestar seu posicionamento contrário foi o vereador Hadesh, líder do Partido dos Trabalhadores (PT) e representante do governo na Câmara.
Em meio à polarização na Casa Legislativa, destacaram-se as vereadoras Adriana Costa (PDT) e Rita Rocha (PT), que demonstraram notável independência ao votarem a favor do projeto, mesmo sendo parte da base de apoio ao governo municipal. A contagem final de 10 votos contra e 4 a favor resultou no arquivamento da proposta pelo presidente em exercício da Câmara.
O desdobramento na Câmara ocorre em um momento delicado para a imprensa local. O portal Maricá Info, um dos veículos de comunicação mais tradicionais e influentes da cidade, relatou ter sofrido tentativas de censura nos últimos meses.
Segundo o portal, as pressões teriam origem em matérias que abordavam temas sensíveis e que não agradaram a setores do governo municipal. O veículo reafirmou seu compromisso de longa data com o jornalismo comunitário, a defesa dos interesses da população e a busca por informações transparentes, especialmente aquelas relacionadas a problemas da cidade e a projetos anunciados que geram expectativa entre os cidadãos.
A escolha da data de 18 de junho para a instituição do Dia Municipal da Liberdade de Expressão, conforme proposto em uma nova versão do projeto (PL nº 0159/2025), carrega um significado histórico e doloroso para Maricá. Esta data marca o dia, em que o jornalista Romário Barros, fundador do portal Lei Seca Maricá (LSM), foi assassinado.
Romário Barros era amplamente conhecido por seu trabalho investigativo e independente, caracterizado por uma cobertura crítica e combativa do cotidiano político e social do município.
Sua atuação foi marcante na defesa intransigente da liberdade de imprensa e no compromisso com a verdade e o interesse público, muitas vezes dando voz a temas e pessoas que antes permaneciam à margem do debate público.
A nova proposição legislativa, que aguarda análise pela Câmara nesta terça-feira, 18 de junho de 2025, conforme registrado nos documentos, mantém o objetivo central de homenagear a memória de Romário Barros, mas, acima de tudo, de fomentar a reflexão, o debate e a conscientização sobre a importância inegociável da liberdade de expressão como um direito fundamental e um pilar para o fortalecimento da democracia e do pluralismo de ideias.
O projeto prevê a possibilidade de realização de diversas atividades no Dia Municipal da Liberdade de Expressão, como palestras, seminários e debates sobre a relevância da liberdade de expressão e seus limites, campanhas educativas em escolas e espaços públicos, eventos culturais que celebrem a liberdade de criação artística e a divulgação de materiais informativos sobre os direitos e responsabilidades inerentes a este direito fundamental.
A liberdade de expressão, constitucionalmente assegurada, constitui a base sobre a qual se constrói um Estado Democrático de Direito verdadeiramente sólido e participativo.
No entanto, a realidade demonstra que, mesmo com a previsão legal, comunicadores, artistas e cidadãos ainda enfrentam tentativas de censura, perseguição e intimidação em diversas esferas da sociedade, este veículo mesmo de jornalismo já sofreu com a fúria de Quaquá bêbado e aos berros no meio da rua, quando foi tentar fazer uma entrevista no Circo Voador.
A instituição de uma data municipal dedicada a este tema em Maricá seria um gesto simbólico poderoso e um marco concreto para reafirmar o compromisso da cidade com os valores democráticos, o respeito às opiniões divergentes e o combate a qualquer forma de opressão e silenciamento.
A aprovação deste projeto representaria não apenas uma homenagem póstuma a Romário Barros, mas, principalmente, um fortalecimento da cultura democrática em Maricá, incentivando um ambiente de debate livre, justo e solidário para todos os cidadãos.

Realidade: Violência e falta de apoio marcam cenário para jornalistas
A realidade do exercício do jornalismo no Brasil tem se tornado progressivamente mais desafiadora, com o país figurando em alarmantes posições no ranking de locais mais perigosos para os profissionais da informação. Nesse cenário preocupante, Maricá, no litoral fluminense, emerge como um ponto crítico, destacando-se como um dos municípios mais violentos para a prática jornalística.
Nos últimos três anos, Maricá registrou a chocante marca de três assassinatos de jornalistas, em casos que abalaram a comunidade e ressaltaram a precariedade e o risco inerentes ao trabalho de informar a população.
As vidas de Robson Giorno, Romário Barros e Willian Fernandes Filho foram ceifadas, em tragédias que simbolizam o alto preço pago por aqueles que ousam investigar e noticiar os fatos em uma cidade marcada por tensões. Maricá, governada por Washington Quaquá durante anos e ainda sob sua influência política, enfrenta críticas sobre o estilo de gestão que muitos classificam como autoritário e contraditório.
Quaquá uma espécie de fascista travestido de petista, autoritário e populista, mantém forte presença na política local, tornou-se figura controversa após episódios como a agressão a um deputado evangélico no Congresso Nacional e por aparecer em registros fotográficos ao lado de generais, milicianos e figuras políticas de espectros ideológicos opostos ao que teoricamente representa.
