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A medicina estética sempre caminhou na direção do exterior. Cremes, lasers, preenchimentos e peeling, todos com o foco voltado para a epiderme e a derme.
O que a ciência tem mostrado nos últimos cinco anos, porém, é que a verdadeira revolução para uma pele saudável e rejuvenescida começa onde ninguém vê: no intestino. Dessa descoberta, e de todo o seu potencial, fala a Dra. Ilana Mandel, dermatologista e nutróloga com 26 anos de experiência clínica, em palestra no Estética in Rio, que acontece entre 16 e 18 de maio, no RioCentro, na Barra da Tijuca.
A comunicação entre o intestino e a pele, conhecida como eixo intestino-pele, representa uma das fronteiras mais promissoras da medicina integrativa.
Estudos recentes do Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences apontam que a disbiose intestinal, ou seja, o desequilíbrio da flora microbiana, pode contribuir diretamente para o agravamento de acne, rosácea e outras condições inflamatórias da pele.
Mais do que isso: pesquisas da Revista Científica Multidisciplinar O Saber demonstram que probióticos e prebióticos melhoram significativamente a hidratação cutânea, a elasticidade e reduzem sinais de envelhecimento.
O intestino como regente silencioso
Quando o intestino funciona adequadamente, mais que isso,
Quando está equilibrado, ele age como um orquestrador da saúde geral. Sua microbiota produz neurotransmissores, modula a resposta imunológica e controla a absorção de nutrientes essenciais para a síntese de colágeno. Qualquer desvio nesse equilíbrio se reflete na pele em questão de semanas.
"O intestino é o nosso maestro silencioso do organismo", explica Mandel. "Através da comunicação entre intestino e pele, conseguimos melhorar significativamente a vida dos nossos pacientes."
A médica dedicou anos de estudos a essa conexão, transformando-a em um diferencial clínico que vai além dos procedimentos convencionais. Seu método integra avaliação nutricional, análise de disbiose e prescrição de protocolos suplementares, tudo para maximizar resultados de tratamentos estéticos.
Acne, rosácea e envelhecimento: uma mesma origem
A acne vulgar, por muito tempo atribuída apenas a fatores hormonais e de higiene, ganhou uma nova perspectiva com o aprofundamento das pesquisas sobre o microbioma.
O aumento da permeabilidade intestinal, conhecido como "intestino permeável" ou leaky gut, libera mediadores inflamatórios sistêmicos que chegam à circulação e se manifestam na pele como inflamação, vermelhidão e erupções.
O mesmo mecanismo explica casos de rosácea resistente ao tratamento convencional e envelhecimento prematuro. "Às vezes as pessoas têm doenças de pele, não sabem o que têm, e a causa está no trato intestinal", comenta Mandel. "Quando você consegue regularizar a função intestinal de maneira delicada e adequada, os resultados aparecem."
Pesquisas do Research and Development Journal indicam que a suplementação com cepas específicas de Lactobacillus plantarum pode melhorar a hidratação e elasticidade da pele em até 15% em oito semanas. Isso significa que um paciente submetido a um procedimento estético, seja laser, radiofrequência ou microagulhamento, terá resultados potencialmente melhores se seu microbioma estiver equilibrado.
Colágeno preservado: a equação que falta
O colágeno, proteína estrutural fundamental da pele, sofre dois ataques simultâneos quando o intestino está desequilibrado.
Primeiro, a inflamação sistêmica acelera sua degradação. Segundo, a má absorção de nutrientes (especialmente vitamina C, zinco e selênio) compromete sua síntese. Resultado: rugas mais profundas, perda de firmeza e flacidez prematura.
"Como a gente pode impedir que esse colágeno seja degradado? Como estimular mais colágeno?" são as perguntas que Mandel responde em sua palestra.
A estratégia passa por três pilares: tratamento da causa raiz (eliminar a disbiose), otimização da absorção de micronutrientes e, quando necessário, suplementação inteligente com peptídeos de colágeno hidrolisado e substâncias promotoras de sua síntese.
O Estética in Rio como palco para essa transformação.
O evento que acontece neste fim de semana no RioCentro reúne profissionais de beleza, dermatologistas, nutricionistas e pacientes interessados nas inovações do setor. Mandel é uma das vozes centrais dessa conversa, trazendo uma perspectiva que rompe com a compartimentalização da medicina estética.
"A informação é o bem mais precioso que a gente pode dar para as pessoas e para nossos pacientes", destaca a médica. "Com a informação, a pessoa pode buscar mais informação, ela precisa saber que isso existe, isso tem muita ciência nisso e isso está muito documentado."
O público presente não apenas conhecerá os mecanismos por trás do eixo intestino-pele, mas também aprenderá a integrar essa abordagem em sua própria rotina seja como profissional de saúde, seja como paciente buscando resultados mais duradouros e genuínos.
A consciência que falta.
A lacuna mais importante não é científica, é de consciência. A maioria dos pacientes não relaciona problemas digestivos com condições de pele. Não vê o intestino como um órgão central de sua saúde geral.
e muito menos o vê como aliado dos procedimentos estéticos que realiza. Essa desconexão deixa dinheiro na mesa: procedimentos menos eficazes, resultados que não duram, necessidade de retratamento constante.
Mudanças simples na alimentação, eliminação de alimentos inflamatórios, uso estratégico de probióticos e normalização do trânsito intestinal podem ser o diferencial entre um resultado mediano e uma transformação.
Mandel, com seus 26 anos de prática, tem visto essa mudança ocorrer repetidamente em seu consultório. e agora compartilha no maior evento de estética do país.

Por Robson Talber @robsontalber
Repórter Renata Barbosa @beleza.naotemidade
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