Comando Vermelho criou Uber próprio e proibia moradores de usar apps oficiais, lucrando R$ 1 milhão mensalmente na Vila Kennedy

Operação da Civil mira esquema que proibia moradores de usar apps oficiais no Rio

Comando Vermelho criou Uber próprio e proibia moradores de usar apps oficiais, lucrando R$ 1 milhão mensalmente na Vila Kennedy

Polícia desmantela aplicativo de transporte do Comando Vermelho que faturava R$ 1 milhão por mês

A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou nesta sexta-feira (8) uma operação contra um sofisticado esquema de transporte clandestino comandado pelo Comando Vermelho. O grupo criminoso criou um aplicativo próprio que movimentava cerca de R$ 1 milhão mensais, explorando moradores de comunidades que eram impedidos de usar plataformas oficiais como Uber e 99.

O aplicativo, denominado "Rotax Mobili", operava com uma estratégia de marketing que evidenciava o controle territorial da facção. O slogan da plataforma era direto: "O único que passa pela barricada e te deixa na porta de casa". A mensagem deixava claro aos usuários que apenas esse serviço tinha autorização para circular livremente pelas áreas dominadas pelo tráfico.

Monopolização forçada do transporte em comunidades

As investigações da 34ª Delegacia de Polícia (Bangu) revelaram que moradores da Vila Kennedy, na Zona Oeste, viviam sob um regime de transporte monopolizado. Segundo os agentes, os criminosos proibiam categoricamente o uso de aplicativos oficiais de transporte, forçando a população local a depender exclusivamente do serviço controlado pela facção. Essa estratégia garantia não apenas o lucro direto das corridas, mas também o controle absoluto sobre a mobilidade dos moradores.

O esquema envolvia aproximadamente 300 mototaxistas que atuavam na região. Cada corrida realizada gerava receita que era sistematicamente repassada ao chefe do tráfico local, criando uma fonte de financiamento constante para as atividades criminosas do Comando Vermelho. A operação funcionava como uma empresa paralela, com estrutura organizacional definida e fluxo financeiro regular.

Estrutura empresarial para lavagem de dinheiro

A sofisticação do esquema impressionou os investigadores. O Comando Vermelho não apenas criou o aplicativo, mas também desenvolveu uma complexa rede de empresas de fachada para dar aparência legal ao negócio. Essa estrutura permitia que os milhões arrecadados mensalmente fossem lavados e reinvestidos nas operações da organização criminosa.

Dois grupos distintos mantinham o funcionamento do sistema: um responsável por intimidar e controlar os mototaxistas, garantindo que seguissem as regras impostas pela facção, e outro dedicado exclusivamente ao gerenciamento financeiro. Essa divisão de tarefas demonstra o nível de organização empresarial que o crime organizado alcançou no Rio de Janeiro.

Operação policial em andamento

Nesta sexta-feira, agentes da Polícia Civil cumprem sete mandados de prisão temporária e doze de busca e apreensão em diversas regiões do Rio. Até o momento, quatro suspeitos foram detidos. A operação visa desarticular completamente a rede criminosa e interromper o fluxo de recursos que alimentava as atividades do Comando Vermelho.

A descoberta deste esquema revela uma nova faceta da atuação do crime organizado no Rio, que tem expandido suas operações para além do tráfico tradicional de drogas. A criação de um aplicativo de transporte demonstra como as facções têm se adaptado às tecnologias modernas para diversificar suas fontes de renda e exercer controle territorial de forma ainda mais efetiva sobre as comunidades sob seu domínio.

 

 

Por Ultima Hora em 08/08/2025
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