Storytelling na China é igual no Brasil? Livro da consultora Karina Piva ganha nova perspectiva após viagem

Após imersão cultural no país asiático, consultora com passagens por Uber e iFood finaliza livro sobre comunicação estratégica, dados e tomada de decisão

Storytelling na China é igual no Brasil? Livro da consultora Karina Piva ganha nova perspectiva após viagem

 

 

Créditos: Luana Galderisi

 

 

Atravessar continentes para falar sobre comunicação talvez pareça contraditório para alguns. Para a consultora estratégica Karina Piva (@piva.karina), no entanto, foi justamente a experiência do outro lado do mundo que reforçou uma percepção consolidada ao longo da sua trajetória: dados, sozinhos, não sustentam decisões. O que transforma contextos, influencia lideranças e gera entendimento é a capacidade de construir significado.

 

A discussão ganha ainda mais relevância diante do atual cenário corporativo global. Segundo relatório da IDC (International Data Corporation), o volume de dados gerados no mundo deve ultrapassar 180 zettabytes até 2025, consolidando um dos maiores desafios das empresas contemporâneas: transformar excesso de informação em clareza estratégica. É justamente nesse contexto que nasce “Além dos Gráficos”, novo livro de Karina Piva, atualmente em imersão cultural e profissional na China.

 

Com passagens por empresas como Uber e iFood, Karina desenvolveu sua atuação observando um padrão recorrente dentro das organizações: equipes tecnicamente preparadas, mas ainda incapazes de transformar análises complexas em direcionamentos executivos claros.

 

“Hoje, boa parte das lideranças tem dados sobrando e ainda sofre com apresentações incapazes de transformar informação em decisão”, afirma.

 

É justamente esse o principal diferencial da obra. Diferente da literatura tradicional sobre storytelling com dados, que normalmente posiciona a narrativa apenas como acabamento visual, Karina propõe uma inversão estratégica: a história precisa existir antes mesmo do dado.

 

Na prática, isso significa definir primeiro qual decisão precisa ser influenciada, qual audiência será impactada e qual lógica sustenta a recomendação, antes mesmo da criação de dashboards, gráficos ou apresentações.

 

A experiência recente na China contribuiu diretamente para fortalecer essa percepção. Segundo a consultora, ambientes marcados por velocidade, tecnologia e inteligência artificial deixam ainda mais evidente que empresas não precisam apenas de mais informação, mas de profissionais capazes de conectar contexto, lógica e tomada de decisão.

 

Ao longo do livro, Karina apresenta frameworks voltados para profissionais em posições de crescimento dentro das empresas, que precisam defender projetos, conquistar aprovações internas, reduzir resistências e estruturar apresentações mais estratégicas, permitindo que a construção da estratégia deixe de ficar concentrada exclusivamente na alta liderança.

 

A autora também desmistifica conceitos tradicionais do universo analítico ao defender que o gráfico é apenas a consequência final de um processo muito mais profundo, que envolve leitura de audiência, construção narrativa e inteligência argumentativa.

 

“Um número imperfeito, mas bem-posicionado estrategicamente, muitas vezes gera mais movimento do que um relatório tecnicamente impecável incapaz de gerar direcionamento”, pontua.

 

Além dos Gráficos será lançado nos próximos meses e deve dialogar especialmente com profissionais em posições de crescimento dentro das empresas, lideranças e executivos que atuam diretamente com estratégia, comunicação, influência organizacional e tomada de decisão.

 

Em um mercado saturado por dashboards, talvez a vantagem competitiva mais valiosa passe a ser justamente a capacidade humana de construir significado.

Por Peterson Baestero em 12/06/2026
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