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Levantamento realizado entre 21 e 25 de julho aponta prefeito da capital com vantagem expressiva em todos os cenários; indefinição atinge 84% dos eleitores no voto espontâneo
Rio de Janeiro — A primeira pesquisa Genial/Quaest realizada após a consolidação das pré-candidaturas ao governo do Estado do Rio de Janeiro revela um cenário político que, neste momento, tem um protagonista claro e uma disputa paralela que promete definir os rumos da campanha. O prefeito Eduardo Paes, do PSD, aparece na liderança isolada em todas as simulações testadas pelo instituto, tanto no primeiro quanto no segundo turno, enquanto a verdadeira incógnita da eleição se concentra na definição de quem será o adversário a enfrentá-lo.
O levantamento, que ouviu 1.200 eleitores fluminenses entre os dias 21 e 25 de julho, com margem de erro de três pontos percentuais e nível de confiança de 95%, mostra Paes com 38% das intenções de voto no cenário mais amplo, que reúne dez candidatos. O ex-governador Anthony Garotinho, do Republicanos, e o deputado estadual Douglas Ruas, do PL, aparecem empatados na segunda posição, com 10% cada. Os demais pré-candidatos não ultrapassam a casa dos 3%, enquanto 19% dos eleitores permanecem indecisos e 16% afirmam que votarão em branco, anularão o voto ou não comparecerão às urnas.
Paes amplia vantagem na ausência de Garotinho
A pesquisa testou diferentes cenários para avaliar o impacto da presença ou ausência de determinados candidatos na disputa. Quando Garotinho é retirado da simulação, o prefeito do PSD amplia sua vantagem e alcança 42% das intenções de voto, enquanto Douglas Ruas sobe para 11%. Os números indicam que a candidatura do ex-governador, confirmada em convenção no último sábado, dia 25, retira cerca de quatro pontos percentuais das intenções de voto de Paes e um ponto de Douglas Ruas.
O efeito Garotinho sobre a corrida eleitoral é sutil, mas relevante. Os dados sugerem que o ex-governador drena votos de um eleitorado moderado e de centro que, na ausência dele, migraria naturalmente para Paes. Isso significa que Garotinho, mais do que ameaçar a liderança do prefeito, funciona como um fator de dispersão que impede uma polarização mais direta entre Paes e o campo bolsonarista representado por Douglas Ruas.
Voto espontâneo expõe eleição ainda em formação
Um dos dados mais reveladores da pesquisa é o alto índice de indefinição no voto espontâneo — quando os entrevistados respondem em quem pretendem votar sem receber uma lista de candidatos. Nesse cenário, 84% dos eleitores afirmam ainda não saber em quem votar. Eduardo Paes aparece com 9%, Douglas Ruas soma 3% e Anthony Garotinho registra 1%. Os demais nomes praticamente não pontuam.
Para analistas eleitorais, o voto espontâneo é o termômetro mais preciso do grau de consolidação das candidaturas junto ao eleitorado. O índice de 84% de indefinição revela que, apesar da vantagem numérica de Paes nas pesquisas estimuladas, a maior parte dos fluminenses ainda não incorporou a disputa ao seu cotidiano político. A eleição, neste momento, não está enquadrada no imaginário do eleitor médio — o que significa que o potencial de crescimento para qualquer candidato que consiga se comunicar efetivamente ao longo da campanha é enorme.
Segmentação revela força de Paes em todos os grupos
A pesquisa também segmentou os resultados por sexo, faixa etária, escolaridade, renda, religião e posicionamento político. Eduardo Paes lidera entre homens e mulheres, entre jovens, adultos e idosos, e em praticamente todas as faixas de renda e escolaridade analisadas. O prefeito apresenta desempenho especialmente elevado entre eleitores que se identificam como lulistas ou de centro-esquerda, mas também aparece à frente entre os independentes.
Douglas Ruas, por sua vez, concentra seus melhores índices entre eleitores identificados com o bolsonarismo e também entre o segmento classificado como direita não bolsonarista. O deputado estadual, que preside a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, tem o eleitorado mais consolidado entre os três principais candidatos: 61% de seus apoiadores afirmam que o voto já está definido.
Anthony Garotinho mantém desempenho relativamente equilibrado em diversos grupos — com penetração entre evangélicos, eleitores de baixa renda e no interior do estado —, o que contribui para mantê-lo competitivo na disputa pela segunda colocação. No entanto, seu eleitorado é o menos consolidado: apenas 45% dizem que o voto é definitivo, enquanto 53% admitem a possibilidade de mudança.
