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"Temos que mudar as leis": Coronel Salema critica reincidência criminal que assola o Rio de Janeiro

Em entrevista exclusiva durante cerimônia de entrega de medalha na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), o coronel Salema, ex-deputado estadual e policial militar, fez um diagnóstico contundente da situação da segurança pública fluminense. "Quem planta vento, colhe tempestade", afirmou o militar ao criticar a alta taxa de reincidência criminal que assola o estado.
O ex-parlamentar, que obteve mais de 100 mil votos nas eleições de 2018, destacou que mesmo afastado da vida política ativa, continua acompanhando de perto os desafios enfrentados pelas forças de segurança. "A política a gente faz no dia a dia, onde a gente tiver, a gente tá fazendo política", declarou Salema, enfatizando seu compromisso permanente com as questões de segurança pública.
Durante a conversa, o coronel revelou dados alarmantes sobre a reincidência criminal no Rio de Janeiro. Segundo ele, há casos documentados de criminosos com mais de 100 prisões no histórico, evidenciando a ineficácia do sistema penal atual. "A nossa grande dificuldade sempre foi a reincidência. O marginal volta muito rápido para praticar novos assaltos, novos crimes", explicou o militar, comparando a situação atual com os antigos problemas envolvendo menores infratores.
O ex-deputado elogiou os investimentos em tecnologia realizados tanto pelo estado quanto pelos municípios, citando especificamente os casos de Niterói e São Gonçalo. Niterói comemora um mês sem assassinatos, enquanto São Gonçalo segue trajetória similar, resultado que Salema atribui aos investimentos em monitoramento de ruas, sistemas de reconhecimento de placas e reconhecimento facial. "O resultado vem para quem realmente investe na segurança", afirmou.
Apesar dos avanços tecnológicos e do empenho das corporações policiais, Salema foi categórico ao apontar a necessidade de mudanças estruturais no sistema judiciário. "Temos que mudar as leis, não tem jeito, senão a gente vai ficar chovendo no molhado", declarou o coronel, criticando a sensação de impunidade que, segundo ele, motiva os criminosos a reincidirem cada vez mais rapidamente.
O militar também cobrou maior apoio do Poder Judiciário e do Ministério Público às ações policiais, argumentando que a retomada efetiva dos territórios dominados pelo crime organizado depende de uma atuação coordenada entre todos os poderes. "A gente tem que ter o reconhecimento da sociedade e do judiciário do Ministério Público também que tem que apoiar nossas ações", enfatizou.
Questionado sobre a possibilidade de reconquista das áreas controladas pelo crime, Salema demonstrou otimismo cauteloso, mas condicionou o sucesso às mudanças legislativas. "O estado tá tentando fazer a sua parte, tá tentando aprovar um pacote de segurança pública, mas não depende só do estado", explicou, destacando a importância da atuação da bancada federal do Rio de Janeiro na aprovação de leis mais rígidas.
O coronel criticou ainda a polarização política que, em sua opinião, tem prejudicado o debate sobre questões fundamentais como a segurança pública. "O país tem que andar, tá muito essa polarização, essa discussão de A e B, a gente acaba que esquece outras questões importantes", lamentou, alertando que outros estados da federação enfrentam problemas similares devido à "fragilidade das leis".
Mesmo diante dos desafios, Salema manteve o discurso de resistência e perseverança. "As forças policiais continuam atuando, mas realmente tem que modificar alguma coisa no Código Penal", concluiu o militar, reafirmando que os policiais são "os bastiões da sociedade" e devem continuar lutando apesar das adversidades.
A fala do coronel Salema reflete o sentimento de frustração de parte significativa das forças de segurança do Rio de Janeiro, que veem seus esforços operacionais limitados por questões estruturais do sistema de justiça criminal. Como diz o ditado popular, "de médico e louco, todo mundo tem um pouco", mas quando se trata de segurança pública, a experiência prática dos profissionais da área ganha relevância especial no debate sobre as soluções necessárias.

Repórter Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ
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Por Robson Talber
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