Doações dos ricos ao PSD do Rio: Ex-CEO do Itaú e ex-presidente do Santander estão entre os doadores da campanha de Eduardo Paes

Mercado financeiro aposta em Paes: Bracher, Barbosa e Garfinkel doam R$ 300 mil ao PSD fluminense

Doações dos ricos ao PSD do Rio: Ex-CEO do Itaú e ex-presidente do Santander estão entre os doadores da campanha de Eduardo Paes

PSD de Eduardo Paes recebe R$ 300 mil em doações de grandes empresários em plena pré-campanha. Ex-CEO do Itaú, ex-presidente do Santander e controlador da Porto Seguro estão entre os doadores que aportaram recursos no diretório fluminense da sigla no último mês.

Rio de Janeiro — O PSD do Rio de Janeiro, partido do ex-prefeito Eduardo Paes, recebeu R$ 300 mil em doações de empresários de peso no último mês, em um movimento que sinaliza a simpatia de parte do empresariado graúdo com o líder isolado nas pesquisas para o governo do estado. As contribuições foram feitas diretamente ao diretório fluminense da sigla e revelam a capilaridade do ex-prefeito junto ao setor financeiro e empresarial.

Entre os doadores está Candido Bracher, ex-CEO do Itaú Unibanco, que fez o maior aporte individual: R$ 140 mil. Bracher comandou o maior banco privado do país entre 2017 e 2021, período em que o Itaú consolidou sua liderança no mercado financeiro brasileiro. Sua adesão à campanha de Paes tem peso simbólico: trata-se de um nome associado à ortodoxia financeira e à governança corporativa, perfil que tradicionalmente flerta com candidaturas de centro-direita.

Henrique Alhante, sócio e diretor da gestora de investimentos JGP, contribuiu com R$ 50 mil. A JGP é uma das maiores gestoras independentes do Brasil, com mais de R$ 40 bilhões sob gestão, e sua presença na lista de doadores indica que o mercado financeiro enxerga em Paes um candidato confiável para a gestão econômica do estado.

Fábio Barbosa, ex-presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e do Santander Brasil, doou R$ 40 mil. Barbosa é uma das figuras mais respeitadas do setor bancário nacional e sua aproximação com a campanha de Paes reforça a percepção de que o ex-prefeito consegue atrair nomes de peso do establishment financeiro.

Jayme Garfinkel, controlador da Porto Seguro, uma das maiores seguradoras do país, também contribuiu com R$ 40 mil. A Porto Seguro tem sede em São Paulo, mas sua presença na lista de doadores do diretório fluminense do PSD sugere que a capilaridade de Paes ultrapassa as fronteiras do estado.

Flávio Wrobel, diretor da W3 Engenharia, construtora carioca especializada em alto padrão, fechou a lista com R$ 30 mil. A W3 é uma das incorporadoras mais ativas no mercado imobiliário de luxo do Rio de Janeiro, com projetos na Barra da Tijuca e na Zona Sul.

O significado político das doações

As doações ao PSD fluminense ocorrem em um momento em que a campanha eleitoral ainda não começou oficialmente — o período permitido por lei para arrecadação e gastos de campanha tem início apenas em agosto. As contribuições foram feitas ao diretório partidário, modalidade permitida pela legislação eleitoral, e indicam o grau de confiança do empresariado na candidatura de Eduardo Paes.

Na pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta segunda-feira, Paes lidera todos os cenários testados, com 38% das intenções de voto no primeiro turno e vantagem consolidada de 48% a 52% nas simulações de segundo turno. Os números explicam, em parte, a disposição de empresários graúdos em aportar recursos em sua campanha: apoiar um candidato que aparece com folga na dianteira é um investimento político com retorno quase certo.

O perfil dos doadores também revela uma estratégia clara de Paes: construir uma ponte com o setor financeiro e empresarial, tradicionalmente mais alinhado a candidaturas de direita. Em um estado onde a polarização entre lulismo e bolsonarismo domina o debate político, Paes busca se posicionar como o candidato da governança e da gestão — alguém capaz de dialogar tanto com o Planalto quanto com o mercado.

A situação financeira das campanhas no Rio

O montante de R$ 300 mil arrecadado pelo PSD fluminense em apenas um mês coloca o partido de Paes em posição confortável para a reta final de pré-campanha. Embora o valor seja modesto se comparado aos custos totais de uma campanha ao governo do estado — que historicamente giram entre R$ 15 milhões e R$ 30 milhões —, o movimento sinaliza a abertura de uma torneira que tende a se intensificar com a aproximação do período eleitoral oficial.

