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Retrato do advogado desaparecido na ditadura é inaugurado em solenidade que reuniu desembargadores e lideranças jurídicas

Uma cerimônia carregada de emoção e simbolismo marcou a inauguração do retrato de Fernando Santa Cruz na Faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói. O evento, que homenageou o advogado desaparecido durante a ditadura militar brasileira e pai do renomado jurista Felipe Santa Cruz, transformou-se em um poderoso ato de memória, verdade e justiça que tocou profundamente todos os presentes.
A solenidade contou com a presença de autoridades de alto escalão do Judiciário e da advocacia brasileira, incluindo os desembargadores Marco Aurélio e William Douglas, a diretora da UFF Fernanda Pimentel, além de diversas outras personalidades do meio jurídico. Entre os participantes, destacou-se a presença do advogado Márcio Aleluia, vice-diretor de Assuntos Legislativos da OAB/RJ e membro da Comissão Nacional da Promoção da Igualdade no Conselho Federal da OAB.
O momento transcendeu uma simples inauguração de retrato, configurando-se como um marco simbólico na luta pela preservação da memória democrática brasileira. Fernando Santa Cruz, que desapareceu durante os anos de chumbo da ditadura militar, teve sua trajetória e sacrifício reconhecidos oficialmente pela comunidade acadêmica e jurídica, representando não apenas sua história individual, mas o sofrimento de milhares de brasileiros que lutaram pela democracia.
Legado de coragem e resistência
A cerimônia evidenciou como a coragem de Fernando Santa Cruz permanece viva, ecoando através das gerações e inspirando novos defensores da justiça e da liberdade. Seu filho, Felipe Santa Cruz, transformou a dor da ausência paterna em uma bandeira permanente de defesa dos direitos humanos e da democracia, tornando-se uma das principais vozes da advocacia brasileira na luta contra o autoritarismo.
"Fernando Santa Cruz desapareceu durante a ditadura militar. Mas sua coragem não desapareceu", destacou Márcio Aleluia em seu relato emocionado sobre a cerimônia. O advogado enfatizou que a presença do homenageado se fez sentir "na emoção, na memória, na luta e na esperança" de todos os presentes, demonstrando como o legado dos que foram silenciados continua inspirando as novas gerações.
A solenidade serviu como um lembrete poderoso de que a democracia brasileira foi construída com vidas, sacrifícios e histórias interrompidas pela violência do regime autoritário. O reconhecimento oficial da trajetória de Fernando Santa Cruz representa não apenas justiça histórica, mas também um compromisso coletivo com a preservação dos valores democráticos conquistados a duras penas.
Compromisso com o futuro democrático
O evento na UFF transcendeu a celebração do passado, configurando-se como uma convocação para o futuro. Os participantes saíram da cerimônia com o compromisso renovado de construir um Brasil onde nenhum cidadão seja perseguido por suas ideias, sonhos ou pela busca de um país melhor. Esta mensagem ressoa especialmente em tempos onde a democracia enfrenta novos desafios e ameaças.
A presença de autoridades como os desembargadores Marco Aurélio e William Douglas conferiu ainda maior solenidade ao evento, demonstrando o reconhecimento institucional da importância de preservar a memória dos que lutaram pela democracia. A participação da diretora Fernanda Pimentel simbolizou o compromisso da academia em manter viva a discussão sobre direitos humanos e justiça social.
Márcio Aleluia, que atua como diretor adjunto da Diretoria da Previdência Social e é especialista em direito previdenciário e civil, ressaltou que a cerimônia representou um momento de profunda reflexão sobre o papel de cada cidadão na construção e preservação da democracia. "Lembrar é também lutar", afirmou, destacando que manter viva a memória dos silenciados é um compromisso ético, moral e profundamente humano.
Impacto na comunidade jurídica
A inauguração do retrato de Fernando Santa Cruz na Faculdade de Direito da UFF estabelece um marco permanente para futuras gerações de juristas, que poderão conhecer e se inspirar na trajetória de quem pagou o preço máximo pela defesa da justiça. O local escolhido para a homenagem não é casual: uma faculdade de direito representa o berço da formação de novos defensores da lei e da ordem democrática.
A cerimônia também destacou o papel fundamental da OAB na preservação da memória democrática e na defesa dos direitos humanos. A participação ativa de dirigentes da entidade, como Márcio Aleluia, demonstra o compromisso institucional da advocacia brasileira em honrar aqueles que abriram caminho para o exercício livre da profissão e da cidadania.
O evento serviu como um poderoso lembrete de que a democracia não é um bem garantido, mas uma conquista que deve ser constantemente defendida e preservada. A emoção presente na cerimônia refletiu não apenas o reconhecimento de uma injustiça histórica, mas também a determinação coletiva de construir um futuro onde tais atrocidades nunca mais se repitam.
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