Como Trump rasgou o verniz da Democracia Estadunidense.

Como Trump rasgou o verniz da Democracia Estadunidense.

Nos Estados Unidos, muda se o partido no poder, mas não as políticas de governo. Não há definição mais precisa. Seja um democrata ou um republicano no comando, certos pilares permanecem: guerras e ameaças a países ricos em recursos naturais, investimento estatal em empresas bilionárias e interferência na soberania de outras nações. Tudo isso sob a justificativa de "levar a democracia", complementada pela guerra eterna ao comunismo, ao terror e ao narcotráfico, razões geralmente mentirosas e baseadas em relatórios fabricados.

 

Todas as intervenções dos Estados Unidos, seja no Afeganistão, Iraque, Nicarágua, Vietnã ou em vários países das Américas, foram acompanhadas por uma narrativa convincente, quase sempre endossada pela Europa e pela grande mídia mundial. O objetivo era manter o verniz "democrático" dessas ações, uma cortina de fumaça da qual Trump faz questão de abrir mão. O atual mandatário estadunidense é tão unidimensional que, mesmo quando tenta justificar intervenções com as tradicionais mentiras, como é o caso da Venezuela, nem a grande mídia propagandista dos Estados Unidos consegue, em alguns casos, compactuar.

 

O país é hoje governado por um apresentador de televisão que comanda ao lado de "doidinhos de bairro" e youtubers, sem esconder suas reais intenções. Se a mentira histórica era a de que o país rechaçava ditadores e autocratas (mesmo financiando ditaduras pelas Américas, a de Chiang Kai shek em Taiwan e, mais modernamente, a da Arábia Saudita, ainda que de forma indireta), Trump não disfarça seu alinhamento com figuras como Orbán, Putin, Bin Salman e qualquer outro autocrata que o apoie. Fica claro, portanto, o velho axioma: se é amigo do "Tio Sam", não é ditadura, como sempre defenderam os propagandistas. Da mesma forma, se uma nação desafia a ordem unipolar, é automaticamente uma ditadura, e a China hoje ocupa o papel que a União Soviética teve no passado. Será interessante observar como esses propagandistas defenderão o apoio do Império à Rússia, que ameaça e espolia a Ucrânia.

 

Outra marca registrada do governo estadunidense é a interferência em eleições ao redor do mundo, historicamente feita de forma velada, mas que se alterou na gestão Trump. Até agora, essa estratégia não obteve êxito. Na eleição francesa, figuras como Elon Musk, então apoiador (mas ainda não membro do governo, pois Trump não havia sido eleito), foram um prenúncio do que estava por vir. A tentativa de interferência mais evidente ocorreu na Alemanha, onde a gestão Trump apoiou candidatos neonazistas da AfD, que acabaram derrotados pelos conservadores. Atualmente, o objetivo da gestão Trump é mudar o governo na Colômbia e no Chile, especialmente por contar com um vassalo na Argentina e com governos alinhados no Equador e no Paraguai.

 

No entanto, o maior objetivo dos EUA é o Brasil: instalar um governante biônico. Daí o apoio ao bolsonarismo, cuja subserviência é clara. Trump não se importa com Bolsonaro, com os "malucos" do 8 de janeiro ou com o STF; o que importa é a influência em seu "quintal" e as reservas de terras raras que o Brasil possui, as segundas maiores do mundo, depois da China, que não as vende mais aos Estados Unidos. Esses recursos naturais são o futuro, com importância que vai de aparelhos celulares a materiais bélicos. Até agora, porém, a interferência de Trump tem gerado o efeito diametralmente oposto ao esperado, causando repulsa e não apoio popular ao bolsonarismo.

 

Os Estados Unidos são um império em decadência que já perdeu a hegemonia para a China, e sua população escolheu a pior figura possível para impedir essa queda. Deram a um homem narcisista e despreparado essa tarefa, enquanto China e Rússia, nações que buscam multipolaridade, são comandadas por homens que se prepararam a vida inteira para liderar seus países. A queda é clara, mas com Trump ela é acelerada. Nem ele nem seus apoiadores poderosos se importam, pois seu objetivo é apenas ganhar dinheiro. Ter um homem narcisista e belicoso no comando da maior potência mundial é horrível para todos. No entanto, é um desenvolvimento importante: está finalmente quebrando a fantasia da "democracia estadunidense".

Por Futebol e Sociedade se discutem em 28/08/2025
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