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Comitiva de parlamentares cobra garantias em reunião tensa em Brasília enquanto dirigentes avaliam nomes de Michelle Bolsonaro, Tereza Cristina e Rogério Marinho para a disputa presidencial
Prazo de validade
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, estabeleceu internamente um prazo de 10 a 15 dias para avaliar se o senador Flávio Bolsonaro mantém condições políticas de seguir como pré-candidato à Presidência da República. A decisão ocorre após o agravamento da crise provocada pela revelação da relação do filho de Jair Bolsonaro com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que teve a liquidação decretada no fim do ano passado. Fontes ouvidas pelo blog confirmam que a cúpula do partido opera em regime de contingência, e que o prazo foi definido como margem de segurança para evitar que novos vazamentos surpreendam a legenda durante a campanha.
O encontro que mudou o jogo
O estopim da crise foi a confirmação, pelo próprio senador, de que ele viajou a São Paulo para encontrar Vorcaro pessoalmente quando o empresário já estava preso, monitorado por tornozeleira eletrônica e impedido de deixar o estado. Flávio admitiu o encontro após ser confrontado por reportagens, mas sustentou que a conversa teve como objetivo exclusivo encerrar as tratativas relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. "Fui, sim, até o encontro dele. Ele estava restrito e não podia sair do estado de São Paulo, então fui até ele", declarou.
R$ 61 milhões sob investigação
A dimensão financeira do caso veio à tona depois que o Intercept Brasil revelou que Vorcaro autorizou um repasse de R$ 61 milhões ao projeto cinematográfico. A operação é investigada pela Polícia Federal. Também foram divulgados áudios em que Flávio cobra parcelas atrasadas do banqueiro, sugerindo uma relação comercial que o senador insiste em classificar como estritamente contratual, mas que aliados consideram politicamente explosiva. O valor transformaria o longa no filme mais caro da história do cinema brasileiro.
Reunião de contingência
Após dias de reuniões reservadas com o pai, Jair Bolsonaro, com Valdemar Costa Neto e com o coordenador de sua pré-campanha, senador Rogério Marinho, Flávio convocou cerca de 70 parlamentares do PL em Brasília para tentar conter o estrago. Durante o encontro, pediu desculpas por não ter explicado antes os detalhes da relação com Vorcaro e insistiu que não há mais nenhum capítulo da história a ser revelado. O discurso, porém, não convenceu parte da plateia. Aliados demonstraram desconforto com a condução política do caso e cobraram garantias de que o partido não será surpreendido por novas revelações.
O fantasma dos vazamentos
A principal preocupação dos dirigentes do PL é que novos materiais — mensagens de texto, registros de transferências ou novas gravações — ainda estejam em poder da Polícia Federal ou do Ministério Público e possam vir a público nos próximos dias. Nos bastidores, integrantes da cúpula afirmam que a candidatura será considerada politicamente inviabilizada caso apareçam elementos que desmintam a versão apresentada pelo senador de que sua relação com Vorcaro esteve limitada ao financiamento do filme. O temor não é infundado: cada novo dia traz uma nova reportagem, e cada reportagem contradiz uma nova versão.
O plano B sobre a mesa
Embora Rogério Marinho afirme publicamente que não existe nenhuma chance de Flávio ser substituído, dirigentes do PL já discutem reservadamente alternativas para a disputa presidencial. Entre os nomes cotados estão a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e o próprio Rogério Marinho, atual coordenador da pré-campanha de Flávio. Uma ala do partido defende que Michelle tem trânsito junto ao eleitorado evangélico e feminino, segmentos nos quais Flávio enfrenta dificuldades. Tereza Cristina, por sua vez, representa o agronegócio e tem perfil mais palatável ao centro político.
A reeleição ao Senado como saída
Paralelamente, aliados do senador já trabalham com um cenário alternativo: a reeleição ao Senado pelo Rio de Janeiro. A hipótese, que já era considerada antes mesmo da crise, ganhou força nos bastidores como forma de preservar o mandato e garantir a imunidade parlamentar de Flávio. O cálculo político é simples — mesmo que inviabilizado para a Presidência, o senador mantém capital eleitoral no estado do Rio e poderia renovar seu mandato sem grandes sobressaltos. A cadeira no Senado, argumentam aliados, também oferece proteção jurídica e política diante das investigações em curso.