Para efeito de comparação, a campanha de Cláudio Castro ao governo do Rio em 2022 declarou gastos de aproximadamente R$ 8 milhões. A de Eduardo Paes à Prefeitura do Rio em 2024, por sua vez, movimentou cerca de R$ 12 milhões. A vantagem nas pesquisas tende a atrair mais doadores, criando um ciclo virtuoso de arrecadação para o ex-prefeito.

Os adversários de Paes, por outro lado, enfrentam cenários mais desafiadores. Anthony Garotinho, do Republicanos, tem 62% de rejeição — a mais alta entre todos os candidatos —, o que tende a afastar doadores empresariais preocupados com a imagem de suas marcas. Douglas Ruas, do PL, embora tenha apenas 17% de rejeição, ainda patina nos 10% das intenções de voto e precisa demonstrar viabilidade eleitoral para atrair financiadores de peso.

O histórico de doações empresariais no Rio

O movimento de empresários em direção a Eduardo Paes não é novo. Em 2024, durante sua campanha à reeleição na Prefeitura do Rio, Paes já havia recebido doações de grandes grupos econômicos, incluindo construtoras, incorporadoras e empresas de serviços. Sua gestão à frente da capital foi marcada por parcerias público-privadas e por uma relação institucional com o setor produtivo que agora se reflete no apoio à sua candidatura estadual.

A lista de doadores do PSD fluminense também revela um fenômeno interessante: a presença de empresários de São Paulo — como Candido Bracher e Fábio Barbosa — financiando uma campanha no Rio de Janeiro. Isso indica que Paes é visto pelo empresariado nacional como um nome capaz de estabilizar as contas do estado e atrair investimentos para uma unidade da federação que enfrenta graves problemas fiscais e de segurança pública.

O que diz a legislação eleitoral

As doações a diretórios partidários são permitidas pela legislação eleitoral brasileira e não se confundem com as doações de campanha, que têm regras específicas e limites definidos por lei. Pessoas físicas podem doar até 10% do rendimento bruto do ano anterior para partidos políticos, enquanto pessoas jurídicas estão proibidas de fazer doações desde 2015, quando o Supremo Tribunal Federal declarou a prática inconstitucional.

Todos os doadores listados são pessoas físicas, o que está em conformidade com a legislação. As doações foram registradas no diretório estadual do PSD e constam nas prestações de contas do partido, que são públicas e podem ser consultadas no site do Tribunal Superior Eleitoral.

O cenário da sucessão estadual

Enquanto Paes consolida seu apoio financeiro, a corrida ao governo do Rio segue indefinida na segunda colocação. A pesquisa Genial/Quaest mostra Garotinho e Douglas Ruas empatados com 10%, em uma disputa que promete se acirrar com a aproximação do horário eleitoral gratuito, que começa em agosto.

O ex-governador Anthony Garotinho, que teve sua candidatura homologada pelo Republicanos no último sábado em convenção no Club Municipal da Tijuca, aposta na capilaridade de seu nome no interior do estado e entre o eleitorado evangélico para crescer. Douglas Ruas, por sua vez, conta com o apoio do bolsonarismo e com a baixa rejeição para se consolidar como o nome da direita na disputa.

Paes, com 38% das intenções de voto e agora com o apoio financeiro de empresários graúdos, tenta transformar a vantagem nas pesquisas em uma campanha capaz de liquidar a eleição ainda no primeiro turno. Para isso, precisará ampliar seu conhecimento no interior do estado e reduzir a rejeição de 40% que ainda carrega.

Fontes: Coluna do João Pedroso de Campos, 27.jul.2026 | Pesquisa Genial/Quaest — Registro no TSE: RJ-02671/2026. Realizada entre 21 e 25 de julho de 2026. 1.200 entrevistas. Margem de erro: 3 p.p. Nível de confiança: 95% | G1 — "Quaest: Eduardo Paes lidera em todos os cenários na disputa no RJ" (27.jul.2026) | UOL — "Genial/Quaest: Paes lidera com folga no Rio; Garotinho e Ruas empatam em 2º" (27.jul.2026) | TSE — Prestações de contas partidárias

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Por Ultima Hora em 27/07/2026
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