Críticos apontam que a administração municipal tem utilizado o expressivo orçamento de Maricá, impulsionado pelos royalties do petróleo, de forma questionável, priorizando anúncios de projetos de grande visibilidade midiática, mas com execução frequentemente adiada ou incompleta. Um exemplo recente é o investimento anunciado de quase 100 milhões de reais em diversos projetos arquitetônicos assinados por Niemeyer, sem que haja um plano piloto comprovadamente viável ou estudos de impacto conclusivos. Essa estratégia é vista por opositores como uma tentativa de rivalizar com o município vizinho de Niterói, reconhecido por indicadores positivos de qualidade de vida, diferente da relidade de Maricá.
O contraste entre o orçamento bilionário e a realidade vivenciada pela população tem gerado questionamentos. Enquanto a administração investe em projetos de grande visibilidade, serviços essenciais como saneamento básico e assistência à saúde primária continuam deficitários, segundo relatos de moradores e levantamentos independentes. Esta disparidade entre o potencial financeiro do município e a qualidade dos serviços públicos oferecidos tem sido tema recorrente nas investigações jornalísticas locais, justamente o tipo de cobertura que coloca profissionais da imprensa em situação de vulnerabilidade.
Além das perdas irreparáveis, agressões físicas contra jornalistas são frequentemente registradas, muitas vezes sem o devido registro oficial, o que contribui para a disseminação de um clima de impunidade e aumenta a sensação de vulnerabilidade para quem está na linha de frente da informação. Este ambiente hostil contrasta de forma drástica com os princípios democráticos que a liberdade de imprensa busca salvaguardar.

Veículos como Maricá Info, Jornal Barão de Inohan, TVC – TV Copacabana e Jornal da Maricá RJ Notícia relatam que, diferentemente do passado, quando recebiam suporte da Agência de Comunicação da Prefeitura, agora se veem excluídos de tal apoio sem justificativas claras. Estes afirmam que uma percepção generalizada de que o governo prioriza empresas de comunicação mais "manipuláveis" e produtoras de "matérias compradas", em detrimento dos negócios locais que possuem laços mais fortes e um papel significativo na economia e na comunidade maricaense.
Apesar deste cenário adverso de violência, falta de apoio e denúncias de censura velada, os jornalistas de Maricá reafirmam seu compromisso com a profissão e com a sociedade. Eles se veem como a voz da população que clama por ajuda e justiça, assumindo a responsabilidade de informar e fiscalizar o poder público mesmo diante dos riscos. A Associação de Imprensa de Maricá (AIM), embora enfrente desafios internos e críticas sobre sua atuação e engajamento com a categoria, continua sendo um ponto de referência nessa luta. Membros da associação lamentam a ausência de diálogo com a atual secretária de comunicação e sentem falta da abertura demonstrada por gestões anteriores, como as dos ex-secretários Izabel Ribeiro e Olavo Noleto. A frase "Quando tentam nos calar, é porque estamos no caminho certo!" ecoa entre os jornalistas locais, que se autodenominam o "Quarto Poder", sublinhando a importância de sua função na estrutura democrática.
A rejeição do projeto que instituía o Dia Municipal da Liberdade de Expressão, em um momento em que a liberdade de imprensa é tão duramente testada em Maricá, serve como um chamado de atenção urgente para toda a sociedade. A luta dos jornalistas locais contra a violência, a impunidade e as tentativas de cerceamento da informação não é apenas uma causa da categoria, mas uma questão fundamental para a própria sobrevivência da democracia e para a garantia de que a verdade prevaleça e que os direitos fundamentais de todos os cidadãos sejam respeitados. O apoio e a valorização do trabalho da imprensa local tornam-se, portanto, um imperativo para a construção de uma sociedade mais justa, transparente e verdadeiramente livre em Maricá.
Morte de Romário Barros completa 6 anos
A morte cruel do jornalista Romário Barros, no dia 18 de junho de 2019, marcou negativamente a cidade de Maricá, que já vinha de um brutal assassinato do criador de outro jornal, o JOM, Robson Giorno.
Romário voltava de uma caminhada na orla de Araçatiba, quando, ao entrar em seu carro, foi surpreendido por um criminoso que atirou covardemente contra ele, sem chance de defesa.
Posteriormente, investigações da Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo desvendaram que Rodrigo José Barbosa, o Rodrigo Negão, foi o executor. Ele chegou a ser preso, mas, ao ser solto, foi assassinado dentre de sua residência. O motivo da morte de Romário, no entanto, permanece desconhecido.
Maricá se fu com Puy du Fou: Franceses dizem 'non merci' e deixam Quaquá falando sozinho
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De Paris a lugar nenhum, Maricá leva o maior bolo da história: Parque francês dá um pé na bunda de Maricá e deixa Quaquá de queixo caído
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