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O artigo passado “Canetas emagrecedoras – Um marco no tratamento da obesidade” (https://www.ultimahoraonline.com.br/noticia/canetas-emagrecedorasum-marco-no-tratamento-da-obesidade) gerou uma série de perguntas sobre a forma oral de apresentação do medicamento. Então vamos entender como funcionam esses comprimidos e poder sonhar com a silhueta dos sonhos?
O desenvolvimento do medicamento semaglutida foi visando o controle da glicemia em pacientes com diabetes tipo 2, mas se popularizou pelo seu efeito emagrecedor. O grande obstáculo em administrar estes medicamentos análogos ao GLP-1 (Peptídeo semelhante ao glucagon-1) é que o princípio ativo é uma proteína, e ela pode ser digerida pelo nosso trato digestivo. A farmacêutica Novo Nordisk desenvolveu uma tecnologia para proteger a semaglutida através do trato digestivo até a sua absorção, surgindo o Rybelsus, que foi desenvolvido principalmente para o tratamento de diabetes tipo 2.
No dia 22 de dezembro, o FDA (Food and Drug Administration), uma espécie de ANVISA americana, aprovou o uso do medicamento Wegovy Pill, uma versão oral da canetinha Wegovy, criado também pela Novo Nordisk, distinta do Rybelsus apenas por conta da dosagem, que chega a 25 mg no Wegovy Pill, contra as apresentações de 3 mg, 7 mg e 14 mg do Rybelsus. Assim o Wegovy Pill é indicado especificamente para o manejo da obesidade. Acredito que a liberação do Wegovy Pill pela ANVISA acontecerá em breve.
Os ensaios clínicos de fase 3 da Novo Nordisk mostraram que a dose mais alta do Wegovy Pill resultou em uma perda de peso de 16,6% em 64 semanas (www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2500969), em comparação com uma perda de 2,7% entre aqueles que tomaram um placebo. Para efeito de comparação, ensaios clínicos com 2,4 miligramas de injeções de Wegovy mostraram uma redução de peso de até 17,4% (https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10092086/).
Já a farmacêutica Eli Lilly está apostando em uma droga inovadora, a orforgliprona que tem o grande diferencial de ser uma molécula sintética não peptídica, o que facilita muito quanto a absorção, fazendo com que ela seja mais potente. A Eli Lilly estima a aprovação pelo FDA até março de 2026.
As alternativas orais são certamente mais convenientes quando comparados com as canetinhas, uma vez que existe uma certa relutância de muitos pacientes em usar medicamentos injetáveis, especialmente aqueles que requerem aplicação diária, como é o caso da semaglutida. Os efeitos colaterais são semelhantes às medicações injetáveis, assim como os cuidados na administração também devem ser. A Dra. Alessandra Barrias, endocrinologista, alerta que a semaglutida oral deve ser consumida em jejum, com pouca água, e o paciente precisa esperar meia hora antes de se alimentar, o que pode representar um inconveniente para alguns. Além disso, a Dra. Alessandra acredita que a administração diária do medicamento oral pode ser também um fator negativo quando comparado aos novos medicamentos injetáveis que são de administração semanal.
Com a crescente epidemia de diabetes e obesidade no Brasil, a demanda por tratamentos eficazes e menos invasivos tende a aumentar. Se os custos forem reduzidos e os protocolos de uso forem simplificados, os GLP-1 orais podem se tornar a principal opção para o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2 nos próximos anos. Mas é importante lembrar que a utilização desses medicamentos deve seguir as orientações de um médico.
Profª. Drª. Adriana Pedrenho
Departamento de Ciências Fisiológicas, UFRRJ
Idealizadora da Nave Química Fisiológica [email protected]
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