O peso do Centrão
A crise ocorre em meio a outros desgastes acumulados pela pré-campanha de Flávio. A escolha de um ex-policial civil para comandar a comunicação irritou setores do partido, que consideram a decisão amadora e desalinhada com a dimensão de uma disputa presidencial. Além disso, sua postura durante a operação policial que atingiu o senador Ciro Nogueira (PP-PI) afastou parte do Centrão, que já cogita permanecer neutro na eleição presidencial. O movimento é significativo: sem o Centrão, qualquer candidato da direita enfrenta dificuldades estruturais de tempo de televisão e capilaridade eleitoral.
A cautela de Malafaia
O pastor Silas Malafaia, aliado histórico da família Bolsonaro, resumiu o clima de cautela entre setores evangélicos. Em entrevista, afirmou que a relação de Flávio com os evangélicos esfria se houver comprovação de que ele recebeu dinheiro para além do filme. "Por enquanto, estamos todos com cautela. Se tiver mais coisa, será difícil apoiar; mas, se não tiver, vamos com Flávio", declarou. O recado de Malafaia é estratégico: o segmento evangélico representa cerca de 30% do eleitorado brasileiro e foi decisivo nas últimas eleições.
O fator Jair Bolsonaro
Qualquer eventual mudança na candidatura, contudo, dependerá do aval de Jair Bolsonaro. Mesmo em prisão domiciliar, o ex-presidente mantém contato frequente com o filho e com dirigentes do partido, e sua palavra ainda pesa nas decisões estratégicas do PL. Segundo fontes próximas, Bolsonaro resiste à ideia de substituir o filho, mas reconhece que a situação se tornou delicada. A avaliação interna é que, se a crise se aprofundar, o próprio Jair pode ser convencido a endossar uma alternativa para preservar o projeto de poder da família.
O impacto nas pesquisas
Pesquisas eleitorais divulgadas nesta semana já registram os primeiros efeitos da crise. Levantamento da AtlasIntel mostra Lula com 48,9% contra 41,8% de Flávio no segundo turno — uma diferença que, antes dos vazamentos, era consideravelmente menor. Pesquisa da Vox Populi aponta na mesma direção, com vantagem folgada para o atual presidente. A cúpula do PL já acionou a Justiça para contestar os resultados da AtlasIntel e, segundo apuração, estuda fazer o mesmo com a Vox Populi. O movimento, no entanto, é visto por analistas como mais uma demonstração de nervosismo do que como uma estratégia jurídica consistente.
O dilema do PL
O partido de Valdemar Costa Neto enfrenta, neste momento, um dilema de coordenação política. Se mantém Flávio na disputa e novos fatos vêm à tona, o desgaste pode contaminar toda a chapa e prejudicar as candidaturas proporcionais. Se substitui o senador antes de uma comprovação mais robusta de envolvimento ilícito, corre o risco de parecer que abandonou o herdeiro político de Jair Bolsonaro sem necessidade. O prazo de 15 dias estabelecido por Valdemar reflete exatamente essa tensão — tempo suficiente para avaliar, curto demais para evitar danos.
O futuro do filme
Enquanto o tabuleiro político se movimenta, o filme Dark Horse segue sem data de estreia. A produção, que já recebeu milhões em investimentos, está sob investigação e pode não sair do papel. O projeto, que nasceu como uma aposta de marketing político para fortalecer a imagem de Jair Bolsonaro diante do eleitorado, tornou-se o epicentro de uma crise que ameaça inviabilizar não apenas a candidatura de Flávio, mas todo o projeto de poder construído em torno da família. O cinema, neste caso, não imitou a vida. A vida é que imitou o escândalo.
Fontes:
Brasil 247 — PL tem plano B para Flávio Bolsonaro (20.mai.2026)
O Globo — PL convoca reunião com Flávio Bolsonaro e bancadas do Senado e da Câmara após crise com Master (18.mai.2026)
Valor Econômico — Flávio Bolsonaro tem reeleição ao Senado como plano B, dizem aliados (18.mai.2026)
Gazeta do Povo — Sem plano B? O futuro da candidatura de Flávio Bolsonaro (19.mai.2026)
Folha de S.Paulo — Flávio Bolsonaro contradiz discursos anteriores ao confirmar visita a Daniel Vorcaro (19.mai.2026)
BBC News Brasil — Pesquisa AtlasIntel: Lula aparece 7 pontos à frente de Flávio Bolsonaro (19.mai.2026)
Veja — Os argumentos dos que resistem à Michelle como plano B de candidatura (15.mai.2026)
Intercept Brasil — Reportagem com áudios e mensagens entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro (13.mai.2026)
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