Deputado Federal Luiz Lima (Novo) expõe fisiologismo que atravessa não só a esquerda, mas PP, PSD, Republicanos e União Brasil e alerta para colapso econômico do Rio

CPMI recupera bilhões de aposentados com apenas 4 deputados do Novo

Entrevista com Luiz Lima — O Novo e os Desafios Políticos do Brasil

Deputado do Partido Novo destaca atuação legislativa em investigações previdenciárias, rejeição ao STF e crítica ao fisiologismo político

A Força de Quem Faz Diferença

Luiz Lima, deputado federal pelo Rio de Janeiro e integrante do Partido Novo, concedeu entrevista exclusiva à Associação Comercial do Rio de Janeiro durante palestra de apresentação de Romeu Zema, pré-candidato apoiado pela legenda. Com trajetória singular — de recordista olímpico em natação a parlamentar atuante — Lima expõe o trabalho legislativo de seu partido e analisa os principais temas que mobilizam a política brasileira contemporânea. A conversa abordou desde a recuperação de bilhões desviados de aposentados até a crise iminente dos royalties petrolíferos do estado.

A CPMI do NSS: Pequenez que Recupera Bilhões

Embora o Partido Novo tenha apenas cinco deputados federais no Congresso, sua atuação tem desmentido a noção de que tamanho de bancada determina impacto legislativo. Na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Novo Sistema de Saúde, quatro deputados novistas participaram de 40 sessões que resultaram em ações concretas. O resultado foi expressivo: recursos roubados de aposentados foram recuperados, e o governo federal teve sua capacidade de ação política significativamente enfraquecida.

"A gente entregou praticamente tudo mastigadinho para a Polícia Federal fazer o bom trabalho que estão fazendo", explicou Lima, ressaltando que as provas obtidas também beneficiaram o Supremo Tribunal Federal. O inquérito desencadeou uma série de delações de operadores financeiros que foram presos, expandindo o escopo das investigações. A CPMI demonstrou que comprometimento com o interesse público supera números abstratos de representação parlamentar.

O STF Rejeitado: Reafirmação da Independência Judiciária

A rejeição de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal marcou um ponto de inflexão na política brasileira. Pela primeira vez em 132 anos — a última rejeição ocorreu em 1894, no governo Floriano Peixoto — o Senado negou uma indicação presidencial para a corte máxima. O evento gerou interpretações divergentes, mas para Lima, representou uma vitória da institucionalidade sobre tentativas de captura política do Judiciário.

O contexto tornou a votação particularmente significativa. O governo Lula havia apresentado duas indicações anteriores: Zanin, advogado pessoal do presidente, e Flávio Dino, figura política próxima a Lula desde a infância. Messias, aos 46 anos, ocuparia a cadeira até os 75 anos — totalizando 29 anos de mandato, superando em duração o ministro Gilmar Mendes, que já completa duas décadas na corte.

"Foi um grito de chega, né? O judiciário tem que ser independente", avaliou Lima, propondo que o Partido Novo defenda reformas estruturais no STF, como a instituição de carreira limitada e prazo máximo de permanência no cargo. A proposta não é nova — discussões sobre o tema ocorrem há mais de 60 anos — mas ganhou renovada urgência com o episódio.

Dosimetria e a Proporcionalidade Perdida

A votação sobre dosimetria das penas — mecanismo que individualiza condenações — provocou novo debate sobre inconsistências no sistema judiciário brasileiro. Penas foram aplicadas coletivamente, afastando-se, segundo Lima, do "bom senso, da razão e até da humanidade". O resultado gerou rejeição social: índices de desaprovação atingiram 60% da população.

O paradoxo é gritante. Brasileiros condenados por crimes considerados hediondos — assassinato, tráfico de drogas, sequestro — recebem penas significativamente menores que manifestantes condenados por atos de protesto. O exemplo citado por Lima é emblemático: uma pessoa condenada por pichação de estátua recebeu pena superior à de indivíduos condenados por homicídio. A distorção revela não apenas falhas técnicas, mas questões profundas sobre equidade judicial.

"Tem muitas pessoas que não deveriam estar presas e estão presas. A dosimetria foi uma resposta do que a sociedade está enxergando", afirmou o deputado, reconhecendo que a medida, embora imperfeita, sinalizou sensibilidade do Congresso ao sentimento popular.

