Detran-RJ, Inea e Polícia Civil fecham ferro-velho com peças de carros roubados e lixo hospitalar em Nova Iguaçu: operação expõe o elo entre crime ambiental e desmanche ilegal

Detran-RJ, Inea e Polícia Civil fecham ferro-velho com peças de carros roubados e lixo hospitalar em Nova Iguaçu: operação expõe o elo entre crime ambiental e desmanche ilegal

Um ferro-velho clandestino virou símbolo do caos urbano nesta terça-feira (17), em Nova Iguaçu, quando uma força-tarefa formada por Detran-RJ, Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e Polícia Civil interditou o local, que operava às margens da Rodovia Presidente Dutra sem qualquer registro ou autorização. Além de encontrar peças de carros de luxo desmontados e sem origem comprovada, os agentes se depararam com um verdadeiro atentado à saúde pública: sacos pretos contendo lixo hospitalar, com seringas, tubos de sangue e resíduos infectantes largados entre motores enferrujados e carcaças de veículos.

Batizado de Rodrigues Peças, o ferro-velho não possuía cadastro no Detran-RJ e armazenava sucatas de carros importados, incluindo híbridos, com fortes indícios de origem ilícita. O cenário encontrado vai além da ilegalidade comercial: é um retrato cru da engrenagem que transforma veículos roubados em lucro fácil para receptadores — e, agora, também em risco ambiental. Funcionários foram conduzidos à 58ª DP (Posse), e o caso está sendo investigado como crime ambiental, além da suspeita de receptação.

Em meio às peças metálicas, havia resíduos hospitalares altamente contaminantes. Seringas usadas, tubos com sangue coagulado, luvas cirúrgicas e bolsas de hemodiálise foram encontrados sem qualquer tipo de controle sanitário. Segundo o Inea, o crime é claro: disposição irregular de resíduos perigosos. A multa, prevista na Lei Estadual 3.467/2000, pode chegar a R$ 200 mil. A Polícia Civil apura agora a origem desse lixo — há suspeita de descarte feito por clínicas e unidades de saúde da região.

A operação integra a Operação Desmonte, ação coordenada pelo Detran-RJ desde 2023 para enfrentar a cadeia de comércio ilegal de autopeças, que alimenta o roubo de veículos em todo o estado. Desde sua criação, a força-tarefa já interditou 113 ferros-velhos irregulares, credenciou 76 estabelecimentos e apreendeu mais de 1.500 toneladas de sucata em 53 ações de campo.

O presidente do Detran-RJ, Vinicius Farah, destacou que não se trata apenas de repressão, mas de organização de um setor inteiro. “Estamos construindo um mercado de peças usadas mais seguro, mais confiável. Quem está dentro da lei será protegido. Quem insiste na ilegalidade será interditado”, afirmou.O caso ganha ainda mais destaque diante do crescimento alarmante dos roubos de veículos em Nova Iguaçu. Segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP-RJ), a cidade registrou mais de 3.100 roubos de veículos em 2024, uma média de quase nove casos por dia. A maioria dos carros não é recuperada. Parte desse material roubado, como mostram operações como esta, vai parar em ferros-velhos ilegais, onde é rapidamente desmontado e revendidos em pedaços.

Enquanto um ferro-velho era interditado, outro foi fiscalizado e aprovado durante a mesma operação: totalmente regularizado, com peças etiquetadas e sistema digital de rastreamento. O contraste reforça que é possível trabalhar dentro da legalidade — e que combater o crime também passa por premiar o bom empreendedor.

A interdição em Nova Iguaçu representa mais que uma ação isolada. É um recado claro de que o Estado está disposto a enfrentar os bastidores do crime urbano — aquele que acontece longe dos holofotes, entre o óleo queimado, o metal retorcido e o lixo jogado no chão. Agora, a investigação segue e a expectativa é que novos desdobramentos revelem até onde vão as conexões entre a violência nas ruas e os galpões do desmonte.

Por: Arinos Monge.

Por Coluna Arinos Monge em 18/06/2025
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