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A doença de Parkinson é considerada há muito tempo um distúrbio do movimento. Seus sintomas característicos incluem contrações musculares involuntárias, tremores e dificuldade para caminhar. Mas a doença também pode afetar o sono, a regulação da pressão arterial, a digestão e a função cognitiva. Os sintomas relacionados ao movimento podem piorar quando a pessoa com a doença está sob estresse, por exemplo, mas melhoram enquanto ela ouve música.
Em um novo estudo publicado nessa semana na revista Nature (Parkinson’s disease as a somato-cognitive action network disorder, https://www.nature.com/articles/s41586-025-10059-1), os cientistas descobriram que uma importante rede cerebral é afetada pela doença de Parkinson. Os resultados trazem um novo olhar sobre as causas dos sintomas do Parkinson que pode levar a tratamentos mais eficazes e precisos. Os Cientistas acreditam que a rede de ação somatocognitiva, ou SCAN, descrita em 2023, seja o fator comum subjacente que conecta os sintomas da doença de Parkinson. A rede SCAN conecta a mente e o corpo para transformar pensamentos em ações. Os pesquisadores descobriram que direcionar essa rede com tratamentos de estimulação cerebral pode aliviar os sintomas da doença de Parkinson.
A doença de Parkinson não é apenas um problema de movimento que envolve uma parte específica do corpo. Este estudo mostra que se trata de um distúrbio que afeta toda a rede cerebral, interligando movimento, pensamento, estado de alerta e controle interno do corpo”, afirma Michael Okun, neurologista da Universidade da Flórida e diretor médico da Fundação Parkinson.
Os médicos não sabem o que desencadeia a cadeia de eventos que causa a doença de Parkinson. Mas sabem que a substância negra é a área mais afetada. É nessa estrutura profunda no cérebro que os neurônios produtores de dopamina, o neurotransmissor responsável pela sinalização cerebral, morrem gradualmente.

Um dos tratamentos para a doença de Parkinson é uma cirurgia onde são implantados finos eletrodos no cérebro, guiados por exames de imagem e neuronavegação, e é colocado um neuroestimulador sob a pele para modular a atividade cerebral e controlar os sintomas motores, chamada Estimulação Cerebral Profunda (DBS), entretanto, nem todos os pacientes são eletivos para a cirurgia.
Além da cirurgia, também é usada a Estimulação Magnética transcraniana (TMS), onde que os médicos colocam um stick com uma bobina magnética sobre o couro cabeludo e os estudos recentes mostram que os tratamentos de estimulação cerebral para Parkinson são mais eficazes quando os médicos visavam especificamente as regiões SCAN, elevando o potencial da estimulação cerebral não invasiva para ajudar pacientes com Parkinson de uma forma que antes não existia.
Essas descobertas representam um avanço significativo na compreensão da doença de Parkinson, pois reforçam a ideia de que intervenções direcionadas à rede SCAN podem oferecer novas perspectivas para o tratamento dos sintomas motores e não motores. No futuro, abordagens terapêuticas baseadas na modulação dessa rede cerebral integrada poderão melhorar a qualidade de vida das pessoas acometidas pela doença, promovendo tratamentos mais individualizados e eficazes.
Profª. Drª. Adriana Pedrenho
Departamento de Ciências Fisiológicas, UFRRJ
Idealizadora da Nave Química Fisiológica
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