Clima de despedida na inauguração do Super Centro Carioca de Saúde da Zona Oeste: Lucinha deixa o PSD, mira Brasília e Pedro Paulo pode perder cerca de 30 mil votos na corrida por uma vaga federal

Quatro mandatos na Alerj e os olhos no Congresso: Lucinha prepara a maior jogada de sua carreira com filiação ao Podemos

Clima de despedida na inauguração do Super Centro Carioca de Saúde da Zona Oeste: Lucinha deixa o PSD, mira Brasília e Pedro Paulo pode perder cerca de 30 mil votos na corrida por uma vaga federal

No último ano de seu quarto mandato na Alerj, deputada estuda candidatura à Câmara dos Deputados e pode romper a dobrada que rendeu quase 30 mil votos ao colega de bancada

O Super Centro Carioca de Saúde da Zona Oeste vai ser inaugurado nesta terça-feira com ares de celebração — mas também com um sabor de despedida. A deputada estadual Lucinha (PSD), figura central da política da região, circulou pelo evento com aquele olhar de quem já sabe que o próximo capítulo começa em outro endereço. Para quem a observa de perto, os sinais são claros: ela está de malas prontas para deixar o PSD e, com elas, talvez também o endereço da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

A saída do PSD e a aproximação com o Podemos

Lucinha encerra em 2026 o seu quarto mandato consecutivo na Alerj — uma trajetória de mais de dezesseis anos de representação ininterrupta da Zona Oeste no Legislativo estadual. Depois de tanto tempo na mesma casa e na mesma legenda, a deputada estuda uma mudança radical de ares. Segundo fontes ouvidas pelo PlatôBR, ela está em conversas avançadas com o Podemos e deve anunciar a filiação em breve. A nova sigla seria a plataforma de lançamento de uma candidatura à Câmara dos Deputados — uma aposta na ascensão ao Legislativo federal depois de consolidar uma base eleitoral robusta no Oeste carioca.

O impacto na dobrada com Pedro Paulo

A movimentação de Lucinha acende um sinal de alerta imediato para o deputado federal Pedro Paulo (PSD), que já anunciou sua candidatura à reeleição para a Câmara dos Deputados. A dobrada entre os dois, segundo fontes ligadas ao PSD, rendeu ao parlamentar quase 30 mil votos nas eleições de 2022 — um capital eleitoral construído justamente sobre a força territorial de Lucinha na Zona Oeste. Com a possível saída dela do partido e a migração para o campo federal como candidata, Pedro Paulo perderia não apenas uma aliada, mas uma máquina de votos que ajudou a sustentar sua própria eleição.

A Zona Oeste como epicentro da disputa

A Zona Oeste do Rio de Janeiro é um dos territórios eleitorais mais cobiçados e complexos da cidade. Com uma população superior a dois milhões de habitantes, espalhada por bairros como Campo Grande, Santa Cruz, Bangu, Realenha e Guaratiba, a região concentra um eleitorado volumoso, mas historicamente subrepresentado no Legislativo federal. Lucinha construiu ali, ao longo de quatro mandatos, uma rede de relacionamentos que vai de lideranças comunitárias a movimentos religiosos, passando por entidades de saúde e educação — o que tornaria sua candidatura federal uma das mais competitivas da região.

O silêncio estratégico da deputada

Até o momento, Lucinha não confirmou oficialmente nem o partido, nem o cargo, nem a candidatura. O silêncio, no entanto, faz parte da estratégia. Em ano eleitoral, anunciar cedo demais é expor flancos. Mas as movimentações nos bastidores — as conversas com o Podemos, o distanciamento crescente do PSD e a presença calculada em eventos de grande visibilidade na Zona Oeste, como a inauguração do Super Centro Carioca de Saúde — compõem um roteiro que políticos experientes reconhecem com facilidade. A deputada está construindo o cenário antes de anunciar a peça.

Pedro Paulo em polvorosa

No campo de Pedro Paulo, a agitação já é visível. O deputado federal — que conta com o apoio da máquina do PSD e do prefeito Eduardo Paes para sua campanha de reeleição — sabe que perder a parceria de Lucinha significa enfrentar uma concorrente formidável exatamente no território onde sua força eleitoral é maior. A eventual candidatura da deputada pelo Podemos criaria uma disputa direta pelos mesmos votos, numa região onde o espaço para dois candidatos com perfil territorial semelhante é historicamente estreito. A dobrada que um dia foi um trunfo pode se transformar, em 2026, em uma das disputas mais acirradas do Rio de Janeiro.

A política da Zona Oeste ferve. E Lucinha, com seus quatro mandatos nas costas e uma base eleitoral de dar inveja, parece pronta para jogar em uma arena maior. O anúncio oficial ainda não veio — mas o clima de despedida, quem estava na inauguração do Super Centro, já pôde sentir.

Fontes: PlatôBR / Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) / Tribunal Superior Eleitoral (TSE) / O Globo / O Dia

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Por Ultima Hora em 18/03/2026
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