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O Estado do Rio de Janeiro enfrenta, neste início de agosto, uma situação de alerta máximo para incêndios florestais, sem contar com um plano de contingência integrado para enfrentar o problema. Segundo relatório apresentado pelo deputado estadual Yuri Moura (Psol), coordenador da Frente Parlamentar de Prevenção às Tragédias e em Defesa da Moradia Digna da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), a ausência desse instrumento estratégico compromete a capacidade de resposta do poder público e expõe a população e o meio ambiente a riscos ainda maiores em um período considerado historicamente crítico. O Governo do Estado chegou a abrir processo para elaborar o plano, mas ele nunca foi concluído ou apresentado!
Dados do Centro Estadual de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden-RJ), atualizados em 4 de agosto de 2025, mostram que praticamente todo o território fluminense está sob risco “muito alto” para incêndios florestais, com exceção da Região Serrana, classificada como “alto risco”. O cenário é agravado por uma escalada alarmante nos indicadores: entre maio e junho deste ano, os focos de calor saltaram de 73 para 168 — um aumento de 130% — e as áreas queimadas cresceram de 278 para 960 hectares, um avanço de 244%. A tendência, segundo especialistas, é de que agosto registre novos picos, impulsionados pela estiagem, altas temperaturas e baixa umidade do ar.
Impactos ambientais e de saúde pública
Os incêndios florestais não são apenas um problema ambiental. Eles geram efeitos diretos e indiretos sobre a saúde da população, especialmente crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares. De acordo com o Ministério da Saúde, a inalação de fumaça e gases tóxicos decorrentes da queima da vegetação provoca agravamento de doenças preexistentes e aumento de internações e óbitos. Em 2024, mais de 85% da população fluminense esteve exposta a níveis elevados de material particulado fino (MP 2.5) — classificados no quarto nível de intensidade (laranja) em uma escala de cinco.
A poluição do ar compromete a qualidade de vida e sobrecarrega os serviços de saúde. O Ministério dispõe de ferramentas como o VigiAr, que monitora a qualidade do ar, mas os dados mais recentes já apontam níveis preocupantes em toda a extensão do estado. Além disso, há impactos socioeconômicos, como deslocamento forçado de famílias e prejuízos para atividades agrícolas e turísticas.
No campo ambiental, as cicatrizes deixadas pelo fogo são profundas: perda de cobertura vegetal, morte de fauna, fragmentação de habitats, assoreamento de rios e aumento do risco de deslizamentos durante o verão. “A supressão vegetal intensificada aumenta o risco de deslizamentos futuros e causa perda acelerada da biodiversidade”, alerta o relatório.
Falhas na prevenção e na coordenação entre entes públicos
A Lei Federal nº 12.608/2012 obriga estados e municípios a manterem planos de contingência atualizados para eventos como incêndios e estiagens. No entanto, o levantamento da Frente Parlamentar constatou que, até julho deste ano, apenas três municípios fluminenses possuíam planos atualizados: Campos dos Goytacazes, Mesquita e Santa Maria Madalena. O município de Itaocara apresentou documento datado de 2021, já defasado. Outros relataram estar elaborando novos planos, mas sem previsão de conclusão.
No âmbito estadual, o plano de contingência para estiagem e queimadas, segundo a Secretaria de Estado de Defesa Civil, ainda está em elaboração. Um processo administrativo previa a entrega em maio, mas, desde abril, não houve novas movimentações significativas. A ausência de um plano estadual compromete a articulação entre os municípios, muitos dos quais dependem de apoio técnico e logístico para responder a incêndios de grandes proporções.
Além da falta de planejamento, o relatório aponta para problemas estruturais, como a baixa qualidade dos equipamentos de proteção individual (EPIs) fornecidos a guarda-parques e brigadistas, a ausência de integração com a sociedade civil — incluindo agricultores e comunidades em áreas de amortecimento de unidades de conservação — e a dependência excessiva de recursos da União para operações de combate.
Orçamento insuficiente e falta de transparência
O estudo também analisou os orçamentos estaduais e municipais destinados à Defesa Civil e à prevenção de incêndios. A média de participação dessa área nos orçamentos municipais é de apenas 0,40%. Em muitos casos, não há ações específicas voltadas ao combate a incêndios florestais.
O Estado do Rio de Janeiro destinou R$264,1 milhões para a subfunção Defesa Civil, mas apenas R$905,9 mil foram alocados à ação orçamentária “Prevenção a Incêndios e Salvamentos”. Municípios como São José do Vale do Rio Preto apresentam proporcionalmente maiores investimentos — R$1,03 milhão em um total de R$2,07 milhões para a Defesa Civil —, mas a maioria das cidades não detalha despesas específicas.
Ferramentas anunciadas para auxiliar no monitoramento, como o aplicativo “Olho no Verde – Queimadas”, lançado em outubro de 2024 com promessa de uso de inteligência artificial, não estão disponíveis ao público. Já o sistema original “Olho no Verde”, para monitoramento de desmatamento, não é atualizado desde 2022.
Desafios culturais e sociais
Outro ponto levantado pelo relatório é a influência de fatores socioculturais no aumento das ocorrências. Práticas como queima de lixo, limpeza de terrenos com uso de fogo e descarte irregular de materiais inflamáveis contribuem para a propagação de incêndios, especialmente durante o período seco. O documento defende a necessidade de ações de educação ambiental contínuas e adaptadas à realidade local, com participação de agentes comunitários e redes de denúncia eficazes.
Chamado à ação
Para o deputado Yuri Moura, a situação exige uma resposta urgente e coordenada. “Estamos diante de um risco real e imediato. Sem um plano de contingência estadual, sem integração entre os entes públicos e com baixo investimento em prevenção, estamos colocando em risco vidas humanas, a biodiversidade e o patrimônio natural do Rio de Janeiro. Estas áreas queimadas serão cicatrizes para as chuvas no verão, o que pode aumentar o número de deslizamentos e inundações!”, afirmou.
O relatório será encaminhado ao Ministério Público e a órgãos de controle, com recomendações para a elaboração e atualização imediata dos planos de contingência, fortalecimento das brigadas municipais, modernização de equipamentos e ampliação dos investimentos em prevenção. “Não podemos continuar tratando incêndios florestais como eventos sazonais e inevitáveis. Eles são resultado de falhas de gestão e de ausência de políticas públicas estruturadas”, concluiu o parlamentar.
Mais informações podem ser obtidas através do Facebook, Instagram e YouTube @yurimourarj, bem como no WhatsApp (24) 99955-2730.
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