A Punição Seletiva e o Fisiologismo Bipartidário

Três deputados federais foram punidos em sessão ordinária: Zé Trovão (Santa Catarina), Marcos Polon (Mato Grosso do Sul) e Marcel Van Ratten (Rio Grande do Sul, Partido Novo). Ações similares ocorreram no passado sem gerar punições. A votação que condenou os três foi desproporcional: apenas 4 votos em defesa dos parlamentares contra 15 votos pela punição.

O dado mais relevante, contudo, não é a punição em si, mas sua coligação. PP, PSD, Republicanos e União Brasil votaram pela condenação — não apenas a esquerda ou o Palácio do Planalto. A composição da votação revelou que o fisiologismo transcende divisões tradicionais esquerda-direita. "Tem que ver quem realmente tá do lado certo, quem não tá, quem é um partido político por conveniência", refletiu Lima, apontando que a politicagem invade todas as siglas.

Banco Master: Escândalo que Envolve Gerações de Governo

Questionado sobre a operação da Polícia Federal contra lideranças do PP — particularmente o presidente Ciro Nogueira — Lima ampliou o escopo para incluir ex-ministros de governos petistas envolvidos no escândalo do Banco Master. Ricardo Lewandowski (ex-ministro da Justiça), Henrique Meirelles (ex-ministro da Fazenda) e Guido Mantega (ex-ministro da Fazenda) figuram no caso.

"O PP é um partido profissional", definiu Lima, utilizando expressão que designa siglas voltadas ao exercício da máquina estatal sem princípios ideológicos claros. O escopo do Banco Master — um dos maiores escândalos financeiros da história política brasileira — envolve uma arquitetura sofisticada de corrupção que atravessa diferentes governos e períodos históricos. A operação atual, longe de ser isolada, faz parte de um processo de prestação de contas que permanece incompleto.

A Catástrofe Iminente dos Royalties

O tema que gerou maior preocupação foi a iminente decisão da ministra Carmen Lúcia sobre royalties de petróleo. Rio de Janeiro fornece praticamente toda a produção nacional de petróleo e gás natural, mas corre risco de perder aproximadamente R$ 8 bilhões anuais em receitas — uma cifra que reposicionaria drasticamente a economia estadual.

O estado já sofreu perdas significativas. A mudança do modelo de cobrança SMS (de origem para destino) já havia reduzido receitas estaduais de forma substancial. Lima conecta essa perda a um padrão histórico: Rio de Janeiro sofreu um "golpe institucional" quando perdeu o status de capital em 1960. Diferentemente de cidades alemãs que recebem compensação permanente por perderem funções administrativas, o Rio foi abandonado.

"O estado do Rio de Janeiro completamente desamparado", sintetizou o deputado. Os investimentos de royalties que poderiam ter transformado a região dos lagos — Rio das Ostras, Macaé, Cabo Frio, Maricá — foram desperdiçados por gestão inadequada de administrações anteriores. Perder agora os royalties deixará o estado "na UTI, com certeza". A urgência é política: apenas um "governo federal sério" conseguirá resgatar Rio de Janeiro, afirmou Lima.

O Interinato e as Medidas Cotidianas

O governador interino tem tomado medidas administrativas de rotina — "feijão com arroz", no dizer de Lima — mas tem revelado um problema estrutural: a quantidade de pessoas que recebiam recursos públicos sem qualquer trabalho. Essa exposição, embora incômoda, serve a propósitos de longo prazo: demonstra a extensão do clientelismo que precisa ser desmontado. Não é fator positivo presente, mas ferramenta diagnóstica para mudanças futuras.

Perspectivas para o Rio

A entrevista com Luiz Lima evidencia que o debate político contemporâneo não é binário. O Partido Novo — pequeno em números, grande em comprometimento legislativo — oferece contraposição tanto aos governos petistas quanto ao fisiologismo das máquinas tradicionais. Os temas abordados — recuperação de bilhões, reforma judiciária, proporcionalidade das penas, transparência administrativa e defesa de interesses regionais — formam uma agenda de longo prazo que transcende ciclos eleitorais.

Rio de Janeiro permanece no centro dessa discussão. A decisão iminente sobre royalties testará se a política nacional consegue priorizar a sobrevivência econômica de estados estratégicos ou se permanecerá presa a negociações de curto prazo e benefícios corporativistas. Lima sinalizou esperança, mas com realismo: "A gente já perdeu muito com isso e agora correndo o risco de nós perdermos. Nós fornecemos aí petróleo e gás natural em quase sua totalidade para todo o território nacional. Não é justo."

Repórter Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ

Por Robson Talber @robsontalber 

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Por Ultima Hora em 12/05/2026
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