Ciro Gomes retorna ao PSDB por aliança com Tasso Jereissati e perspectiva de enfrentar o PT em 2026

Com a filiação de Ciro, que ocorrerá em evento ainda não marcado, o PSDB pode ter três candidatos a governos estaduais em 2026Foto: Marcelo Chello/Estadão Conteúdo - 29.5.2018

Ciro Gomes retorna ao PSDB por aliança com Tasso Jereissati e perspectiva de enfrentar o PT em 2026

Ex-presidenciável, Ciro Gomes indicou, pela manhã, sua desfiliação do PDT; fontes do partido informaram que ele ainda não comunicou oficialmente a saída

O ex-ministro Ciro Gomes volta ao PSDB após quase três décadas afastado do tucanato no Ceará. A aliança com o ex-senador Tasso Jereissati, principal cacique tucano no estado, pesou para a escolha de Ciro, que abandonou o PDT - comandando pelo ex-ministro Carlos Lupi - por meio de uma carta ainda na manhã de sexta-feira (17/10).Horas depois, à noite, a migração do terreno pedetista para o ninho se confirmou, um reflexo de meses de articulação e conversas com tucanos históricos.

Até o início da tarde, a direção nacional do PDT ainda não tinha recebido a comunicação oficial sobre a desfiliação de Ciro Gomes. A mudança é, ainda, um retrato das pretensões políticas dele para as eleições.

A perspectiva é que ele saia como candidato ao governo do Ceará para enfrentar Elmano de Freitas (PT), que disputará a reeleição e é, hoje, o candidato do núcleo político mais forte do estado. O grupo é comandado pelo ministro da Educação, Camilo Santana, do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Além do PSDB, Ciro Gomes também foi cortejado nos últimos meses pelo União Brasil, recém-federado com o PP. O presidente do União, Antonio Rueda, convidou o ex-ministro pessoalmente. O principal atrativo do partido àquela altura era a força de bancada com a federação com o PP, chefiado pelo senador Ciro Nogueira (PI), fora o rompimento com o governo Lula e a ideologia de direita e centro-direita.

O que pesou para Ciro escolher o PSDB, como interlocutores têm antecipado há meses, foi a relação com Tasso Jereissati. Eles conservam a aliança política há mais de 30 anos, principalmente alimentada nos sete anos em que o ainda pedetista foi filiado aos tucanos entre 1990 e 1997. Ciro Gomes se reaproximou do PSDB após romper com o irmão, o senador Cid Gomes (PSB-CE).

Os irmãos eram colegas de PDT até a saída de Cid, motivada pelo rompimento com Ciro. A mudança de Cid do PDT para o PSB enfraqueceu o núcleo pedetista no Ceará, porque o senador levou 40 prefeitos consigo após deixar a sigla.

Com a filiação de Ciro, que ocorrerá em evento ainda não marcado, o PSDB pode ter três candidatos a governos estaduais em 2026. O único confirmado até o momento, entretanto, é o atual presidente nacional da sigla, Marconi Perillo, que sairá como candidato ao governo de Goiás. Se quiser, o deputado federal Aécio Neves tem carta branca para disputar o Palácio Tiradentes, em Minas Gerais. O trio é fechado com Ciro no Ceará.

Até quarta-feira (15/10), pelo menos, Lupi guardava esperanças sobre a permanência de Ciro no PDT. Ele esperava que o aliado resolvesse as próprias angústias, como indicou, e decidisse continuar no partido. Além disso, Lupi aguardava pelo "Dia do Fico" de Ciro Gomes. 

Via O Tempo

Por Ultima Hora em 17/10/2025
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