Segundo turno amplia vantagem do prefeito
As simulações de segundo turno reforçam a posição confortável de Eduardo Paes. Contra Anthony Garotinho, o prefeito alcança 48% das intenções de voto, enquanto o adversário registra 18%. Outros 11% permanecem indecisos e 23% afirmam que votarão em branco, anularão ou não comparecerão.
No cenário em que enfrenta Douglas Ruas, Paes amplia ainda mais a diferença e chega a 52%, enquanto o candidato do PL soma 16%. Nesse caso, os indecisos representam 12% e outros 20% dizem optar por branco, nulo ou abstenção. Os números sugerem que, neste momento da campanha, o prefeito do PSD iniciaria um eventual segundo turno com vantagem próxima da maioria absoluta — algo raro em disputas majoritárias, onde historicamente há maior equilíbrio na reta final.
Maioria dos eleitores ainda admite mudar de voto
Apesar dos percentuais já registrados pelos principais concorrentes, a pesquisa indica que a campanha ainda pode provocar mudanças significativas no cenário eleitoral. Segundo o levantamento, 55% dos entrevistados afirmam que ainda podem mudar de candidato até a eleição, enquanto 43% dizem que seu voto já está definido.
Entre os eleitores de Eduardo Paes, 56% afirmam que a escolha é definitiva. No caso de Douglas Ruas, esse índice chega a 61%, indicando um eleitorado mais fidelizado. Já entre os apoiadores de Anthony Garotinho, apenas 45% dizem que o voto está definido — o que torna o ex-governador mais vulnerável a oscilações ao longo da campanha.
O fator jurídico e os cenários em aberto
A pesquisa Genial/Quaest de julho de 2026 chega em um momento de definições importantes no tabuleiro político fluminense. A candidatura de Anthony Garotinho, viabilizada por uma decisão liminar do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, que suspendeu os efeitos de uma condenação no âmbito da Operação Chequinho, ainda depende do julgamento definitivo do habeas corpus pela Corte. Qualquer reviravolta jurídica pode redistribuir os 10% do ex-governador — e esses votos não migrariam automaticamente para Paes; parte significativa pode dispersar-se entre indecisos ou buscar novos nomes.
Outro fator que pode reconfigurar a disputa é a desistência do ex-governador Cláudio Castro de concorrer ao Senado, anunciada em maio após operações da Polícia Federal. A ausência de Castro no pleito deixa o campo da direita sem uma liderança consolidada para a vaga ao Senado, o que pode indiretamente beneficiar Douglas Ruas ao concentrar o eleitorado conservador em torno de seu nome para o governo.
O que esperar da campanha
A pesquisa de julho representa o marco zero da corrida eleitoral — não o veredito. Três variáveis vão redefinir o cenário nos próximos meses. A primeira é o debate televisivo: Eduardo Paes, apesar de sua vasta experiência como prefeito da capital, nunca foi testado no confronto direto com adversários em uma eleição majoritária estadual. Um desempenho abaixo do esperado pode corroer parte da vantagem.
A segunda variável é o uso da máquina administrativa. Paes deixou a prefeitura do Rio em março para se desincompatibilizar, mas sua gestão de oito anos à frente da capital deixou marcas profundas na avaliação popular — sua aprovação chegou a 67,4% em pesquisa Paraná Pesquisas de setembro de 2025. O desafio será transferir essa popularidade para o eleitorado do interior e da Região Metropolitana, onde o conhecimento do seu nome ainda é menor.
A terceira variável é o fator Lula. O apoio explícito do presidente pode ser uma faca de dois gumes: ajuda a consolidar o eleitorado de esquerda e centro-esquerda, mas pode afastar eleitores moderados em um estado onde o bolsonarismo tem presença significativa.
Por enquanto, o cenário é de Eduardo Paes como franco favorito, com a verdadeira disputa se concentrando em quem conseguirá se consolidar como seu principal adversário. A campanha, no entanto, está apenas começando — e 84% de indefinição no voto espontâneo é um lembrete de que, em política, tudo pode mudar.
Fontes: Pesquisa Genial/Quaest — Registro no TSE: a confirmar. Realizada entre 21 e 25 de julho de 2026. 1.200 entrevistas. Margem de erro: 3 p.p. Nível de confiança: 95%. | Poder360 — "Eduardo Paes lidera corrida ao governo do RJ, diz Quaest" (27.abr.2026) | O Globo — "Zanin suspende efeitos de condenação de Garotinho e libera candidatura" (28.mar.2026) | G1 — "Cláudio Castro anuncia desistência de candidatura ao Senado" (28.mai.2026) | Paraná Pesquisas — Aprovação de Eduardo Paes: 67,4% (set.2025) | Wikipedia — "2026 Rio de Janeiro general election"
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