Com a benção de Lula, Chico D'Angelo vai retornar para o PT em cerimônia na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro nesta Quinta-Feira às 18 horas

Ex-deputado federal retorna ao PT em movimento estratégico para 2026

Com a benção de  Lula, Chico D'Angelo vai retornar para o PT em cerimônia na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro nesta Quinta-Feira às 18 horas

Secretário-Executivo da ANS retorna ao PT após sete anos no PDT

Ex-deputado Chico D'Angelo será oficializado na quinta-feira em cerimônia na Câmara do Rio

O movimento político que marca o cenário fluminense ganha um novo capítulo. Francisco José D'Ângelo Pinto, conhecido como Chico D'Angelo, atual secretário-executivo da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), retorna ao Partido dos Trabalhadores após sete anos de militância no PDT. A oficialização acontecerá em cerimônia na próxima quinta-feira (26), às 18h, na Câmara Municipal do Rio de Janeiro.

Como disse Nelson Mandela: "Não há nada como voltar a um lugar que permanece inalterado para descobrir o quanto você mudou." A volta de D'Angelo ao PT representa mais que uma mudança partidária – simboliza o realinhamento de forças políticas no estado do Rio de Janeiro em um momento crucial para o campo governista.

O caminho de volta

A decisão não foi precipitada. Em setembro de 2024, logo após assumir o cargo na ANS, D'Angelo já sinalizava sua intenção de deixar o PDT. O político buscava uma legenda mais alinhada ao governo federal, movimento que se concretiza agora com seu retorno ao partido que ajudou a construir por quase três décadas.

Entre 1989 e 2018, D'Angelo foi uma das figuras centrais do PT fluminense. Médico de formação e político por vocação, ele construiu sua trajetória defendendo bandeiras históricas da esquerda brasileira: saúde pública, cultura e direitos trabalhistas. Sua saída para o PDT, em 2018, marcou um período de distanciamento que agora chega ao fim.

Trajetória política consolidada

Nascido em Campos dos Goytacazes em 1953, D'Angelo construiu uma carreira sólida que combina medicina, academia e política. Como deputado federal por quatro mandatos, ele se destacou por posições firmes em momentos decisivos da política nacional. Votou contra o impeachment de Dilma Rousseff, opôs-se à reforma trabalhista de 2017 e foi um dos principais críticos da PEC do Teto de Gastos.

Sua atuação na Comissão de Cultura durante o governo Temer foi emblemática. Quando o então presidente tentou extinguir o Ministério da Cultura, D'Angelo mobilizou audiências e manifestações que garantiram a manutenção da pasta, demonstrando sua capacidade de articulação política e defesa de causas fundamentais.

Influência em Niterói

Em Niterói, D'Angelo deixou marcas profundas. Como secretário de Saúde, implementou a reabertura de pronto-socorros e criou maternidades públicas, transformando o atendimento na cidade. Durante seus mandatos como deputado federal, destinou mais de 54 milhões de reais para projetos locais, consolidando sua influência na política municipal.

Sua relação com o prefeito Rodrigo Neves (PDT), antes próxima, esfriou nos últimos anos. Diferentemente de gestões anteriores, D'Angelo não foi contemplado com nenhuma pasta na atual administração municipal, sinalizando o distanciamento que culminou em sua saída do partido.

Reorganização do campo governista

O retorno de D'Angelo ao PT ocorre em momento estratégico. Com as eleições de 2026 no horizonte, sua filiação fortalece o campo governista no Rio de Janeiro. Embora não tenha confirmado candidatura, a expectativa é que ele participe ativamente da reorganização política do estado, aproveitando sua experiência e trânsito em diferentes esferas de poder.

Sua nomeação para a ANS já demonstrava o reconhecimento do governo Lula por sua competência técnica e política. Agora, de volta ao PT, D'Angelo pode ampliar sua atuação, combinando a gestão federal com a articulação partidária estadual.

Desafios e perspectivas

A volta de D'Angelo ao PT não é apenas simbólica – é estratégica. O partido busca reconstruir sua presença no Rio de Janeiro, estado historicamente desafiador para a esquerda. Com sua experiência parlamentar, conhecimento técnico na área da saúde e trânsito político consolidado, ele pode ser peça-chave nessa reconstrução.

O político de 72 anos carrega consigo uma trajetória de coerência ideológica e compromisso com o serviço público. Sua atuação na ANS, órgão crucial para a regulação da saúde suplementar no país, demonstra sua capacidade de combinar gestão técnica com visão política.

O retorno de Chico D'Angelo ao PT marca um momento de maturidade política. Após sete anos no PDT, período que incluiu quatro mandatos como deputado federal e importante atuação na política fluminense, ele volta ao partido onde construiu suas bases ideológicas. Sua experiência, somada ao momento político atual, pode ser determinante para o fortalecimento do campo progressista no Rio de Janeiro e para os desafios que se apresentam no cenário nacional.

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Por Ultima Hora em 23/02/2026
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